JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Janeiro 2019 - Nº 135 - I Série - Santarém

Santarém

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Monsanto

Samuel Frazão

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - Sim, valorizamos muito. A nossa freguesia tem aproximadamente 18 Km´s2 sendo que existe ainda bastante atividade primária, como a agricultura e caça. A nível de turismo também anualmente recebemos vários peregrinos, nacionais e internacionais que fazem as peregrinações a Fátima e a Santiago de Compostela, via caminhos do tejo (caminho internacional utilizado em peregrinações), sendo mesmo milhares/ano, que se alimentam, descansam, ou simplesmente passam pela freguesia.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. - Felizmente estamos situados numa zona em que existem oportunidades de emprego, sendo algo que sempre nos preocupa, mas não sendo atualmente um grande flagelo da freguesia; no entanto procuramos em articulação com os serviços da Câmara Municipal de Alcanena, estar atentos a possíveis casos de pobreza, de modo a apoiar socialmente o melhor possível dentro das nossas capacidades.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J. - É algo que nos deve envergonhar como sociedade moderna; na minha opinião pode estar associado a casos de desemprego, pobreza, dificuldades económicas ou consumo de álcool ou drogas. Estamos atentos a eventuais situações na freguesia de modo a reportar às autoridades competentes eventuais situações/denúncias/casos de alerta que possam acontecer.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - É verdade. Na nossa freguesia, que tem um caráter rural, existe uma grande proximidade entre o meio educativo; crianças, pais, auxiliares, educadores e professores, sendo que existe um acompanhamento de envolver todos numa atmosfera positiva e de espírito de grupo entre todos, incentivando a iniciativas conjuntas entre as crianças e também entre os pais. O facto de sermos pouco, faz com que todos se conheçam…o que não acontece no meio urbano. Aliado a esse facto, existe um maior número de crianças em sala, menor acompanhamento e integração das crianças com necessidades educativas, ou que vem de um meio social mais carenciado, com as outras crianças e provável menor participação ativa da sociedade na escola; menos monitorização, juntamente com menor autoridade visível, pode original maiores casos de delinquência.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - Na minha opinião: Sentimento de impunidade geral de quem comete crime; Falta de autoridade das forças policiais por o sistema não os ajudar a poder exercer de forma autoritária a sua profissão; justiça lenta e forte com os fracos e fraca com os fortes; Demora longa do sistema judicial na condenação de quem pratica atos ilícitos.
J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - A Junta de Freguesia de Monsanto, apoia a IPSS “A casinha” que tem como missão prestar apoio aos nossos idosos em valências como apoio domiciliário e que pretende também o centro de dia. Esperamos em 2019 poder inaugurar em Monsanto um edifício com a aprovação da Segurança Social para poder realizar as valências de apoio domiciliário e centro de dia; Igualmente contamos com uma Unidade Local de Proteção Civil, criada já neste ano sendo uma das nossas missões poder apoiar e acompanhar a população mais envelhecida. Unidade Local de Proteção Civil que conta com perto de 40 elementos, dos vários pontos da freguesia e competências, como por exemplo uma médica e vários bombeiros e elementos com formação em primeiros socorros.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - Acessibilidade rodoviária (degradação das vias rodoviárias da freguesia como a ER 361 e estradas da freguesia; limitação nos licenciamentos de construção de habitações e/ou instalações que possam gerar postos de trabalhos devido às restrições de entidades legais.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - Melhoria das condições de abastecimento de água (renovação das condutas); Maior incentivo da reabilitação urbana, podendo discriminar negativamente que deixa os edifícios ao abandono, ao ponto de poderem por em causa a saúde pública; Discriminação positiva das freguesias que estão no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, de modo a criar valor como infraestruturas que incentivem o turismo, negócios amigos do ambiente, negócios de restauração e fixação de jovens. Melhoria das redes móveis, necessidade de maiores valências para a freguesia como a manutenção de escolas, do posto médico, ou outras que possam vir, como uma farmácia, uma creche, entre outros.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Perspetiva de um futuro promissor. Temos uma freguesia com muita história e de grande beleza. Temos um pouco de tudo e estamos próximos de zonas urbanas, mas ao mesmo tempo vivemos na tranquilidade do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Vale a pena viver na nossa freguesia. Acreditamos que com alguns problemas resolvidos (citamos anteriormente) vamos melhorar ainda mais a nossa qualidade de vida.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - Investem na saúde, conforto e bem-estar da família em 1º Lugar; encontram uma zona que lhes oferece ao mesmo tempo tranquilidade, mas também atividades diversas de aventura e animação. Sempre fomos uma freguesia com indústria, desde os curtumes, até ao fabrico de velas, transformação de pedra, vassouras, mas também temos Fontes, Lavadouros, Caminhos pedestres identificados, associações desportivas e recreativas, associações de caça e pesca e apoio social, assim como um Património Religioso Ímpar. Dispomos ainda de uma Junta de Freguesia com atendimento ao público, com serviços de CTT, espaço de Cidadão e Posto de Saúde com serviços de médico de família e enfermagem.

