Jornal das Autarquias | Maio 2026 - Nº 223 - I Série

Entrevista à Presidente da Junta de Freguesia de Modivas

Sandra Marques

Sandra Marques

J.A.- O turismo e o setor primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.- Modivas tem uma forte ligação à terra, e o setor primário continua a ser um pilar da nossa identidade. Valorizamos este setor principalmente através da manutenção dos caminhos agrícolas. No turismo, o nosso foco é o turismo de proximidade e a preservação do património natural e edificado, aproveitando a nossa localização privilegiada e os espaços verdes que convidam a serem visitados.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.- Na Junta de Freguesia, acreditamos que a proximidade é a nossa maior arma. Apostamos na sensibilização constante (como fazemos no Mês da Prevenção dos Maus-Tratos) e na sinalização discreta de casos vulneráveis. É fundamental reforçar a articulação com o Município de Vila do Conde e as forças de segurança para garantir respostas rápidas de acolhimento.

J.A.- Esta situação está a tornar-se quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.- É uma realidade preocupante. Temos unido esforços com a comunidade escolar (EB1/JI de Modivas) para trabalhar a educação para os valores desde cedo. A prevenção da violência no namoro passa por desconstruir comportamentos de controlo digital e possessividade através de ações de consciencialização dirigidas especificamente aos nossos jovens.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas nessa autarquia?
P.J.- As populações mais vulneráveis de Modivas, especialmente os idosos isolados, necessitam de apoios diretos para a saúde e bem-estar. O Espaço Cidadão de Modivas e o Centro de Convívio Sénior são recursos vitais para facilitar o acesso aos serviços públicos sem deslocações. Contudo, seria importante dispor de mais verbas para fundos de emergência social local.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois de terem sido tomadas novas medidas? Qual a Vossa opinião?
P.J.- Modivas é uma terra de gente acolhedora. Recebemos quem chega com o intuito de trabalhar e integrar a nossa comunidade. A nossa opinião é que a imigração é necessária para a vitalidade económica, mas o Estado deve garantir que o processo de regularização seja acompanhado por condições dignas de habitação e acesso a serviços de saúde.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?
P.J.- A habitação é um desafio em todo o país e Modivas não é exceção. Vemos com bons olhos o reforço do parque público, mas defendemos que as freguesias devem ser ouvidas na reabilitação de imóveis degradados. É essencial fixar os jovens de Modivas na sua terra natal, e isso só se consegue com rendas acessíveis e novos projetos de construção controlada.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros estão cada vez mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.- O Governo deve intervir na regulação das margens de lucro dos grandes revendedores e reforçar os apoios diretos aos produtores locais para que os produtos cheguem à mesa com custos mais baixos. Para as famílias, a redução do IVA em bens essenciais e o controlo da inflação são medidas urgentes.

J.A.- Com as tempestades deste Inverno, como reagir com as inundações e derrocadas?
P.J.- A nossa resposta tem sido no terreno. Recentemente, em colaboração com a Câmara Municipal, avançámos com obras críticas de drenagem de águas pluviais, como na Travessa da Arroteia, para resolver problemas que se arrastavam há anos. A limpeza preventiva de sarjetas e valas é a nossa prioridade para evitar situações de risco.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.- A requalificação da rede viária e a modernização de infraestruturas, como o Pavilhão de Modivas (que já tem intervenção prevista), são prioridades absolutas para melhorar a qualidade de vida dos nossos fregueses.

J.A.- Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.- A situação financeira é estável, gerida com o rigor que a confiança depositada pelos Modivenses exige (reforçada com a vitória eleitoral expressiva em 2025). No entanto, as competências delegadas nas freguesias nem sempre são acompanhadas pelos recursos financeiros suficientes do Estado Central.

J.A.- Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.- Trabalhamos em estreita parceria com o Presidente Vítor Costa e a Câmara Municipal de Vila do Conde. Esse apoio traduz-se em protocolos de delegação de competências e em investimentos conjuntos em grandes obras, como a requalificação de ruas e melhoria de espaços públicos.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.- O Jornal das Autarquias tem desempenhado um papel fundamental na valorização do poder local. Ao dar voz a freguesias como a de Modivas, ajuda a aproximar os cidadãos das decisões políticas e a divulgar o trabalho invisível, mas essencial, que os autarcas fazem diariamente. Parabéns pelo vosso percurso de quase duas décadas.

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