Sónia Patrícia da Silva Ferreira Quintino
J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.C.-A valorização do sector primário e do turismo, em conjunto, é uma estratégia crucial para o desenvolvimento sustentável e para a nossa coesão territorial, criando sinergias económicas e sociais no concelho de Benavente.
A aposta na autenticidade dos nossos produtos e nas nossas tradições preserva aquele que é o nosso património cultural e natural, oferecendo a quem nos visita experiências genuínas e diferenciadas.
Procuraremos sempre criar uma procura directa por artesanato, gastronomia e produtos locais, numa valorização clara do nosso território, onde o que se pretende é criar condições para o turismo rural e de natureza, para que desta forma os nossos restaurantes e hotéis sejam parceiros nesta aposta e tenham as suas taxas de ocupação sempre altas.
J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.C.-A violência doméstica é crime público no nosso país. No entanto existem vários factores que dificultam a sua denúncia: o medo, o isolamento, o desejo de preservar a unidade familiar especialmente quando existem filhos, obstáculos materiais como o emprego ou alternativas habitacionais, o desconhecimento dos direitos e a falta de confiança em recorrer às instituições de apoio e ao sistema judicial.
Há que criar mecanismos de informação e de confiança para fazer passar esta mensagem, especialmente nas gerações mais novas, para que a evolução para a denúncia passe a ser uma coisa fundamental se infelizmente houver violência. É isto que tem de ser feito, não só a nível nacional, mas por todo o mundo.
J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.C.-Não pode ser um hábito, nem tão pouco uma excepção. Tal como já referimos, há que desmistificar a desculpa e abrir caminhos para acabar com o medo da denúncia. Os jovens hoje são e devem estar mais alertados para tudo isto e é por eles que esse caminho tem de começar a ser feito. Ninguém está acima de ninguém e a liberdade de cada um termina quando começa a do outro.
J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.C.-Na nova abordagem política e social que queremos aplicar ao nosso território, estamos já a identificar aqueles que são as efetivas carências, muitas delas já nossas conhecidas, mas queremos ter o retracto exato para avançar e definir novas medidas, novas abordagens para colmatar eventuais carências.
Certo, é de que não deixaremos ninguém sem apoio. Este, será um trabalho conjunto a fazer também com as diferentes instituições sociais do nosso concelho.
J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P.C.-Portugal historicamente foi sempre um país de imigrantes. Daí que tenhamos de saber receber os que aqui se querem constituir como cidadãos, trabalhar e cumprir com as regras da nossa sociedade. Os imigrantes são hoje parte integrante da nossa economia e importantes para muitos trabalhos associados ao sector primário.
Mas a imigração no nosso país também tem de estar sujeita a regras. Tal como os nossos concidadãos têm de cumprir as regras nos países onde se radicaram e lá construíram a sua vida, também em Portugal há que criar mecanismos para aplicar as nossas leis.
A regulação da entrada de estrangeiros no nosso país é fundamental para que não exista um crescimento demográfico descontrolado sem depois existir capacidade de resposta no Serviço Nacional de Saúde, na criação de emprego, ou colapsos da Segurança Social.
Aquilo que pensamos para o país é aquilo que pensamos para o concelho: crescimento demográfico sempre aliado ao desenvolvimento económico. Se assim não for, estaremos a criar um problema. E, defendemos uma integração com todas as condições para quem nos procura para trabalhar.
J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?
P.C.-A falta de habitação é uma questão que se coloca em inúmeros concelhos. Estamos de acordo com a orientação do Governo e no concelho de Benavente queremos implementar rapidamente um plano para aproveitar verbas já existentes e podermos reforçar o parque habitacional municipal, garantindo ainda habitação a custos controlados, rendas acessíveis e a reabilitação de inúmeros fogos. O nosso foco está em garantir habitação a quem precisa efetivamente, aos jovens e a todos aqueles que procuram o concelho de Benavente para viver e trabalhar.
