Jornal das Autarquias | Maio 2026 - Nº 223 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Sebolido

António Abílio da Rocha Lopes

António Abílio da Rocha Lopes

JA. - O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.--Sebolido, para quem desconhece, localiza-se sobre o nosso magnífico Rio Douro e Serra da Boneca, no concelho de Penafiel, distrito do Porto. Por si só, tendo em conta a sua localização geográfica, posso afirmar com toda a certeza que Sebolido é uma freguesia com enorme visibilidade para a atividade turística.
Realço não só o alojamento rural disponível ao longo de toda a freguesia, bem como a natureza, a história, o património, a gastronomia e a cultura que é possível observar ao longo de Sebolido.
É claro que não podia deixar de mencionar o Miradouro e Baloiço da Boneca que, nestes últimos tempos, têm trazido a esta freguesia um “mar de gente” que certamente não ficaram arrependidos das paisagens que observaram.
Em contrapartida, é necessário manter as tradições do setor primário, um setor igualmente importante e característico da nossa autarquia, o qual este executivo procura estar atento para corresponder a todas as necessidades.

J.A.- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.--Sinceramente, eu acho que nunca existirão medidas suficientes para combater este flagelo.
A violência é um “recurso” cada vez mais normalizado, do ambiente online, ao escolar, passando pelo social e pelo ambiente familiar.
No entanto, se melhorarmos a resposta e apoio prestado às nossas vítimas e tivermos uma resposta mais severa por parte do nosso sistema judicial, talvez seja possível atenuar e evitar muitas tragédias.

J-A.-Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.--É extremamente penoso vermos os nossos jovens a crescerem num ambiente social em que consideram que o recurso à violência é a solução mais fácil para qualquer questão, desde situações de namoro às situações ocorridas no quotidiano.
A correção destas mentalidades é um percurso longo e penoso, que deve ser iniciado em casa e trabalhado em ambiente escolar, social e mesmo online, para que as nossas crianças não cresçam a normalizar a violência em qualquer contexto das suas vidas.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.--Maior apoio financeiro para a área social, como no caso das associações que prestam apoio a idosos, a crianças e às pessoas desamparadas.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P.J.--Na freguesia de Sebolido, as pessoas serão sempre bem recebidas, olhando ao baixo nível depopulação que temos nos últimos anos, ficamos sempre na disposição de ajudar as pessoas quando elas chegam à nossa terra.
Relativamente às condições de trabalho é notório que as entidades patronais muitas
vezes se aproveitam das pessoas desesperadas, que chegam ao nosso país sem nada e à procura de uma vida melhor. Este aproveitamento da mão deveria ser corrigido de uma forma totalmente diferente, de uma forma muito mais severa, mas é um assunto complicado e que demorará muito tempo até ser melhorado.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
P.J.--Do meu ponto de vista e como cidadão, acho que o governo dá uma no cravo e uma na ferradura.
Os nossos jovens precisam de ter mais apoio, com o aumento das rendas, aumentos fiscais e baixos salários e/ou salários que não acompanham o aumento do estilo de vida e do mercado imobiliário é muito complicado arrendar e ainda mais complicado adquirir um local para morar.
O futuro dos nossos jovens está muito comprometido, se os nossos governos continuarem a pensar desta forma, deveria de haver um gesto de conforto, principalmente na área fiscal, para que os nossos jovens fiquem mais confortados e possam adquirir em vez de continuarem a arrendar.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.--Por mais boa vontade e desejo de ajudar que a nossa parte governativa tenha, nada pode ser feito quando tudo é manuseado por entidades privadas e que fixam os preços a seu bel-prazer.
Um maior controlo e fiscalização neste setor poderá ser uma mais valia para regular os preços dos produtos.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.J.--Reabilitando os terrenos e infraestruturas que foram danificadas, para que no próximo inverno estejam criadas as condições para suportar as intempéries.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.--Limpeza dos estragos causados pelas intempéries, tanto das tempestades, como dos incêndios que flagelam nossa freguesia.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.--A situação financeira encontra-se “saudável” e sempre muito controlada e ponderada, os requisitos cada vez são mais e as verbas são sempre as mesmas.

J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.--As Juntas de Freguesia recebem da Câmara Municipal os apoios possíveis e que se enquadram às necessidades especificas de cada uma das freguesias.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.--É sempre importante a existência de um órgão responsável pela voz dos autarcas de Freguesia que, no geral, são os que mais dedicam às suas populações, atendendo às suas necessidades e problemas. O Jornal das Autarquias tem vindo a efetuar este belo trabalho. Como tal, em meu nome e, certamente, em nome da Freguesia de Sebolido, um bem-haja a todos pelo vosso trabalho. Obrigado.

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