Por: Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz em 2010-03-18 00:00:00
Informação à comunicação social – 18 de Março de 2010Exposição na Igreja de Santiago evoca a moda dos gabinetes de curiosidades dos séculos XVI e XVII
Município de Reguengos de Monsaraz apresenta exposição “Gabinete de Curiosidades”
O Ciclo Santiago 2010, que decorre ao longo do ano na Igreja de Santiago, na vila medieval de Monsaraz, apresenta entre 23 de Março e 26 de Abril a exposição “Gabinete de Curiosidades”, de Ricardo Leal Gomes. Organizada pelo Município de Reguengos de Monsaraz, a exposição, que pode ser apreciada todos os dias entre as 10h e as 18h, evoca a moda dos gabinetes de curiosidades nos séculos XVI e XVII, quando se coleccionavam uma multiplicidade de objectos raros ou estranhos dos três ramos da biologia considerados na época, nomeadamente o animal, o vegetal e o mineral, além das realizações humanas.
Em geral, os gabinetes de curiosidades ou quartos de maravilhas eram uma exposição de curiosidades e achados procedentes de novas explorações ou instrumentos tecnicamente avançados, mas também poderiam ser amostras de quadros e pinturas, considerados como os precursores dos actuais museus de arte. Os gabinetes de curiosidades apareceram na Europa durante o Renascimento e tiveram um papel fundamental para o desenvolvimento da ciência moderna, embora reflectissem a opinião popular da época (não era raro encontrar sangue de dragão seco ou esqueletos de animais míticos). É indiscutível a sua importância no estudo precoce de certas disciplinas de biologia ao criar colecções de fósseis, conchas e insectos.
Ricardo Leal Gomes considera que “um dos pressupostos inalienáveis desta proposta (Gabinete de Curiosidades) é precisamente a manipulação sensível da matéria com vista à concretização de objectos artísticos. Apesar da virtualização crescente e aparentemente inexorável que assistimos nos dias de hoje em quase todos os domínios da vida, há uma relação com a matéria que nos é íntima e duradoura”.
O artista afirma que “somos sensíveis aos materiais, aos seus valores cromáticos, densidade, peso, toque, textura e temperatura e, à passagem do tempo que neles fica impressa. O prazer que se sente ao tomar nas mãos uma taça de vidro romano baço, erodido e moldado pelo tempo é algo que não se perderá nunca. Somos particularmente sensíveis às suas imperfeições, ganhas quer no próprio método de fabrico, quer no curso do tempo que mediou esse momento da criação, quer no momento em que sentimos a sua superfície fria nas nossas mãos. No fundo, esse prazer resulta da nossa própria condição material e da nossa sujeição ao tempo”.
Esta exposição de Ricardo Leal Gomes parece um tesouro retirado do fundo do mar, com as suas conchas transformadas em objectos de arte. O artista refere que “um dos actos de genuíno deslumbramento que ocorre em criança acontece quando frente à imensa massa de água que constitui o oceano se encontram semi-ocultos na areia esses pequenos objectos delicadamente coloridos e matizados e de uma geometria irrepreensível - as conchas. Simbolicamente, as conchas são associadas ao renascimento e à purificação, pela relação com a água, e à regressão a um estado mais puro. O mesmo simbolismo pode ser encontrado nas manifestações artísticas ao longo dos tempos”.
Carlos Manuel Barão