JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Dezembro 2018 - Nº 134 - I Série - Setúbal

Setúbal

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de S. Francisco

João Manuel Fernandes dos Santos

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. – Na Freguesia de S. Francisco valorizo no sector primário a agricultura, temos um microclima com solos muitos férteis onde predominam as culturas de cebola, batata, cenoura e mais produtos hortícolas, saliente a cebola de Alcochete, bem conhecida nos mercados devido à sua qualidade e sabor.
S. Francisco é uma mistura de zona rural com uma zona de urbanizações recentes, bem concebidas e com bastantes espaços verdes, às portas da capital.
No turismo, a freguesia está inserida no concelho de Alcochete que sofreu uma grande transformação com a construção da Ponte Vasco da Gama. Devem ser visitados, o Pórtico do antigo Convento de S. Francisco com azulejos figurativos do século XVIII, em 1834 a comunidade franciscana foi extinta e o Convento foi vendido a um particular que fez o seu desmantelamento para vender as pedras, pode ainda visitar-se a Reserva Natural do Estuário do Tejo e perder-nos nas maravilhosas paisagens campestres nesta margem sul do rio Tejo.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P. J. – Embora existam alguns casos de famílias com dificuldades, felizmente a freguesia de S. Francisco não foi muito afectada pelo aumento de desemprego, talvez por se localizar perto e com fáceis acessos a grandes empresas;
As famílias mais carenciadas estão identificadas e numa acção conjunta com a Câmara Municipal de Alcochete, entidades sociais, religiosas e de alguns particulares do concelho, é feito um regular acompanhamento.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P. J. – A violência doméstica é um dos problemas que tem vindo a alastrar no nosso país e de grande preocupação, devendo-se muitas das vezes ao desemprego, pobreza, consumos de álcool e drogas, desrespeito mútuo, etc.
É de apostar numa política de combate a este tipo de crime com jornadas de sensibilização e educação.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P. J. – A delinquência infantil tem a ver com o ambiente social onde os jovens estão inseridos e com os valores que lhes são transmitidos pelas pessoas que os rodeiam (pais, avós, outros familiares, encarregados de educação, amigos, etc.)
A nossa freguesia não está identificada com muitos casos dessa natureza, no entanto considero que:
Para colmatar a delinquência infantil é importante criar espaços de ocupação de tempos livres, salas de estudo, férias activas, actividades desportivas e serviço cívico de forma a ocuparem os seus tempos livres.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P. J. – A violência gratuita é na sua maioria o resultado das respostas dadas relativamente à delinquência infantil e violência doméstica e que deverá ser punida judicialmente.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P. J. – No que respeita à população sénior da nossa freguesia, além das iniciativas promovidas pelo município, a Junta de Freguesia disponibiliza-se para acompanhamento nas novas tecnologias, tais como:
- preenchimento do IRS;
- marcações de consultas médicas e respectivos transportes;
- comunicações de contagens de água, gás e electricidade;
- e para combater a solidão, enriquecer os conhecimentos de vária natureza, exercitar o corpo e a mente, tendo sido criada a Universidade Sénior “UNISFA”.
J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P. J. – O maior problema desta freguesia é:
- a falta de habitação em virtude da procura ser muito superior à oferta, o que leva muitos dos nossos jovens a terem que procurar outros locais para viver e menos aprazíveis;
- complexos desportivos;
- centro médico;
- melhoramento da rede de transporte público.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P. J. – Distando a freguesia de S. Francisco a cerca de 3 km da sede do concelho de Alcochete através de uma Estrada Nacional, é de todo importante a construção de uma zona pedonal entre as duas localidades, para segurança na deslocação dos habitantes.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P. J. – Enquanto presidente, natural e morador nesta freguesia, auguro um futuro melhor para todos os residentes e para todos os que futuramente escolherem esta freguesia para criar as suas raízes, de forma a sentirem-se bem e com todas as necessidades básicas por perto;
Com a possibilidade da construção nesta zona do novo aeroporto, prevê-se uma transformação a todos os níveis neste local. Devemos estar preparados para acompanhar o seu desenvolvimento de forma a manter/melhorar e garantir a qualidade de vida e bem estar dos nossos fregueses.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P. J. – S. Francisco “NÃO PÁRA”, com a boa colaboração de todos queremos mais e melhor, o investimento nesta freguesia é a pensar no futuro, porque está situada numa zona estratégica do país e com excelentes acessibilidades.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P. J. – Quando este executivo entrou no comando dos destinos da freguesia “há cerca de 1 ano”, encontrou uma situação financeira grave.
Não foram fáceis os primeiros tempos, tivemos de começar a fazer uma gestão muito cautelosa e rigorosa, estamos agora a encontrar o equilíbrio, embora ainda tenhamos algumas verbas por liquidar vindas do executivo anterior.
J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P. J. – O apoio atribuído pela Câmara Municipal de Alcochete às Juntas de Freguesia é feito através do acordo de execução de delegação de competências acordado por ambas as partes.
Quanto a esta Junta de Freguesia tem sido um parceiro disposto a ouvir, colaborar e investir na freguesia e sempre com grande capacidade de resposta às necessidades.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P. J. – Junte-se a nós, colabore e faça parte da vida activa da freguesia, para que todos possam dizer “É bom viver em S. Francisco”.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P. J. – Ao longo de vários anos da minha vida tive ligado ao movimento associativo e sempre soube articular o meu dia à dia, conseguindo gerir a vida familiar, profissional e lazer, agora como autarca é apenas mais uma questão de adaptação.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P. J. – Agradeço ao Jornal das Autarquias a possibilidade desta entrevista e felicito-os pela informação e divulgação, especialmente das pequenas freguesias e dos seus autarcas que tantas dificuldades atravessam e que entram nesta luta por amor às suas populações.

João Manuel Fernandes dos Santos

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