JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Outubro 2018 - Nº 132 - I Série - Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço

Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira

João Santos

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- Sim, com certeza.
Em Vila franca de Xira, o setor primário deve ser considerado importante, particularmente, porque o território integra as Lezírias. As Lezírias constituem uma parte significativa dos solos agrícolas mais ricos de Portugal.
Também o setor do Turismo deve ser considerado como absolutamente estratégico, em Vila Franca de Xira.
As Lezírias, as culturas Avieira, Varina e Campina, o rio Tejo, a paisagem ribeirinha absolutamente deslumbrante, o casco antigo da cidade verdadeiramente pitoresco, são características endógenas do território da Freguesia de Vila Franca de Xira que o encaminham para o setor do Turismo.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- A Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira está atenta ao fenómeno da pobreza.
Considerando que a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira integra a Rede de Apoio e Atendimento Social Integrado do Concelho de Vila Franca de Xira, tem sido muito ativa e interventiva, sobretudo, através de“atendimentos”, “encaminhamentos” e respetivos “acompanhamentos” de processos relacionados com problemas de natureza social.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- É um problema antigo da sociedade portuguesa. Não obstante, porque a expansão dos meios de difusão da informação o permite, é um temacuja expressãoé mais evidente na atualidade.
É um problema que está relacionado, sobretudo, com insuficiências de natureza social e de ordem socioeconómica.
Nesta medida, o combate a este problema não pode deixar de passar pela aposta em políticas estruturantes que contrariem o grande problema da Sociedade portuguesa: O Sucesso Escolar.
Os resultados destas políticas, sendo bem sucedidas, verificar-se-iam nas gerações sucedâneas.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Este é um problema que, do ponto de vista estrutural, obedece à lógica exposta na resposta anterior.
É, a propósito deste assunto, muito claro que, no conjunto das questões de natureza social e de ordem socioeconómica, é a Educação que assume um papel mais estruturante e de protagonista na resolução deste problema.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Uma vez mais, o instinto primário que subjazàs reações violentas tenderá a ser contrariado e “moderado” com a eficácia de políticas na área da Educação. O sucesso do processo ensino-aprendizagem estimula, nos Indivíduos, a capacidade cognitiva, o pensamento crítico e, por conseguinte, a ponderação nas tomadas de decisão.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- É certo que a pirâmide etária em Portugal se está a inverter.
Como anteriormente foi referido, a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira integra a Rede de Apoio e Atendimento Social Integrado do Concelho de Vila Franca de Xira.Tem tido, por isso, em muitos casos, um papel interventivo no apoio a pessoas menos jovens.
Por outro lado, a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira tem estado ao lado das Instituições de Solidariedade Social que empreendem a este propósito, nomeadamente, integrando valências na área da prestação de apoio aos mais idosos.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O despovoamento da cidade de Vila Franca de Xira é um assunto que deve ser objeto de reflexão na Freguesia de Vila Franca de Xira.
Inserindo-se na lógica da economia de mercado em que vive a Sociedade portuguesa, a fraca ocupação da residência privada disponível na cidade de Vila Franca de Xira é, por isso, um assunto da esfera privada e de responsabilidade da Sociedade Civil, sobretudo.
No entanto, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira está, nesta fase, com recurso aos instrumentos legais que tem disponíveis,a desenvolver um conjunto de programas e iniciativasque visam, precisamente, estimular a ocupação das habitações desocupadas por parte da população jovem.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A cidade de Vila Franca de Xira, está “encostada” ao rio Tejo, apresenta uma paisagem ribeirinha absolutamente extraordinária em qualquer parte do mundo e inclui um espaço ribeirinho completamente requalificado e à disposição das pessoas e das empresas.
Apesar destas características muito positivas,a cidade de Vila Franca de Xira“padece” de um problema que condiciona o atingimento do potencial turístico que tem naturalmente intrínseco: a Ferrovia do Norte, que atravessa Vila Franca de Xira, precisamente, entre a cidade e a zona ribeirinha.
É um constrangimento enorme, que limita, fatalmente, a utilização do espaço e, por conseguinte, o investimento privado aí necessário.
Sendo uma via de comunicação estruturante, inclusivamente, no contexto nacional, este é um problema de muito difícil resolução. Mas não é irresolúvel…

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- A Freguesia, como, aliás, referir anteriormente, tem um conjunto de características que a “encaminham” para o setor do Turismo: As Lezírias; as culturas Avieira, Varina e Campina; o rio Tejo; a paisagem ribeirinha absolutamente deslumbrante;e o casco antigo da cidade verdadeiramente pitoresco.
A estas características, acrescenta-se o posicionamento estratégico que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira tem assumido nos últimos anos.
Por isso, no médio prazo, vejo, com muita naturalidade, a Freguesia de Vila Franca de Xira a afirmar-se como destino turístico e de lazer no contexto do Turismo na Área Metropolitana de Lisboa.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Em Vila Franca de Xira, é fundamental reforçar a necessidade de adaptação a cada momento. Isto é muito pertinente a propósito do comércio e cultura locais.
É uma Freguesia com uma cultura e uma identidade muito próprias, que muito nos orgulham.
No entanto, para as preservar, podendo parecer um paradoxo, será necessário, em algumas circunstâncias, inovar. Esta inovação não deve ser, evidentemente, disruptiva. Deve ser desenvolvida na exata medida considerada indispensável à sustentabilidade das atividades económicas, tradições e/ou costumes.

J.A.-Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira da Junta de Freguesia não difere do quadro nacional em matéria de recursos à disposição.
Os recursos não são ilimitados. Por isso, o que é absolutamente fundamental é ser eficiente no processo de gestão orçamental, de forma a potenciar o valor efetivamente acrescentado a partir da utilização dos recursos disponíveis.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira assumevital importância para a Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira e para os cidadãos Vila-franquenses em geral.
É a partir desta lógica de cooperação que se geram maiores eficiências nos processos de gestão e mais e maiores economias de escala. Estas mais-valias constituem-se, evidentemente, como fundamentais para a otimização da gestão dos recursos disponíveis na Administração Pública Local.
Relativamente às transferências de natureza financeira, assentam numa métrica de cálculo muito lógica e transparente, previamente discutidacom todas as Juntas de Freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.-O atual Executivo está, de forma muito pragmática, empenhado em melhorar os processos de gestão das várias competências atribuídas à Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira.
O atual Executivo herdou uma herança, que carece de tempo para ser ajustada.
No entanto, passados apenas 10 meses da tomada de posse, este Executivo está convicto de que está a desenvolver um trabalho sério, com máximo respeito pelos Vila-franquenses e com objetivos claros já atingidos.
A garantia que deixa aos Vila-franquenses é a de que se manterá com máximo empenhamento, procurando, a cada dia, soluções que visem resolver problemas reais e que contribuam para acrescentar, efetivamente, qualidade ao espaço público da Freguesia.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Tenho 41 anos, sou casado e tenho dois filhos, um com seis anos e outro com nove.
São sete dias de trabalho, sem interrupções… É uma gestão complexa e muito penalizadora para a Família…

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Em primeiro lugar, muito agradeço ao Jornal Autarquias esta entrevista e a possibilidade de divulgação da Freguesia de Vila Franca de Xira.
Em segundo lugar, felicito o Jornal Autarquias pelo trabalho de informação sério e verdadeiramente indispensável que tem vindo a desenvolver no âmbito da Administração Pública local.

João Santos

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