Jornal das Autarquias | Março 2026 - Nº 221 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Brasfemes

Paulo Santos

Paulo Santos

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.-Sim, sendo Brasfemes uma Freguesia rural, sem dúvida que o setor primário é muito valorizado nesta autarquia. Relativamente ao Turismo, a criação em 2025 de 2 rotas turísticas (Rota da Água e da Pedra; Rota das Orquídeas), são o exemplo de que o turismo também é valorizado nesta autarquia. A Feira Gastronómica que realizamos anualmente no início do mês de junho e que, neste ano de 2026 vai para a sua 23ª edição, é um evento que envolve todas as nossas Associações e que também traz muitas pessoas à Freguesia de Brasfemes, promovendo a nossa gastronomia.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.-No meu entender, uma das medidas que deverá ser implementada para atenuar o flagelo da violência doméstica, passará pela sensibilização junto das escolas para este tema. Outra das medidas, passa pelas Juntas de Freguesia (enquanto entidades de maior proximidade junto das populações), as quais deverão estar atentas na identificação de potenciais casos sociais que possam mitigar o flagelo da violência doméstica.

J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.-Como referi anteriormente, se nas escolas este tema tiver o devido tratamento, seja através de ações de sensibilização, seja através de acompanhamento de crianças/jovens que tenham vivenciado esse tipo de situações no seu seio familiar, acredito que no futuro esse “hábito” tenda a desaparecer.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.-As populações mais enfraquecidas nesta Freguesia necessitam de apoios mais ao nível de alimentação e despesas correntes (água e eletricidade). Felizmente, não são muitos os casos, no entanto, os que conseguimos identificar têm o devido tratamento, minimizando as carências das respetivas famílias.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P.J.-Tendo consciência de que este é um assunto muito sensível, na minha opinião, encaro a chegada de imigrantes ao nosso País como um fator positivo, desde que seja bem controlada e porque acredito que a maioria dos que pretendem vir para o nosso País, procuram uma vida melhor e mais digna (à semelhança do que aconteceu com muitos Portugueses no passado). Face à dificuldade que as nossas empresas têm em recrutar mão de obra, a imigração veio ajudar a colmatar essa carência.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
P.J.-Sem dúvida que a construção de habitação a custos controlados é uma das medidas que deverá ser implementada o quanto antes, de forma a controlar os preços dos imóveis e torná-los acessíveis para a grande maioria dos jovens Portugueses.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.-Infelizmente, os aumentos salariais em Portugal não têm acompanhado o aumento do custo de vida (essencialmente os preços dos bens alimentares). Na minha opinião, o cabaz alimentar essencial deveria ter uma redução no IVA ou até mesmo isenção em alguns dos bens. Sei que essa medida por si só poderá não ser eficaz, porque existe sempre o risco dos preços acabarem por não baixar. No entanto, aliando a essa medida o controlo do preço máximo do bem, acredito que já melhoraria em muito a sua eficácia.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.J.-A reação às inundações só pode ser uma, primeiro proteger e salvaguardar as vidas humanas e depois sim, tentar proteger ao máximo os bens materiais. Contudo, sou da opinião de que cada vez mais não devemos ficar à espera para reagir e sim trabalhar na prevenção. Com as alterações climáticas que temos vindo a assistir, este tipo de fenómenos irá ocorrer com cada vez mais frequência, sendo imperativo que as entidades responsáveis encarem o futuro com maior e melhor prevenção, não ficando à espera do que aconteça e de se lamentarem dos infortúnios.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.-Os problemas mais prementes na Freguesia de Brasfemes e que na minha opinião necessitam de uma rápida intervenção, são as acessibilidades (requalificação e criação de novas vias de comunicação) e o ambiente (criação de um ponto específico controlado para o depósito de monos).

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.-Felizmente, a situação financeira da Freguesia de Brasfemes está estável e controlada. É certo de que gostaríamos de ter mais recursos para conseguir melhorar ainda mais a qualidade de vida dos fregueses de todas as localidades da nossa Freguesia. Não sendo possível, vamos priorizando as nossas intervenções em função daquilo que consideramos ser mais urgente.

J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.-A Freguesia de Brasfemes no ano de 2026 irá receber da Câmara Municipal de Coimbra o valor de 217.440,40€, dos quais 133.016,25€ relativos a contratos interadministrativos (obras e infraestruturas municipais; faixas de gestão de combustível; apoio ao funcionamento e manutenção de calçadas) e 84.424,15€ relativos a autos de transferência de competências (gestão e manutenção de espaços verdes; limpezas de vias e espaços públicos; manutenção, reparação e substituição de mobiliário urbano; pequenas reparações nos estabelecimentos escolares e manutenção dos espaços envolventes aos estabelecimentos escolares).

J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?
P.J.-Antes de mais quero que a população continue a confiar na nossa capacidade de trabalho e de resolução de problemas, à semelhança do que aconteceu com os Executivos anteriores. Sabemos que não iremos conseguir resolver tudo, porque os recursos financeiros são escassos e existirá sempre algo a melhorar. No entanto, procuraremos sempre fazer o melhor em prol da Freguesia de Brasfemes e estaremos sempre abertos ao diálogo com todos os fregueses.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.-Considero que o Jornal das Autarquias tem um papel muito importante na divulgação daquilo que é o papel das Autarquias Locais (Juntas de Freguesia em especial), desejando votos para que continuem esse meritório trabalho por muitos e bons anos.

Go top