JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Agosto 2018 - Nº 130 - I Série - Loures e Odivelas

Loures e Odivelas

Entrevista do Presidente da junta de freguesia de Fanhões

Jorge Manuel Duarte Simões

J.A - Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A agricultura representa na Freguesia de Fanhões uma importante atividade, sendo mesmo a principal fonte de receita de muitas famílias que ao longo de gerações subsistem economicamente da terra, num território fértil para as hortícolas e onde a produção biológica e sustentada começa a dar os primeiros passos.
O turismo será certamente num território de pouca atividade secundária e terciária, uma alavanca de desenvolvimento económico para a região se conseguirmos transmitir ao potencial visitante, toda a envolvente natural e paisagística de uma beleza deslumbrante e um riquíssimo património histórico; Todas as localidades da Freguesia: Fanhões, Casainhos, Torre da Besoeira, Ribas de Baixo, Ribas de Cima, Cabeço de Montachique e Tocadelos estão envolvidas em verde e mantêm as suas características rurais intactas a cerca de 20km de Lisboa. A Freguesia de Fanhões é desde março de 2018, Capital do Calceteiro uma importante distinção e reconhecimento aos Homens e à sua obra, onde podemos apreciar esta arte de calçada em inúmeros apontamentos no espaço público, sendo uma calçada de 1905 e preservada até aos dias de hoje, assim como a Galeria das Calçadas do mestre José da Clara, alguns dos locais mais apreciados pelos visitantes que ao caminharem pela freguesia encontram sempre importantes detalhes de calçada portuguesa miúda e bem talhada.
É uma Freguesia etnograficamente rica, faz fronteira com as Freguesias de Santo Antão do Tojal, Bucelas e Lousa e com o Concelho de Mafra, mantém tradições seculares numa comunidade muito própria, onde profissões como a Lavadeira, o Ferreiro, o Hortelão e o Cortador se juntam ao Calceteiro no sustento familiar de gerações e onde o associativismo sempre foi relevante e prioritário na vida desta comunidade.
No Património edificado a Igreja Matriz de Fanhões de 1575 é outro lugar de referência, ponto de paragem e interpretação da Rota do Memorial do Convento, monumento bem presente na obra de Saramago e local de paragem das estátuas que seguiam para Mafra. Outros locais como um Coreto dos anos vinte, Fonte -Velha de Fanhões, Fonte de Casainhos, Fortes das Linhas de Torres, chafarizes, lavadouros, fontanários, noras, picotas, asnagas, linhas de águas, paisagem protegida e compartimentada dos Barros, Caminho das Lavadeiras, Parque do Cabeço de Montachique, são entre outros, pontos de grande interesse para o visitante.
Na Gastronomia salientamos os Sonhos de Fanhões e as Filhoses de Casainhos, numa terra de bom vinho, em que as localidades de Ribas de Baixo, Ribas de Cima e Fanhões fazem parte da região demarcada do Arinto.
Estes são alguns motivos para visitar a Freguesia de Fanhões e sentir-se bem entre nós.

J.A - O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- desemprego teve o seu natural impacto negativo na população, onde existem situações de carência já sinalizadas pelas instituições humanitárias, assistência social e pela Junta de Freguesia, que em conjunto tentam minimizar as necessidades primárias e ajudar as famílias visadas a perspetivar o seu futuro. A freguesia tem uma economia pequena que embora com pouca percentagem de população ativa, não têm no seu território uma resposta minimamente suficiente de emprego e que possa colmatar os postos de trabalho perdidos muitos deles de empresas fora da freguesia. A Junta de Freguesia promove cursos de formação nas suas instalações e divulga a informação das entidades nesta matéria, mas pelas características já apontadas tem sido difícil principalmente em desempregados de mais de cinquenta anos voltarem à vida laboral pelo menos com a normalidade e segurança desejável.

