Manuel Pereira
J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
PUF- O Turismo é, na região de Baião, um setor valorizado por excelência. No Gôve, estamos a trilhar o nosso próprio caminho. Temos vários pontos de interesse que queremos valorizar e promover cada vez mais: o Baloiço de Toarás, um equipamento em plena natureza que oferece paisagens incríveis; o nosso Miradouro da Portela do Gôve, com uma vista deslumbrante sobre o Douro; as nossas capelas centenárias, os alojamentos locais e a gastronomia regional. São motivos mais do que suficientes para visitar o Gôve. Aliado a tudo isto, estão as nossas gentes, que sabem tão bem receber e mostrar o que de melhor temos para oferecer.
J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
PUF- A violência doméstica é algo que nos preocupa profundamente enquanto sociedade. Todos, cada um à sua maneira, podemos e devemos contribuir para a erradicação deste crime. Na autarquia, estamos a promover o apoio às famílias, seja através de auxílio financeiro ou logístico. É um apoio que não divulgamos, não fazemos dele "bandeira", mas sentimos que pode, efetivamente, melhorar a vida das pessoas. O facto de vivermos numa zona mais ruralizada ainda permite a persistência da velha máxima "entre marido e mulher, ninguém mete a colher", um paradigma que temos de ultrapassar urgentemente. A violência física, e sobretudo a psicológica, preocupa-nos muito. Comprometemo-nos a estar atentos e a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir para a diminuição deste flagelo.
J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
PUF- De facto, esta situação é alarmante. Não é aceitável permitir que os jovens normalizem este tipo de comportamentos desde cedo. A comunidade escolar tem aqui um papel decisivo, mas nós, autarquias, também devemos fazer a nossa parte. Devemos promover e apoiar ações de sensibilização que cheguem à rua e às casas, falando com os jovens e as famílias para alertar sobre estes sinais. Em comunidades como a nossa, este deve ser um trabalho conjunto e contínuo entre as escolas e a autarquia, um trabalho sigiloso, mas incisivo. É preciso combater o flagelo antes de ele se instalar, mas garantindo que estamos sempre ao lado da vítima quando o pior acontece.
J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
PUF- Estamos numa terra onde a agricultura ainda garante alguma subsistência e onde a rede de vizinhança é forte nos momentos difíceis. Contudo, não somos alheios às dificuldades socioeconómicas que se vivem no país. Os idosos precisam de mais apoio, nomeadamente para a compra de medicamentos; conhecemos casos de pessoas que, com as suas reformas, não conseguem suportar os custos da medicação de que precisam. Além disso, o mau tempo de fevereiro causou estragos significativos. Muitas famílias ainda não conseguiram recuperar dos danos nas suas casas e campos. Esta é uma terra de gente trabalhadora, mas o aumento do custo de vida faz com que, por vezes, o dinheiro não chegue para os bens de primeira necessidade.
J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
PUF- A comunidade imigrante é bem-vinda, desde que chegue de forma legal e honesta. Tal como os nossos, quando emigram em busca de melhores condições de vida, queremos que estes cidadãos sejam bem recebidos, respeitados e valorizados. Contudo, concordo que a imigração deve ser devidamente regularizada; é essencial conhecer quem acolhemos e as suas intenções. No Gôve, antes de emitirmos qualquer atestado de residência, temos o cuidado de realizar as diligências necessárias para confirmar que estamos perante pessoas de bem, que procuram apenas dignidade e futuro para as suas famílias.
J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
PUF- Esta nova estratégia representa uma mudança de paradigma essencial, pois substitui uma lógica de restrição por uma política de confiança. Ao focar-se no estímulo direto à oferta, através da redução da carga fiscal (como o IVA a 6% e as isenções para jovens) e da eliminação de entraves burocráticos, o Governo cria as condições para que se construa mais em Portugal. Esta abordagem é pragmática porque reconhece que a crise só se resolve com um mercado fluido, onde o Estado atua como facilitador e não como obstáculo, permitindo que as famílias e os investidores recuperem a previsibilidade necessária.
J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
PUF- A estratégia mais eficaz passa por proteger o poder de compra sem alimentar o ciclo inflacionário. O caminho ideal foca-se no reforço do rendimento disponível das famílias, através da descida contínua do IRS e de apoios diretos aos grupos mais vulneráveis. Paralelamente, é fundamental que o Governo atue nos custos de produção, controlando a carga fiscal sobre a energia e combustíveis para evitar o "efeito contágio" nos alimentos, reforçando simultaneamente a fiscalização das margens de lucro na grande distribuição para garantir que estas descidas chegam, de facto, à carteira dos consumidores.
J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
PUF- No Gôve, priorizamos a manutenção preventiva, como a limpeza rigorosa de aquedutos e valetas. Ao assegurar que as águas circulam sem obstruções, evitamos a saturação dos solos que provoca derrocadas e inundações. Este trabalho, aliado a uma gestão florestal forte, é crucial para a estabilidade das encostas. Esta manutenção contínua torna a freguesia mais resiliente, protegendo pessoas e bens, e reduzindo drasticamente a necessidade de intervenções de emergência, que são sempre mais dispendiosas.
J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia
PUF- A prioridade absoluta recai sobre a funcionalidade e preservação do território. A limpeza sistemática de ruas e caminhos é vital para o bem-estar e mobilidade da população. Este cuidado é indissociável da inventariação dos caminhos públicos, uma medida estratégica para travar a perda de património comum. Outra necessidade inadiável é a criação de um parque de estacionamento digno para o nosso cemitério, conferindo respeito e conforto à população em momentos de recolhimento. Por fim, estamos focados na modernização administrativa da Junta, eliminando burocracias para tornar o atendimento mais ágil, digital e próximo do cidadão.
J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
PUF- A nossa situação financeira é saudável. Existem obras que transitaram do mandato anterior que estamos a assumir com responsabilidade. Felizmente, temos conseguido dar resposta a todos os desafios e mantemos a capacidade de realizar investimentos que consideramos absolutamente necessários para o desenvolvimento da freguesia.
J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
PUF- A Câmara Municipal de Baião coopera connosco de forma contínua. Recebemos anualmente uma verba para investimentos e, através de um diálogo próximo, discutimos as obras estruturantes necessárias no nosso território. Além disso, os acordos de delegação de competências permitem-nos cooperar ativamente para melhorar a vida da população. Temos o privilégio de ter uma Presidente de Câmara que é "do terreno", que conhece de perto a realidade e as necessidades das nossas gentes.
J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
PUF- O Jornal das Autarquias é uma plataforma de extrema importância, consolidando-se como um elo de ligação vital entre o poder local e os cidadãos. É de louvar o seu papel na valorização do trabalho das freguesias e municípios, oferecendo uma montra de excelência para a partilha de boas práticas e projetos que, de outra forma, poderiam ficar limitados a cada localidade.