Jornal das Autarquias | Agosto 2026 - Nº 226 - I Série

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo

Carlos Condesso

Carlos Condesso

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?

P-C.- O turismo e o setor primário são os verdadeiros motores da nossa economia local. Temos trabalhado arduamente nos últimos anos para potenciar os nossos produtos endógenos, que têm cada vez mais qualidade, fruto do trabalho dos nossos produtores. Aliamos esta riqueza agrícola a uma forte aposta na promoção turística, evidenciando o nosso património ímpar, como é o caso da Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo, uma das melhores aldeias turísticas do mundo, e a deslumbrante beleza natural do Parque Natural do Douro Internacional, por exemplo. Esta sinergia atrai investimento, gera emprego e cria riqueza para o nosso concelho.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?

P-C.- Trata-se de um problema inaceitável na nossa sociedade. Enquanto Câmara Municipal, atuamos através de uma forte rede de ação social, em estreita articulação com as forças de segurança, as instituições de solidariedade local e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. A solução passa por garantir respostas de apoio imediato, psicológico e habitacional às vítimas. Fundamental é também a aposta contínua na sensibilização junto das comunidades, de forma a garantir que o silêncio seja quebrado e as denúncias cheguem atempadamente às autoridades.

J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?

P-C.- É uma realidade que nos preocupa profundamente. A prevenção tem de começar desde cedo e as escolas assumem aqui um papel crucial. Temos promovido e apoiado iniciativas no nosso agrupamento de escolas focadas no respeito mútuo, na gestão de emoções e na igualdade. A educação é a nossa ferramenta mais poderosa para garantir que as novas gerações saibam identificar, travar e rejeitar precocemente qualquer comportamento abusivo nas suas relações.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?

P-C.- Temos implementado um conjunto robusto de políticas sociais para fazer face às dificuldades de quem mais precisa. Reforçámos os apoios à natalidade, aumentámos a comparticipação de medicamentos para os mais idosos, implementámos tarifas sociais de água e saneamento e desenvolvemos incentivos à fixação de jovens e famílias, bem como um aumento nas bolsas de estudo para os alunos que continuem para o ensino superior. O nosso orçamento municipal é gerido com o foco nas pessoas, garantindo que a autarquia possa aliviar a carga financeira das famílias mais vulneráveis do nosso concelho, sempre mantendo um equilíbrio orçamental positivo.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?

P-C.- Figueira de Castelo Rodrigo, à semelhança de grande parte do interior do país, debate-se com a falta de mão de obra, essencialmente no setor agrícola. Os imigrantes têm desempenhado um papel fundamental na nossa economia. Recebemos estas pessoas com enorme sentido de humanidade e procuramos garantir a sua integração plena. Concordamos que as políticas de entrada em território nacional devem ser bem reguladas, mas essa regulação deve servir para evitar situações de precariedade ou exploração, garantindo sempre a dignidade de quem nos procura para trabalhar e contribuir para a nossa comunidade.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?

P-C.- As políticas de habitação têm de ser adaptadas à realidade concreta de cada território. O que funciona nas grandes áreas metropolitanas não se aplica aos concelhos do interior. Da nossa parte, estamos a executar a nossa Estratégia Local de Habitação, reabilitando património municipal para arrendamento a custos controlados e apoiando as famílias na melhoria das suas casas. Esperamos que o Governo reforce efetivamente o financiamento aos municípios e reduza a pesada burocracia, para que possamos reabilitar mais imóveis e fixar jovens e famílias nas nossas terras.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais altos. Que medidas acha que o Governo deve tomar?

P-C.- A inflação tem castigado severamente o orçamento das famílias e as contas das nossas empresas locais e agricultores. A nível central, considero que necessitamos de uma política fiscal mais sensível à realidade do país, nomeadamente através da redução do IVA em bens essenciais e do alívio da carga fiscal sobre a energia e os combustíveis, fatores que encarecem toda a cadeia de produção e distribuição. Paralelamente, o Estado deve criar apoios mais diretos aos produtores locais e incentivar o consumo de proximidade.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos, da chegada do tempo quente e, consequente os incêndios. Como pensa atuar para minimizar esta situação?

P-C.- A nossa atuação assenta na prevenção permanente. Durante o inverno, reforçamos a manutenção da rede viária municipal e a limpeza dos sistemas de drenagem de águas pluviais para evitar inundações e derrocadas. Na aproximação do tempo quente, trabalhamos afincadamente no ordenamento do território, apoiando a limpeza de caminhos agrícolas e executando as faixas de gestão de combustível para mitigar o risco de incêndios rurais. Tudo isto é feito numa articulação diária e constante com o nosso Serviço Municipal de Proteção Civil, os Sapadores Florestais e com os nossos Bombeiros Voluntários.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?

P-C.- O despovoamento e o envelhecimento populacional são os desafios da nossa geração. Precisamos urgentemente de políticas de Estado que tragam verdadeira coesão territorial, e não apenas medidas avulsas. No imediato, a atração e fixação de médicos e profissionais de saúde no nosso Centro de Saúde, a melhoria das acessibilidades rodoviárias à nossa região e o apoio à competitividade das nossas empresas locais são áreas vitais que exigem intervenção e investimento contínuo.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?

P-C.- Desde que assumimos os destinos do município, pautámos a nossa atuação por um rigor e transparência absolutos nas contas públicas. A situação financeira da Câmara Municipal é estável e sustentável. Temos conseguido reduzir os prazos de pagamento aos fornecedores, respeitando as empresas que prestam serviços à autarquia, e temos feito uma gestão criteriosa para aproveitar ao máximo os fundos comunitários disponíveis sem comprometer o equilíbrio financeiro do município.

J.A.-Qual o apoio que a câmara municipal presta às juntas de freguesia?

P-C.- As Juntas de Freguesia são a linha da frente do poder local e quem melhor conhece os problemas diários da população. Temos em marcha uma política de verdadeira proximidade, assente na delegação de competências acompanhada da respetiva transferência justa de recursos financeiros. Apoiamos técnica e financeiramente as pequenas obras, a limpeza dos espaços públicos e a manutenção dos caminhos rurais em todas as freguesias do nosso concelho, garantindo um desenvolvimento harmonioso em todo o território.

J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?

P-C.- Quero transmitir uma mensagem de confiança, trabalho e proximidade. Continuaremos a exercer as nossas funções com a mesma dedicação e empenho do primeiro dia, ouvindo as pessoas, resolvendo os seus problemas com celeridade e projetando um concelho de Figueira de Castelo Rodrigo mais próspero, atrativo e focado no bem-estar de todos. Podem continuar a contar com uma equipa que está no terreno, de portas abertas e ao serviço de todos os cidadãos.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?

P-C.- O Jornal das Autarquias presta um serviço público de grande relevância. A imprensa especializada é um pilar fundamental da nossa democracia, pois ajuda a escrutinar o poder local, partilha boas práticas e dá voz aos territórios, valorizando o trabalho de proximidade que muitas vezes não tem espaço nos grandes meios de comunicação nacional. Desejo-vos as maiores felicidades e a continuação de um excelente trabalho em prol do desenvolvimento e da divulgação do poder local.

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