JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Fevereiro 2018 - Nº 124 - I Série - Alentejo

Alentejo

Luís Carlos Piteira Dias

Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas

Luís Carlos Piteira Dias

J.A.- Tendo havido alteração nos resultados eleitorais autárquicos de 2017, o que pensa sobre isso?
P.C.- Depois de quatro anos de um primeiro mandato bastante preenchido e deveras exigente, seguiu-se também uma campanha eleitoral desafiante nas ruas, mas onde fomos bem acolhidos e onde entendemos que a nossa mensagem e os nossos projetos tinham sido bem compreendidos pelos eleitores. A prova de que acreditavam no nosso trabalho concretizou-se no voto, tendo o Partido Socialista alcançado os melhores resultados de que há memória no nosso Concelho, com a eleição de 5 mandatos à Câmara Municipal. Estes resultados dão ainda mais responsabilidade e coragem para enfrentar o desafio da gestão autárquica de um Concelho que nos é tão querido – Vendas Novas.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.C.- Este orçamento de estado foi feito a pensar nas pessoas, nas suas famílias e na devida restituição de alguns dos rendimentos que haviam perdido em períodos de crise pelos quais Portugal passou. O orçamento para este ano terá mais escalões de IRS, as carreiras na administração pública serão descongeladas e haverá ainda outro aumento extraordinário de pensões, bem como o alargamento a mais beneficiários do Complemento Solidário para Idosos, questões que só nos podem deixar satisfeitos e que nos fazem encarar o futuro com mais positivismo e determinação. Pena ainda o incumprimento da lei das finanças locais, mas estamos certos de que haverá também neste patamar e nos próximos orçamentos de estado um aumento das verbas a afetar para o cumprimento do nosso serviço público.

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.C.- Obviamente que tragédias como as que se viveram este ano em regiões como Pedrógão Grande ou Góis, e que resultaram em inúmeras vítimas mortais, devem ser objeto da nossa profunda ponderação, análise e da tomada de medidas imediatas para que não se voltem a repetir. Mais do que o relatório e o óbvio apuramento dos factos, urge agir. Exigem-se soluções para um problema que se arrasta há décadas – a gestão florestal. Na sua mensagem de Natal, o Dr. António Costa, Primeiro-Ministro, frisou o “compromisso de fazer tudo o que tem de ser feito para prevenir e evitar, naquilo que é humanamente possível, tragédias como as que vivemos”, através da melhoria da “prevenção, o alerta, o socorro e a capacidade de combater as chamas”. Parece-me que o reordenamento do território será a peça chave para melhorias neste sector e revejo-me inteiramente no discurso do Sr. Primeiro-ministro.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.- Penso que os dados do corrente ano apontam sim para taxas de desemprego melhores do que a média da zona euro. Assistimos em Portugal ao surgimento de uma taxa de desemprego abaixo da média histórica, com o registo de maio de 2017, por exemplo, já manifestamente inferior à média dos últimos 19 anos. São claros os sinais de que há uma marca positiva na economia nacional, no investimento e dinâmicas empresariais e, consequentemente, nos níveis de empregabilidade e na estabilidade financeira da população.
No nosso Concelho em particular, temos desenvolvido uma série de estratégias de fixação de novos negócios, com o surgimento da nossa incubadora de empresas, a “StartUp Alentejo – Vendas Novas empreende”, que viu nascer novos projetos e “deu a mão” a empresas que quiseram ver desenvolvido o seu trabalho aqui no Alentejo.
As apostas que temos feito têm surtido o efeito que desejávamos no estímulo à economia local. Um dos casos que consideramos de maior sucesso está relacionado com a indústria farmacêutica, em particular com a empresa Kimisciences - Pharmaceuticals Manufacturing, Lda, que começou por ser incumbada na nossa StartUp, para depois “dar o salto” e aumentar o seu negócio, fixando-se no nosso Parque Industrial, também ele cada vez mais dinâmico. São excelentes notícias as que damos neste patamar.
Podemos dizer que atualmente no encontramos próximos de uma situação de pleno emprego, o que nos satisfaz bastante.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.- Esta é, de facto, uma questão preocupante a nível nacional e à qual não devemos ficar indiferentes. A violência doméstica e todos os constrangimentos que dela advêm carecem de políticas que possam ser eficazes e eficientes. Em momentos anteriores e mesmo no decurso do último mandato, implementámos uma corrida solidária, a Night Run Seaside, que vai já na sua quinta edição e que tem como objetivo o apoio e a valorização da mulher. A APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, foi uma das instituições já beneficiadas. Só estes gestos e medidas em conformidade poderão combater este flagelo que assola a nossa sociedade.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.C.- Esta franja etária da população, por ser mais frágil, carece efetivamente de uma maior atenção e de mais medidas que possam alavancar o seu parco rendimento. Desta feita e para além da entrega do cabaz solidário, política que não abandonámos pela efetiva importância e peso no seio da comunidade, levamos a cabo a comparticipação dos medicamentos aos idosos mais carenciados. Anualmente, procedemos também ao passeio convívio de aposentados, que acaba por ser um momento de festa para quem está confinado à solidão e a par de todas estas medidas, tutelamos uma Academia Sénior e projetos de proximidade junto destes cidadãos. Estar perto é fazer a diferença. Estamos ainda a estudar a atribuição do 15º. Mês aos idosos mais carenciados, projeto este que poderá vir a ser mais uma capacitação dos que efetivamente menos recursos disponíveis tem. Espera-se que este projeto venha a ser concretizado durante este mandato autárquico.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- Neste momento, consideramos que o maior problema acaba por estar relacionado com a questão da habitação social. Apesar de já termos conseguido requalificar alguns fogos habitacionais, a lista de espera ainda nos preocupa bastante. É um direito que infelizmente nem a todos ainda assiste, mas no que a nós diz respeito, todos os esforços continuarão a ser reunidos no sentido de minimizar este drama.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Tudo o que se relacione com o bem-estar das pessoas será sempre alvo da nossa preocupação e será sempre nessa direção que se desenvolverá a nossa ação. Continuaremos uma política na senda de investirmos nas pessoas e na sua qualidade de vida. Para além de toda a atuação nas áreas da educação, cultura, desporto e economia, desenvolveremos ainda um franco investimento nas infraestruturas e nas vias de comunicação por condicionarem a mobilidade de pessoas e bens.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?
P.C.- Queremos continuar a amar esta terra e sentimos que não estamos sozinhos neste projeto. Desde que assumimos funções, vimos nos rostos das pessoas a confiança que haviam perdido no futuro desta terra. Após os últimos resultados eleitorais, vimos essa confiança renovada, o que nos deixa bastante felizes, mas também e como já afirmei, com uma responsabilidade acrescida. A vida é feita de desafios e continua a ser bastante gratificante todo e qualquer dia à frente dos destinos deste Concelho. Tem sido um processo de constante aprendizagem, uma verdadeira escola.
O futuro será trilhado a par e passo, mas a nossa visão para este mandato assenta em seis eixos estratégicos e transformadores – tornar Vendas Novas:
Solidária e Inclusiva
Apelativa e Renovada
Bonita e Convidativa
Acessível e Segura
Dinâmica e Jovem
Desenvolvida e Empreendedora