Melhor que passar a mensagem é convencer a visitar a Freguesia e verificar com presencialmente, com o apoio de uma Junta de Freguesia e fregueses que tudo fará para os receber bem na nossa comunidade.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - Estável. O nosso orçamento ronda os 100.000-110.000€/Ano.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - Fundamental para o bom exercício das nossas funções. Além da boa relação que a Câmara Municipal tem tido com as juntas, apoia os investimentos estruturantes e também o dia-a-dia das Juntas, através do apoio técnico dos vários serviços prestados pela Câmara. Destaco a proximidade da Sr.ª Presidente da Câmara, Vereadores e Técnicos na procura de resolver sempre que possível as nossas solicitações. A mesma dá um apoio às juntas, no âmbito da delegação de competências (Acordos de Execução), sendo anualmente revistos em alta nos últimos anos; No caso da Junta de Freguesia, esse valor ronda em média os 40-45% do valor total do Orçamento Anual da Junta, destacando ainda que a Câmara tem cumprido sempre no que toca aos cumprimentos dos prazos de financiamento. Sabemos que infelizmente não chega para tudo o que pretendemos, mas reconheço a sua preocupação em ser justa com todas as freguesias do concelho.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Todos sabem que as minhas raízes são de Monsanto, que a maioria da minha família reside em Monsanto, mas que eu vivo Há perto de 7 anos em Alcanena, sendo eleitor em Alcanena (nem em mim pude votar…(Risos). Provavelmente foi a 1ª vez que foi eleito um presidente de junta que não vive em Monsanto e mesmo assim tivemos um dos maiores resultados em democracia e provavelmente o maior número de eleitos (6 em 7 possíveis), o que me faz ainda aumentar a responsabilidade de diariamente dar o melhor de mim para justificar a confiança que depositaram na equipa de grande valor humano e com competência que encabecei.
Relembro que somos um executivo jovem, uma assembleia de freguesia jovem; provavelmente tanto o executivo como a assembleia são dos órgãos autárquicos mais jovens do distrito de Santarém, mas temos experiência, temos tido a humildade de questionar e por vezes aprender com os colegas eleitos de outras freguesias e também que já passaram na freguesia e trabalhado o melhor que sabemos para fazer o melhor possível, de modo a merecer a confiança que os fregueses nos deram da oportunidade e grande responsabilidade de comandar os destinos da freguesia de Monsanto.
Passado pouco mais de um ano, Temos sentido um feedback da população muito positivo e é a melhor recompensa que podemos ter; penso de temos demonstrado competência, proximidade, honrando o trabalho executado de todos os órgãos eleitos no passado; Tenho orgulho no executivo e equipa que temos, assim como só posso agradecer aos nossos funcionários, instituições da freguesia, Unidade Local de Proteção Civil e parceiros de serviços o profissionalismo e vontade de vestirem a camisola da freguesia. Temos trabalhado com todos e procuramos envolver toda a comunidade nas decisões relevantes da freguesia.
Quero transmitir uma mensagem de confiança no trabalho desenvolvido por toda esta equipa que diariamente trabalha em prol dos fregueses e na melhoria do seu bem-estar, pensando também a médio prazo; no final do mandato iremos todos evidenciar que vamos ter uma freguesia cada vez melhor para tod@s.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Sou casado e pai de uma filha de 3 anos. Aliado a essa felicidade, sou empresário há 6 anos, tenho como hobby ser músico de bandas filarmónicas e bandinhas e gosto pela participação cívica e política. A estas coisas boas, junta-se também a vida de autarca. O tempo é sempre curto e os dias passam a correr, tento ser o mais organizado possível de modo a não ter reclamações em nenhuma das vidas mencionadas 😉

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. -Quero agradecer a oportunidade e agradecer o serviço público efetuado. Desejamos votos de maiores sucessos para o Jornal das Autarquias e a toda a equipa que a compõe.

Samuel Frazão

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