JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Janeiro 2019 - Nº 135 - I Série - Santarém

Santarém

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pranto

Manuel dos Santos Nunes

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - Nesta freguesia o sector primário encontra-se representado sobretudo nos diversos fruticultores que residem e têm a sua atividade sediada na nossa freguesia, constituindo para nós uma mais-valia pois somos uma freguesia ativa e com atividades diversificadas, fontes de emprego para a nossa população. Obviamente que sendo a freguesia onde se encontra localizado o ex-libris do concelho – Dornes – o turismo é muito privilegiado também, existindo vários alojamentos locais disponíveis para fazer face à procura significativa por parte dos turistas.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. - Nesta freguesia a crise gerou pobreza do mesmo modo que em todas as outras freguesias mas achamos que se vive uma época menos difícil, com alguma recuperação de poder de compra e, no caso da nossa população, sem que tenham existido casos graves de desemprego pois todos os empregadores existentes continuam a laborar, o que é para nós muito satisfatório.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito
P.J. - A violência doméstica sempre existiu. Infelizmente as pessoas não se manifestavam, era “normal”, coisas da vida. Felizmente que hoje essas “vergonhas” tendem a desaparecer e as vítimas podem pedir ajuda. Parece-me que a denúncia é que tem aumentado drasticamente. As causas podem ser várias e os efeitos serão sempre negativos. Penso que devemos estar todos atentos, em particular as autoridades e punir o autor do crime de forma exemplar.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - Felizmente na nossa freguesia não existem casos conhecidos de delinquentes infantis, por enquanto os nossos jovens não se têm envolvido nesse tipo de problemas.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - Penso que se deve à falta de empatia, precisamos de nos preocupar mais com os outros. Essa falta de sensibilidade para com o sofrimento do vizinho leva à frieza e consequente violência sobre o próximo. A pobreza extrema, a toxicodependência, o alcoolismo podem ser fatores desencadeadores de violência. Mata-se por muito pouco e isso é deveras preocupante.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - O apoio principal que prestamos é estarmos atentos aos casos mais graves e encaminhá-los para as autoridades competentes. Temos a porta aberta, recetivos às queixas e tudo fazemos para tentar amenizar os problemas. Também prestamos o apoio social que nos é possível, realizamos um passeio anual para a população sénior da freguesia, prestamos apoio administrativo nomeadamente preenchimento de documentos, entrega de IRS, validação de faturas, etc. Dispomos também de aulas de ginástica sénior duas vezes por semana, gratuitas, obviamente. Este ano vamos pela primeira vez oferecer um almoço de Natal à população com mais de 65 anos da nossa freguesia.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - O maior problema com que nos debatemos é o problema geral de todas as freguesias: falta de verba.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - Necessitávamos de uma intervenção mais profunda por parte das autoridades competentes na proteção da nossa floresta pois existe na nossa freguesia uma mancha florestal significativa, que já ardeu várias vezes e que coloca em perigo as nossas populações sempre que há incêndios. Acreditamos na prevenção e estamos em crer que se houver vontade, ela é possível.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Penso que a nossa freguesia continuará a ser um sítio bom para se viver, especialmente para os que privilegiam o contacto com a natureza. Temos esperança que o envelhecimento da população não venha a ser demasiado significativo e que mais jovens se venham fixar nesta freguesia.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - A mensagem que tento transmitir é que a nossa freguesia é um bom sítio para viver e trabalhar. Somos dinâmicos e ativos, gostamos de receber…

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - A nossa freguesia não tem problemas financeiros. A gestão orçamental é rigorosa, fazemos o que podemos e cumprimos os nossos objetivos com moderação financeira.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - Existe uma colaboração efetiva entre a nossa Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere. O Município tem-se mostrado sempre aberto e disponível para ouvir e responder às nossas solicitações, existindo um ambiente amigável entre as duas entidades. A Câmara disponibiliza os meios solicitados e responde às demais solicitações, na medida do possível, mas sempre de forma cordial e cooperante.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - O executivo da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pranto defende os interesses da população da freguesia estando disponível para ouvir as solicitações que queiram apresentar com o intuito de fazer mais e melhor, modernizando os serviços e privilegiando o contacto com a população. A estreita colaboração com os nossos eleitores é e será sempre fundamental.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Consegue-se gerir com um pouquinho de boa vontade e muita entrega. Sempre estive envolvido em várias atividades daí que tive sempre de gerir o meu tempo, pelo que não notei grande diferença.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Desejo ao vosso jornal o maior sucesso e agradeço o convite para esta entrevista.

Manuel dos Santos Nunes

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