J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais altos. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.C.-O aumento do custo de vida e acima de tudo dos bens essenciais, como a alimentação, pretende-se com vários fatores internos e externos. Em termos orçamentais o Governo tem vindo a aplicar algumas reduções, nomeadamente no IVA de alguns alimentos essenciais.
A Câmara Municipal de Benavente, através do seu serviço de ação social, em conjunto com instituições sociais, acompanha as necessidades básicas da população com eventuais carências alimentares.
J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.C.-O concelho de Benavente não tem problemas com derrocadas, felizmente. Temos uma geografia territorial muito plana, fruto dos nossos terrenos de aluvião, o que até nas intempéries nos facilita os escoamentos das águas. O nosso concelho não sofre com inundações e é preciso mesmo muita chuva para termos cheias, mas que não afectam o normal funcionamento das nossas urbes.
Por sermos um concelho com muitos campos agrícolas por todo o nosso território, a água é sempre bem-vinda para as culturas do ano seguinte.
J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.C.-A recolha de resíduos sólidos urbanos é uma das principais questões que temos de resolver. Herdámos uma situação desadequada às actuais necessidades do concelho. Equipamentos desajustados e muitos deles em fim de vida. Por outro lado, a circulação rodoviária, necessita igualmente da nossa atenção urgente, através da criação de vias alternativas que tirem o transito do centro, por exemplo, da cidade de Samora Correia.
A criação de novas vagas nos diferentes graus de ensino é uma questão fundamental que já estamos a tratar. Igualmente, o reforço da segurança no concelho.
Especial atenção, com grau de importância elevada, os novos desafios que o novo aeroporto de Lisboa nos vai colocar, pela implantação da cidade aeroportuária no nosso concelho de Benavente.
J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.C.-Estamos quase no final de um mês de trabalho e agora sim a ter um contacto mais apurado com as contas da autarquia. Já percebemos, no entanto, que há capacidade de investimento, mas vamos ter de imprimir uma nova dinâmica de gestão mais empresarial na Câmara Municipal de Benavente.
J.A.-Qual o apoio que a câmara municipal presta às juntas de freguesia?
P.C.-As Juntas de Freguesia são os nossos parceiros institucionais e assumem uma enorme importância, por exemplo, na identificação e na resolução dos problemas das nossas populações, pela sua maior proximidade aos nossos concidadãos.
É por isso fundamental que a Câmara Municipal tenha uma relação de excelência com as Juntas de Freguesia, descentralizando competências que as façam assumir um papel cada vez mais preponderante na nossa vida colectiva.
O apoio da Câmara Municipal é fundamental, em várias frentes, para que o trabalho aconteça de forma prestigiante para todos. Um bom trabalho desenvolvido pelas Juntas de Freguesia só melhorará o nosso território e a qualidade de vida da nossa população. Em suma, olhamos para as nossas 4 freguesias, como uma extensão da Câmara Municipal.
J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia
P.C.-À nossa população quero deixar uma mensagem positiva, de grande compromisso, afirmando que o concelho de Benavente é um território em movimento, que honrará as suas raízes ribatejanas ao mesmo tempo que apostará na inovação, na sustentabilidade e na qualidade de vida.
Valorizaremos a educação como base de uma cidadania ativa e responsável, e acreditamos que o desenvolvimento deve ser feito com equilíbrio, preservando o nosso património natural e cultural.
Vivemos um tempo de grandes oportunidades e de novos desafios. A concretização de projetos estruturantes para a região exigirá planeamento, determinação e visão estratégica.
Estamos preparados para encarar esse futuro com confiança, promovendo o crescimento económico, a coesão social e um modelo de mobilidade mais sustentável e eficiente.
J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.C.-O Jornal das Autarquias é um instrumento importante na divulgação do trabalho que realizamos, contribuindo activamente para o esclarecimento dos cidadãos e para a partilha de experiências e projetos entre as várias edilidades.