JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Março 2018 - Nº 125 - I Série - Porto

Porto

Maria Elisa de Carvalho Ferraz

Entrevista da Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde

Maria Elisa de Carvalho Ferraz

J.A.-Tendo havido alteração nos resultados eleitorais das autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.C.-Os resultados registados e a grande alteração que produziram, demonstraram a clara manifestação da vontade dos vilacondenses em operar uma mudança na condução dos destinos do município e viram no projeto que eu protagonizei, “Elisa Ferraz-Nós Avançamos Unidos – NAU”, as condições ideais para isso. Daí a dimensão dos resultados e a transversalidade dos votos recebidos que, ditaram, por exemplo, a atual maioria absoluta da NAU na Câmara Municipal.

J.A.-Qual a sua opinião sobre o OE para 2018?
P.C.-O Orçamento de Estado para o ano corrente, reflete, em vários dos seus parâmetros, a atual conjuntura política com base nos partidos que sustentam o Governo na Assembleia da República, traduzindo ainda a continuidade da recuperação económica e do esforço de equilíbrio das contas públicas, embora a dívida pública continue muito elevada. Gostaria que o OE tivesse mais em conta a importância inequívoca das autarquias, assim como me parece fundamental que, de uma vez por todas, se acabe com cativações, tão elevadas, como inoportunas, nomeadamente em áreas fundamentais como a Justiça, a Educação, a Saúde e a Segurança.

J.A.-Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrógão Grande, qual a sua opinião?
P.C.-As duas grandes vagas de incêndios que assolaram o país, tanto na localidade referida, como em muitas outras, e que resultaram na perda irreversível de muitas vidas humanas e em elevadíssimos prejuízos materiais, tiveram o condão de despertar fortemente as consciências de todos e obrigar os órgãos de poder a tomar medidas concretas para tentar inverter rapidamente a situação. Sente-se uma mobilização geral nesse sentido e espero sinceramente que sejamos capazes de converter este esforço nacional em resultados concretos de mais proteção, mais segurança, e de melhor ordenamento do território português.

J.A.-O aumento do desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.-O desemprego é um assunto que nos deve preocupar a todos e, não obstante os índices disponíveis revelarem um panorama mais animador ao nível dos empregos, a verdade é que os esforços devem prosseguir no sentido de melhorar progressivamente a situação. O assunto é transversal a todo o País, mas, no caso de Vila do Conde, e felizmente para nós, os indicadores existentes, tanto a nível de desenvolvimento económico, como do consequente aumento de postos de trabalho, são dos melhores que se registam no âmbito da Área Metropolitana do Porto, o que é naturalmente fruto do trabalho dos operadores económicos, mas também das medidas que a Autarquia tem criado e fomentado, para apoiar as empresas e criar empregos.
J.A.-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.-A violência doméstica é um grave problema social que tem de ser encarado com frontalidade e combatido com todos os meios ao nosso alcance. Tem de haver uma atuação não apenas a nível dos órgãos judiciários e políticos, mas também ao nível da prevenção, seja por via da formação e da informação, da consciencialização social, da proteção, e do acompanhamento efetivo das situações detetadas.

J.A.-Que apoio presta a Autarquia aos mais idosos?
P.C.-O Município de Vila do Conde dispõe de uma rede social muito bem organizada e cuja atividade se manifesta num grande apoio, não só aos mais idosos, como ainda a outros segmentos da população com manifestas necessidades do mesmo. Há um conjunto de instituições que funcionam muito bem e a quem a Câmara Municipal dá o maior apoio possível, de modo a que, neste caso os mais idosos, possam ter uma vida digna e o mais ativa possível, sentindo-se apoiados por uma sociedade a quem se devotaram uma vida inteira.

J.A.-Quais as áreas que necessitam de maior intervenção?
P.C.-Há sempre diversas matérias a resolver e a melhorar, mas, nesta fase concreta, estamos a direcionar muitos dos nossos esforços para uma melhoria significativa da rede viária municipal, para a qualificação dos nossos parques habitacional e escolar, e para a cobertura total do Concelho com estruturas de água e saneamento.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do seu concelho?
P.C.-O grande objetivo é servir os munícipes e desenvolver políticas que contribuam para o aumento da qualidade de vida e do bem-estar da população, para incremento do seu espírito coletivo e a crescente afirmação do Concelho no todo nacional. Temos também de contribuir para o aprofundamento da democracia, e para a melhoria contínua das práticas de governação, tornando-as totalmente transparentes e abertas à participação dos cidadãos. Vila do Conde é já um município de vanguarda, mas queremos torná-lo ainda maior, aperfeiçoando estruturas e serviços, e contribuindo para o seu desenvolvimento sustentado.

J.A.-Como é a situação financeira da Autarquia?
P.C.-A nossa situação financeira está perfeitamente equilibrada.Conseguimos, recentemente, proceder à liquidação do PAEL-Programa de Apoio à Economia Local, e isso trouxe-nos a abertura de novas perspetivas, designadamente em matéria de investimentos, e do início de um processo de desagravamento fiscal, nomeadamente em sede de IMI. Os orçamentos municipais são rigorosos, com saldos transitados positivos relevantes, e temos conseguido amortizar significativamente a nossa dívida, que se situa em parâmetros perfeitamente razoáveis, bem como cumprir rigorosamente com os nossos fornecedores a quem pagamos a pronto. Estamos agora a entrar numa fase importante de investimentos, sobretudo através da implementação dos projetos inseridos no PEDU-Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, num montante que ultrapassa os 11 milhões de euros, mas deve ser referido que há mais investimentos a concretizar com verbas exclusivamente municipais, como é o caso do Centro Comunitário das Caxinas, cujo projeto foi recentemente apresentado aos vilacondenses.
J.A.-Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.C.-A Câmara Municipal considera as Juntas de Freguesia e de Uniões de Freguesias como parceiros fundamentais no desenvolvimento do Concelho. Nesse sentido, e em conformidade, prestamos o máximo apoio ao desenvolvimento das suas atividades, através de um plano de ação que é traçado em conjunto e ao qual se associam as verbas indispensáveis que são calculadas com base em critérios claros e iguais para todos.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-A mesma de sempre. Contem comigo para desenvolver o Concelho e melhorar o bem-estar dos vilacondenses, sendo que, para isso, também conto com todos. Estamos nos primeiros meses deste mandato, que é diferente do anterior, e durante o qual se desenvolverão os melhores esforços para atingir os objetivos que foram traçados, e que estão assentes num plano bem estruturado, em relação ao qual, para além da indispensável eficiência, também queremos que se concretize com abertura e transparência, com ética e verdade, e com absoluta igualdade de acesso e de oportunidades.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Os vilacondenses conhecem perfeitamente a minha situação familiar e sabem que, não obstante os obstáculos que me têm surgido, tenho sido capaz de me dedicar inteira e devotadamente à causa pública, e à melhoria das condições de vida da população.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Trata-se de um excelente meio de comunicação, que reflete as múltiplas facetas do mundo autárquico, e a quem desejo os maiores êxitos no prosseguimento da sua atividade editorial.

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