JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Outubro 2018 - Nº 132 - I Série - Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço

Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Arruda dos Vinhos

Fábio Morgado

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A Freguesia de Arruda dos Vinhos tem as condições endógenas para o desenvolvimento do Turismo, atendendo a vertente eminentemente rural num mix perfeito com a vertente urbana. Com um património histórico e natural únicos na Região do Oeste e de Lisboa, Arruda dos Vinhos tem ainda a vantagem de se encontrar a 15 minutos da capital, onde qualquer pessoa pode encontrar a comunhão perfeita de paisagens campestres e a calmaria. Quanto ao sector primário, o mesmo é um dos centros nevrálgicos da nossa vila, e não é por acaso que Arruda é dos vinhos. Ao longo dos últimos anos temos assistido a um incremento da produção vitivinícola na nossa freguesia e a um aumento da qualidade dos nossos vinhos, algo que nos enobrece, sendo um cartão de visita aos que vêm visitar este Vale Encantado. Em suma, temos fortes argumentos que nos distinguem num mercado cada vez mais competitivo.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- Arruda dos Vinhos é hoje um dos concelhos do País com uma baixa taxa de desemprego, algo que se reflete na nossa freguesia e que se estende a outros indicadores como o da pobreza. Apesar do cenário que se pode considerar satisfatório, consideramos que há ainda bastante trabalho pela frente para continuar a reduzir carências socioeconómicas na nossa área de atuação. Nesse sentido, lançámos um programa de apoio aos mais vulneráveis com a atribuição do “Cabaz Social da Freguesia”, o qual visa colmatar uma ausência de resposta quanto à atribuição de bens de higiene.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- A violência doméstica é um problema que tem conhecido um aumento, mas o mesmo se deve ao facto, salvo melhor opinião, do crescente foco mediático que estes casos têm tido nos últimos tempos. Se antes imperava a expressão “entre marido e mulher não se mete a colher”, hoje a sociedade está mais desperta para este fenómeno e mais capaz de agir, atendendo as diversas campanhas de sensibilização e todo o esforço que tem sido feito para minorar um problema grave da nossa sociedade. Apesar dos esforços levados a cabo, continua a ser preocupante verificar que os números continuam demasiado altos numa sociedade que se diz progressista e moderna, faltando uma política de combate a este tipo de crimes conectada com a educação.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- A sociedade tem vindo a sofrer grandes mutações com o advento da globalização. Hoje em dia, todos nós temos informação na ponta dos dedos, podemos fazer opinião nas redes sociais e assistir a todo o tipo de programação, sem filtros, algo que coloca um sério desafio sobre que tipo de informação influencia hoje a juventude dos nossos tempos. Poderemos sempre ligar a delinquência infantil a um meio socioeconómico mais desfavorecido, mas isso seria uma falácia, atendendo que nem todos os delinquentes provêm de famílias de estratos mais baixos. Sinceramente, uma das partes que influencia esta questão é a mudança das bases educacionais dos progenitores, seja fruto da aposta numa carreira exigente, seja por disfuncionalidade ou pressões sociais variadas, os jovens têm uma maior tendência para encetar comportamentos de risco. Importa preparar as famílias e as comunidades para as novas realidades e para compensar o dia a dia cada vez mais exigente e desgastante.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Não posso concordar com tal afirmação. Os crimes violentos e a criminalidade em geral têm diminuído ao longo dos últimos anos segundo as estatísticas conhecidas. Há ainda uma fronteira moral que se torna por vezes esbatida mas que ainda sobrevive apesar de fenómenos televisivos que levantam questões sobre até onde vai a fronteira da liberdade de expressão.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A freguesia de Arruda dos Vinhos tem assistido, com o aumento da população, a um rejuvenescimento, o que não quer dizer necessariamente que se deva olhar para o lado no que respeita ao apoio aos nossos cidadãos seniores. Além das iniciativas promovidas pelo Município de Arruda dos Vinhos, através da Universidade das Gerações, projeto fundamental para motivar os nossos séniores a aprenderem mais e a terem um papel interventivo na sociedade, e da Teleassistência, programa que já permitiu salvar uma vida no nosso concelho, a Junta de Freguesia já promoveu o apoio do preenchimento da declaração de IRS no atual ano de 2018, iniciativa muito direcionada para os seniores que têm claras dificuldades no que às novas tecnologias diz respeito, e ainda promoveu um passeio cultural à vila de Cascais, cuja aderência foi assinalável. Iremos procurar desenvolver todos os programas necessários para a melhoria da qualidade de vida dos nossos seniores, em conjugação com o Município, o qual tem feito um trabalho de excelência neste campo.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Numa freguesia que tem conhecido um crescimento exponencial um dos grandes problemas que hoje enfrentamos é a oferta de habitação, a qual se começa a tornar escassa face à elevada procura. Este é um assunto que merece a nossa preocupação atendendo que os preços praticados são inacessíveis aos jovens em início de carreira, os quais são obrigados a manterem-se em casa dos pais ou a partir para outras freguesias, impossibilitando assim o rejuvenescimento populacional. Outra questão que tem vindo a ser uma preocupação crescente prende-se com o Ambiente e a melhor forma de o preservar, sendo esse um desígnio que nos deve ocupar enquanto autarcas atendendo a herança que queremos deixar para as futuras gerações. A conclusão do saneamento básico, a aposta nas energias renováveis e na sustentabilidade dos serviços bem como a eliminação de aplicação de produtos fitofarmacêuticos são desafios a ter em conta no presente.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Existem diversos desafios que necessitam sempre de intervenção, já que muitos problemas acabam por ser cíclicos. Um exemplo paradigmático é a constante necessidade de beneficiação da rede viária, fundamental para que sejam asseguradas as vias de comunicação intra e inter freguesias, ou a manutenção de espaços verdes.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do freguesia?
P.J.- As perspetivas são excelentes. A freguesia de Arruda dos Vinhos tem tido um crescimento a todos os níveis assinalável. Com a nova oferta de proporcionada com o Parque das Rotas, a aposta num cartaz cultural diversificado, o apoio constante ao movimento associativo e ao tecido económico da local, e a aposta em serviços diversificados e mais próximos dos cidadãos leva a concluir que estamos afirmados em continuar a melhoria da qualidade de vida dos arrudenses.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Pouco tempo depois da entrada deste novo elenco executivo, a Junta de Freguesia procedeu a uma renovação de imagem institucional, tendo sido criado o slogan “Juntos fazemos Arruda viver” e é isso que tento sempre passar a todos aqueles que vão a reuniões e eventos, a união é essencial para que o trabalho seja efetivo e eficiente. É com este sentimento de união e espírito de total abertura para com todos os fregueses da nossa freguesia que sentimos que aqui é o sítio ideal para investir, seja num projeto familiar seja na criação de empresa ou de um negócio.

