JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Agosto 2018 - Nº 130 - I Série - Loures e Odivelas

Loures e Odivelas

Entrevista ao Presidente da união de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação

Renato Joaquim Alves

J.A.– Valoriza o setor primário e o turismo dessa freguesia?
PUF.– Absolutamente. Neste nosso territóriode terras férteis, integrado no concelho de Loures, quedesde sempre cumpriu a função de abastecer Lisboa de produtos agrícolas, não podemos deixar de valorizar o setor primário.
O turismo é uma das áreas que agora priorizamos porque, por ter sido desvalorizado nos mandatos anteriores, tem tudo para fazer. A exploração do sistema de vistas, através da criação de várias zonas de miradouro e lazer, e a qualificação do património constituem as nossas apostas para atrair visitantes à nossa Freguesia.

JA – O aumento do desemprego gerou muita pobreza. Como está essa freguesia a gerir esse problema?
PUF.– Felizmente, a nossa freguesia acompanha a tendência nacional e, nestes últimos 3 anos, temos registado uma diminuição do desemprego. Nos anos em que a crise socieconómica foi mais severa, vivemos grandes dificuldades. A ajuda às famílias, ao nível dos bens de primeira necessidade e do apoio à procura de emprego, é feita através de várias instituições de solidariedade social que trabalham no território com o apoio da Junta de Freguesia.

JA – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa/efeito?
PUF.– A violência doméstica é um crime que todos devemos condenar e, na medida das nossas possibilidades, devemos intervir a dois níveis: no apoio às vítimas e na condenação e tratamento dos agressores.

JA – A delinquência infantil, tanto no meio urbano como no escolar, é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
PUF.– A delinquência é sobretudo fruto de uma sociedade desestruturada que não assegura a igualdade de oportunidades. Regista-se com maior gravidade em contextos sociais e económicos desfavorecidos e requer uma intervenção continuada junto das famílias e das escolas. Na nossa freguesia, valorizamos o desenvolvimento de programas de prevenção do abandono escolar e de ocupação dos tempos livres que ofereçam atividades educativas, culturais e desportivas para criar nos jovens rotinas de trabalho e aprendizagem.

JA – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
PUF.– É um problema e uma grande preocupação. Sou contra todas as formas de violência.

JA – Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
PUF.– A Junta de Freguesia de Camarate, Unhos e Apelação tem muito respeito por todos aqueles que já deram muito à sociedade e tenta dar-lhes todo o tipo de apoio de que necessitam, promovendo a sua autonomia, saúde e qualidade de vida. Desenvolvemos um trabalho em estreita colaboração com a Rede Social de Loures e as instituições que acolhem os nossos seniores.

JA – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
PUF.– A existência de famílias a viver sem as mínimas condições de conforto e dignidade nos bairros de barracas e Áreas Urbanas de Génese Ilegal que ainda persistem, como o Bairro da Torre e o Talude Militar.

JA – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
PUF.– A limpeza urbana e recolha de resíduos, bem como a falta de centros de saúde em Camarate e no Catujal. Não compete à Junta de Freguesia resolver estes problemas mas estamos dispostos a fazer tudo o que nos for possível para impulsionar estas obras. A falta de estacionamento na zona central de Camarate é um problema nascido no decurso das obras de requalificação levadas a cabo pela Câmara Municipal de Loures. Esta é uma situação que tem causado um enorme constrangimento aos comerciantes locais.

JA – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
PUF.– Eu sou um otimista e tenho muita esperança no futuro da nossa União de Freguesias. Sonho com o ordenamento urbanístico de todo o território, a qualificação do espaço público e a melhoria da qualidade de vida das populações. Temos muito trabalho a fazer em várias frentes mas acredito que, com o apoio da população, das instituições, comerciantes e empresas, o futuro será promissor.

JA – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
PUF.– Tenho muito orgulho na minha terra e tento sempre elevar,em todos os que me ouvem, esse orgulho em ser de Camarate, de Unhos ou da Apelação. Investir aqui é garantia de estar a contribuir para uma sociedade mais justa, que promove a diversidade e o bem-comum.

JA – Como é a situação financeira dessa freguesia?
PUF.– Quando tomámos posse, em outubro de 2017, encontrámos uma Junta pouco organizada, disfuncional e carenciada em muitos aspectos. Temos vindo a cumprir o orçamento com rigor e atendido, sempre que possível, às inúmeras solicitações dos nossos munícipes, ao nível de pequenas obras que resolvem situações graves de segurança e mobilidade e do apoio ao associativismo.

JA – Qual o apoio que a Câmara presta às juntas de freguesia?
PUF.– Todos sabemos que há competências que devem ser assumidas pelas Juntas de Freguesia porque são estas que estão mais próximas das populações, mas essa transferência de competências tem que ser acompanhada por uma transferência de verbas e recursos que permita de facto dar resposta às mais diversas solicitações. Reconhecemos o esforço que a Câmara Municipal de Loures fez nestas últimas negociações relativas à delegação de competências, no entanto, numa Freguesia com as características da nossa, as verbas são manifestamente insuficientes.

JA – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
PUF.– Naturalmente, deixo a todos uma mensagem de confiança no futuro e um pedido de colaboração e participação nos destinos da nossa União de Freguesias. O projeto deste Executivo não exclui ninguém e pretende a todos mobilizar para a valorização das nossas localidades, dos nossos mais de 70 bairros. Se estivermos todos a cumprir bem o papel de cada um, alcançaremos muito bons resultados.

JA – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
PUF.– Com muita dedicação. À Junta e pouca à família. Às vezes não é fácil mas, felizmente, tenho uma família que compreende bem este cargo e dá-me todo o apoio.

JA – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
PUF.– Parabéns pelo vosso trabalho e por darem voz às autarquias!

Renato Joaquim Alves

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