JORNAL DAS AUTARQUIAS

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Dezembro 2018 - Nº 134 - I Série - Setúbal

Setúbal

Mensagem do Presidente da Câmara Municipal de Sines

Nuno José Gonçalves Mascarenhas

O ano de 2019 será um ano decisivo para a preparação do concelho de Sines para o futuro. A par do muito que já vem sendo realizado, terão início nesse ano um conjunto de intervenções de reabilitação urbana que dotarão a cidade e o concelho de melhores infraestruturas para vencer os desafios contemporâneos e, sobretudo, contribuirão para devolver o espaço público aos cidadãos, estimular uma maior aproximação aos serviços e ao comércio local, bem como a criação de condições para o reforço das relações de vizinhança.
Para o quadriénio 2018-2021 apresentámos um conjunto ambicioso de objetivos e reafirmámos que a conquista da estabilidade financeira do Município permitiria a prossecução de uma estratégia de futuro, integrada e inclusiva, no centro da qual estão as pessoas.
Iniciaremos em 2019 importantes realizações de valorização da cidade. Desde logo, destaco o arranque das obras da Rua Marquês de Pombal. A qualificação de que vai ser alvo não só devolverá um espaço público mais acessível, mais confortável e mais moderno, como reforçará a vocação comercial daquela importante artéria. Seguidamente a intervenção estender-se-á à Praça da República.Este conjunto urbano, central no quotidiano e para a funcionalidade urbana, trará uma nova vida à cidade.
A requalificação do Mercado Municipal segue exatamente a mesma linha. A continuada degradação de um edifício simbólico da cidade, tão importante do ponto de vista da satisfação das necessidades de toda a comunidade, exige um investimento significativo que visa, precisamente, dotar o Mercado Municipal das condições necessárias para que volte a ser um polo de atração dos consumidores e um elo da identidade local. Nada melhor do que um Mercado Municipal atrativo para ser a montra do que de mais genuíno Sines tem? O Mercado Municipal, deve ser a principal montra dos produtos do Mar de Sines, valorizando os nossos saberes tradicionais relacionados com a pesca, e por isso mesmo vamos dotá-lo de um novo modelo de gestão que visa devolver-lhe proximidade à comunidade e afirmá-lo como um ativo turístico.
O centro histórico de Sines dispõe de um conjunto de património edificado muito significativo, sendo também umlugar de memórias e de histórias, de elementos identitários do ‘ser siniense’ que precisamos de ter presentes, e viver, em cada dia. O Centro Recreativo Sineense será reabilitado e nele passará a funcionar o Posto de Turismo e o Espaço dos Escritores de Sines. Mas todo o centro histórico constituir-se-á como uma rota, essencialmente pedonal, desde as agora musealizadas Fábricas Romanas até aos Antigos Armazéns da Ribeira. Nestes centenários edifícios nascerá o Observatório do Mar, um equipamento interativo dedicado à nossa experiência Atlântica e à figura maior de Vasco da Gama. Este percurso, no qual serão reabilitados diversos troços e arruamentos e no qual nascerá uma comunicação entre a Rua Vasco da Gama e a Rua da Igreja da Nossa Senhora da Salas, criará um corredor urbano que terá um papel turístico relevante, mas que se constituirá, igualmente, como um espaço de vivência urbana para todos os residentes.Desta rota poder-se-á ainda descer para a frente marítima, onde nascerá uma Reserva Arqueológica Subaquática que, virtualmente ou através de mergulho, proporcionará a experiência única de observar achados de tempos longínquos que as águas da nossa costa escondem submersos.
Pretendemos, ainda, empreender uma vasta valorização de toda a envolvente dos Armazéns da Ribeira, em articulação com a APS e a Capitania do porto. Estamos também a negociar com o Estado a gestão da Quinta de Santa Isabel, equipamento que necessita de ser recuperado e devolvido à cidade, nomeadamente desempenhando funções culturais e turísticas.