E por aqui se regerá a nossa ação, o nosso trabalho. É esta terra que nos move e as gentes de cá.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- As dificuldades ainda existem. Apesar de termos levado a cabo uma gestão controlada e apesar de termos consolidado as contas e “limpo” a imagem deste Município face a fornecedores e parceiros, é óbvio que não vamos passar a ser mais despesistas ou a “embarcar” em políticas megalómanas. Projetar o futuro é pensar nas pessoas. E quando se pensa nas pessoas, não se pensa em obras de betão, quais “elefantes brancos”. Pensa-se na proximidade, num apoio direto e facilitador à vida das famílias. O rigor continuará a imperar na nossa conduta e na gestão corrente desta Câmara, enquanto aqui estivermos, disso estamos certos.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- Anualmente são estabelecidos contratos interadministrativos de delegação de competências com as duas juntas de freguesia que fazem parte do nosso Concelho, nomeadamente com a de Vendas Novas e com a nossa freguesia rural, Landeira. Nesses contratos e para além da concessão de uma verba anual, são ainda disponibilizados recursos humanos, patrimoniais e materiais necessários à execução de algumas das competências delegadas, como sejam a limpeza das vias e espaços públicos (varreduras), sarjetas e sumidouros, entre outras atividades. A relação estabelecida com as duas freguesias que temos no nosso Concelho tem sido bastante profícua, sendo que são presença e parceiros constantes nas diversas iniciativas que levamos a cabo. Assim é mais fácil trabalhar – em equipa.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Que continuem connosco, dia-a-dia, a fazer e a querer mais e melhor para o nosso Concelho. Sem o seu espírito crítico, sem as suas sugestões, sem projetos comunitários como o Orçamento Participativo, não é possível auscultarmos as suas verdadeiras necessidades e aspirações para Vendas Novas. Queremos também continuar a dar-lhes sinais para que encarem o futuro com um sorriso. Estamos convosco. E tem sido fantástico, falando agora em nome próprio, encabeçar um projeto desta envergadura – servir os vendasnovenses. Esperamos continuar à altura do desafio.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- Temos de ter rigor em toda e qualquer gestão. Às vezes temos de nos multiplicar para o desempenho dos diferentes papéis que temos na vida – ora enquanto pai, presidente da câmara, amigo e tantas outras facetas dos nossos dias. Só com uma boa gestão de tempo é que conseguimos chegar a todo o lado e responder a todas as solicitações. Se bem que é uma tarefa difícil, mas tento arranjar um pouco de tempo para tudo. Porque tem mesmo de existir na nossa vida um equilíbrio.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Começo por agradecer a oportunidade que este veículo dá aos autarcas, no sentido de terem aqui um meio de comunicação com a sua região e com o país. Que continuem o seu trabalho na divulgação daquilo que os diferentes Concelhos vão fazendo e que tanta importância tem, por ser um trabalho junto, para e com os concidadãos. Que continuem a ser a voz do poder local autárquico e a reger-se pela isenção e transparência. Bem hajam!

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