J.A.-Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira atual é positiva, após um processo executivo por dívidas à Caixa Geral de Aposentações desde o ano de 2000 e que culminou no acordo de pagamento celebrado entre esta Junta de Freguesia e a Autoridade Tributária já no decurso do atual mandato. Apesar da situação financeira estável, não poderei deixar de aproveitar esta oportunidade para referir uma realidade que afeta grande parte das juntas de freguesia do nosso País, especialmente aquelas que não se encontram em grandes centros urbanos, nomeadamente, a falta de recursos financeiros para fazer face às necessidades das populações e cumprir exemplarmente todas as suas competências. Há uma disparidade abismal no que ao financiamento das freguesias diz respeito e uma necessidade clara de rever os critérios de atribuição de fundos às autarquias locais, pois cada freguesia é um caso, e não se pode ter a pretensão de definir qual a verba a atribuir a nível estatal apenas pela área e população residente na referida freguesia.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos é um parceiro de excelência da atuação da Junta de Freguesia. Além da atribuição de verbas, meios humanos e materiais através dos contratos interadministrativos de delegação de competências, o nosso município está sempre disponível para ajudar em todos os aspetos práticos da nossa atuação diária. É um entendimento das equipas que lideram os órgãos autárquicos deste concelho de que a união faz a força e a capacidade de resposta às populações é largamente melhorada quando todos trabalham com um objetivo comum de dar a melhor resposta aos problemas de todos os cidadãos.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- A mensagem é simples, “Juntos Fazemos Arruda Viver”.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- A gestão por vezes é complicada. Apesar do projeto familiar ainda não se encontrar em andamento, o grau de compromisso e responsabilidade quando se assume um cargo autárquico é total e isso implica prescindir de algum tempo da vida pessoal, a qual por vezes se mistura tantas vezes com a vida política e autárquica. Contudo, a satisfação que se obtém de trabalhar em prol de uma comunidade com a possibilidade de fazer a diferença para o bem comum é bastante recompensadora e gratificante.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Gostaria de desejar os maiores sucessos a toda a equipa que compõem o Jornal das Autarquias, um projeto fundamental para a divulgação no desígnio de Abril que foi um Poder Local forte, independente e próximo, do trabalho que por vezes não chega aos meios de comunicação comum e que importa dar a conhecer para saber o que de melhor se faz pelas autarquias do nosso País.

Fábio Morgado

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