A par deste nosso investimento na revitalização da cidade, decorrerá um conjunto de intervenções de manutenção e de qualificação dos espaços urbanos nos bairros e em diversas zonas residenciais, bem como nos espaços verdes e outros espaços de lazer e recreio. Entre estas destacar-se-á a intervenção faseada no Parque de Merendas e Antigo Lavadouro Público, visando a sua recuperação e a criação de um espaço de fruição para a comunidade, para as famílias e para os turistas.
Um outro sinal que importa destacar é o da progressão da procura turística do nosso concelho, registando-se nos últimos 5 anos um aumento de quase 40% das dormidas turísticas. Também neste domínio, e por iniciativa privada, o concelho de Sines conhecerá uma importante qualificação. Em Porto Covo já se iniciaram as obras de um novo hotel e outro arrancará em breve, aumentando o número de camas daquela aldeia em cerca de 250. Também em Sines nascerá um novo hotel de quatro estrelas, com 120 quartos, e um novo aparthotel com 70 apartamentos, cuja obra já teve inicio.
Esta dinâmica da procura turística, sendo suportada ao longo do ano pelo chamado turismo de negócios, que reduz significativamente a sazonalidade do concelho, vem sendo consolidada com a ampla programação cultural e desportiva que promovemos no concelho ao longo de todo o ano. Além do incontornável Festival Músicas do Mundo, estamos determinados em apoiar a M.A.R. – Mostra de Artes de Rua, promovida pelo Teatro do Mar,no sentido de se constituir como novo e relevante evento cultural de amplitude internacional. Por outro lado, Sines é já hoje um destino de grandes provas e eventos desportivos de âmbito nacional, europeu e mundial. Neste domínio importa, ainda, uma maior aproximação às potencialidades do mar, quer para a prática desportiva quer para a matriz cultural da cidade e, para o efeito, é relevante o desenvolvimento de ações e programas que aprofundem os elos das crianças e dos jovens com a nossa vocação Atlântica. Por isso mesmo, temos já em execução a criação da Estação Náutica Sines, um ponto de entrada virtual para todos quanto chegam ao nosso concelho por via marítima, promovendo a organização dos diversos agentes com intervenção na náutica de recreio.
É importante não deixar de referir que programámos também uma requalificação da ZIL II, bem como a sua expansão até 28 novos lotes, num investimento de cerca de 7 milhões de euros, para o qual aguardamos a aprovação de financiamento. A par de toda a estratégia urbana e de afirmação de Sines como um concelho cuja vocação não se esgota na atividade portuária e industrial, mantemos uma estratégia de valorização da economia local e tendente à criação de emprego. Tanto o alargamento do Terminal XXI como a construção do Terminal Vasco de Gama, que podem significar, no futuro, 1600 novos postos de trabalho, exigem da parte do Município a maior atenção. Mas exigem, sobretudo, intervenções de natureza nacional, nomeadamente no que respeita a ligações ferroviárias e rodoviárias mais eficientes e de nível superior, que concorram para a reafirmação do porto de Sines como o maior porto nacional e um dos mais relevantes da Europa.
Como referi no início, vivemos um tempo decisivo. E de enormes transformações, pelo que é muito importante aproveitar de forma efetiva todas a oportunidades que temos ao nosso dispor para que Sines seja um concelho mais desenvolvido e mais competitivo, mas também mais coeso do ponto de vista social, económico e territorial.
Do ponto de vista da atuação municipal, estabilizada a situação económico-financeira, reunimos as condições necessárias para a prossecução de uma estratégia que visa a qualificação da cidade e, também por essa via, a valorização das pessoas que nela habitam e que a visitam. É algo que deve convocar e mobilizar todos os sinienses. O espaço público é parte da vida de cada um de nós e nossa vida em comunidade. Valorizar o espaço público, dotando-o de melhor mobilidade e de melhores condições de acessibilidade, aproximando as pessoas do comércio, dos serviços, da habitação e dos espaços de lazer, significa devolver liberdade aos cidadãos para uma mais profunda vivência. É isso que, todos juntos, vamos fazer.

Nuno José Gonçalves Mascarenhas

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