Jornal das Autarquias | Setembo 2025 - Nº 215 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira

Ricardo Carvalho

J.A. – O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.- Sim, absolutamente. O turismo e o setor primário são pilares fundamentais do nosso desenvolvimento local. Há uma aposta clara na valorização do nosso património cultural e natural, promovendo o turismo sustentável desta cidade entre o monte e o Tejo, com vista para as Lezírias, essenciais para a identidade e economia da freguesia. Acreditamos que investir na visibilidade destes fatores naturais, é garantir um futuro com mais oportunidades para todos.

J.A. – Cada dia que passa, a violência doméstica tem-se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.- É, de facto, uma realidade inaceitável que exige respostas firmes. Acreditamos na prevenção, na sensibilização para o respeito mútuo entre pessoas e no reforço da rede de apoio às vítimas. Devem ser disponibilizados mais recursos para formação, acolhimento e proteção, trabalhando em parceria com escolas, forças de segurança, instituições sociais e entidades de saúde. É essencial que todas as vítimas sintam que não estão sozinhas e que os agressores percebam o quanto agem erradamente.

J.A. – Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.- A violência no namoro é um alerta social preocupante. Precisamos de investir mais na educação emocional e no respeito mútuo desde cedo. Defendemos campanhas contínuas junto das escolas e juventude, para que os jovens compreendam os sinais de abuso e saibam que o amor nunca deve magoar. É na prevenção que está a chave para o sucesso.

J.A. – Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.- As populações mais vulneráveis precisam de acesso mais rápido e facilitado a apoios sociais, como na habitação condigna, no acesso à saúde, à educação e ao emprego. Defendemos um reforço dos apoios ao arrendamento, programas de integração social e criação de respostas mais eficazes de proximidade. A dignidade, o bem-estar e o respeito pelas pessoas tem de estar sempre no centro da ação política.

J.A. – Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois de terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no país. Qual a vossa opinião sobre este assunto?
P.J.- Recebemos todas as pessoas com humanidade e respeito e tentamos ajudar sempre que necessário. Nas últimas décadas têm chegado grupos de imigrantes ao nosso país. Desde migrantes das antigas colónias, do Leste da Europa, da América do Sul, e nos últimos anos, principalmente, da Ásia. De meios diferentes, com culturas e religiões diferentes, temos visto que se enquadraram muito bem no nosso país, formando comunidades próximas aos portugueses, que sabem receber bem. Os imigrantes são parte ativa da nossa comunidade e contribuem para a diversidade e crescimento local. Trabalhamos para garantir o seu acesso à informação, integração social e apoio legal, em articulação com as entidades competentes. Acreditamos que Portugal é uma sociedade que acolhe e valoriza.

J.A. – O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?
P.J.- Qualquer medida que vise aumentar o acesso à habitação, especialmente para jovens e famílias com rendimentos mais baixos, é bem-vinda. Contudo, é essencial garantir que estas políticas sejam exequíveis, justas e que contem com o envolvimento das autarquias locais. A habitação é um direito importante e deve ser orientada como uma prioridade a nível nacional.

J.A. – Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.- O aumento do custo de vida está a afetar muito fortemente as famílias. O “IVA Zero” nos produtos essenciais foi uma medida importante, mas devia ter ido mais além e ter-se expandido aos serviços essenciais, como a energia, a água potável, o saneamento e as telecomunicações. O Governo deve reforçar os apoios sociais diretos, reduzir a carga fiscal sobre bens essenciais e controlar práticas especulativas no setor alimentar e energético. É também fundamental valorizar a produção local e os mercados de proximidade, para garantir maior resiliência alimentar.

J.A. – Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultantes das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.J.- A resposta passa por um investimento urgente na prevenção e requalificação ambiental. É preciso mapear e georreferenciar zonas de risco, desassorear linhas de água, reforçar muros de contenção e sensibilizar a população para comportamentos sustentáveis. A proteção civil local deve estar equipada e treinada para agir rapidamente em situações de crise.

J.A. – Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.- Entre os mais urgentes destacam-se a resposta social a famílias em dificuldade, a manutenção do espaço público, a mobilidade urbana e o apoio à população idosa. São desafios que exigem trabalho diário, escuta ativa e proximidade com a população. Estamos focados em encontrar soluções eficazes e sustentáveis.

J.A. – Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.- Desde o primeiro dia que a nossa prioridade foi termos uma Junta de Freguesia sustentável, equilibrada financeiramente e capaz de responder imediatamente a problemas que possam surgir. Hoje temos uma Junta de Freguesa perfeitamente capacitada para intervir. Mantemos uma gestão responsável e rigorosa das finanças da Junta de Freguesia e temos procurado equilibrar os recursos disponíveis com as necessidades reais da população, garantindo investimentos essenciais em equipamento e no espaço público, sem comprometer a sustentabilidade futura. A transparência e o bom uso dos fundos públicos são princípios que respeitamos profundamente.

J.A. – Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia acordam na delegação de competências. Esta é uma forma de cooperação, embora sempre defendamos a necessidade de meios e competências para respondermos com mais agilidade às necessidades dos cidadãos. Só a trabalhar em conjunto, conseguimos mais e melhor para a nossa freguesia.

J.A. – Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?
P.J.- A nossa mensagem à população Vilafranquense é que podem continuar a contar com o nosso respeito, rigor, compromisso e seriedade no trabalho. Estamos aqui para servir, para ouvir e para agir com responsabilidade, sempre a pensar nas pessoas. Contamos com todos e trabalhamos para todos, sempre com o foco no bem-estar da nossa comunidade. Acredito que juntos, podemos construir uma freguesia mais justa, mais verde e com mais qualidade de vida.

J.A. – O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.- O Jornal das Autarquias tem desempenhado um papel essencial na divulgação do trabalho das freguesias e no reforço da ligação entre os eleitos e os cidadãos. É uma ferramenta de cidadania e de partilha de boas práticas. Parabéns pelo vosso percurso e votos de muitos mais anos ao serviço da democracia local.

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