J.A - O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- A violência doméstica é um flagelo social em que os efeitos são transversais a toda a família e muitas vezes para a comunidade que neles se envolve. Muitos destes casos são silenciosos durante anos e só se revelam quando a situação já é grave e por vezes irreversível. A Freguesia de Fanhões têm uma sociedade conservadora, muito crítica e interligada nas vidas pessoais, onde naturalmente a violência doméstica é uma vergonha muitas vezes não denunciada. A instabilidade económica familiar pode ser uma das causas, mas são inúmeros os motivos que a podem originar, ocorrendo geralmente em privado, resulta para a vitima fragilizada e envergonhada quase sempre num longo sofrimento silencioso. Trabalhando com as forças de segurança, devemos nós sociedade e entidades, sem condicionantes denunciar ás autoridades casos ou sinais aparentes de qualquer tipo de violência.

J.A- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Em contacto permanente com o Núcleo Escolar e Associação de País, a delinquência infantil não tem expressão na Freguesia de Fanhões e em muito se deve, ao trabalho dos professores, auxiliares e instituições, mas principalmente ao acompanhamento familiar.

J.A- O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Todo e qualquer tipo de violência é um retrocesso civilizacional que impede a construção de uma sociedade favorável ao caminho da humanidade. O grave é a sua banalização e a agressividade vulgarizada a coisas menores, onde o respeito pelo ser humano e os valores de tolerância e fraternidade entram em défice muitas vezes sem razão aparente. Compete-nos a nós sociedade procurar inverter esta tendência, consequência muitas vezes de problemas que estão na ordem do dia, como o desemprego, stress, frustrações e outros subsequentes, como os consumos abusivos de substâncias ou mesmo medicamentos que ocasionalmente, impedem as pessoas de terem um comportamento social estável. Procurar a paz social, é , e será sempre um dos nossos maiores desafios.

J.A- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- O envelhecimento da população é um problema principalmente em freguesias de pouca densidade populacional como é o caso de Fanhões, estando a autarquia em conjunto com as entidades e instituições sociais a trabalhar para melhorar a vida da população mais idosa, através de um programa de saúde regular de diagnósticos, aconselhamento e atividades lúdicas. Neste momento é urgente fixar os jovens nas localidades da freguesia, facilitando a construção ou a reabilitação de habitações, muitas delas perto ou mesmo coabitando com os pais ou familiares, o que dá alguma garantia de apoio cuidador aos mais velhos, com mais proximidade e qualidade de vida familiar, fatores que nos parecem essenciais.

J.A – Qual o maior problema com que essa freguesia de debate?
P.J.- Penso que o maior problema da freguesia é precisamente o envelhecimento populacional, agregado a uma fraca atividade económica levando a algum êxodo jovem, que embora de baixa percentagem tem algum significado à escala local.

J.A- Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- O maior desafio é sem dúvida procurar resolver o problema dos transportes e da mobilidade na Freguesia de Fanhões, que sendo uma zona de baixa densidade populacional enfrenta, principalmente aos fins de semana e feriados uma falta de carreiras, e de semana algumas que foram suprimidas, limitando seriamente a mobilidade da população. As queixas de tarifários elevados e um constante incumprimento dos horários, agravam o conjunto de situações limitadoras da mobilidade diária da população da Freguesia. Outro desafio é encontrar soluções para construção de uma Casa Mortuária em Fanhões, respondendo aos anseios da população que por ela aguarda há muitos anos.

J.A – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Pessoalmente estou otimista quanto ao futuro da freguesia, e penso que é de consenso geral. A história mostra-nos que geração após geração a população da freguesia sempre ultrapassou as suas dificuldades, percorrendo habilmente o seu caminho, muito dele norteado no associativismo voluntário, construindo obra comunitária e transmitindo importantes valores sociais que nos dignificaram até aos dias de hoje. No horizonte está um longo trabalho de recuperação e preservação de todo o património material e imaterial da freguesia, da paisagem natural, assente na dignificação da ruralidade e da natureza das suas gentes, apenas com um propósito, melhoram a vida das pessoas no presente e no futuro.

J.A- Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A Freguesia de Fanhões detém a maior área verde do Concelho de Loures, com um riquíssimo património natural em estado puro, que pela proximidade a Lisboa tem certamente um potencial enorme, onde o investimento em turismo de aventura criando as devidas infraestruturas de modo sustentado teriam garantia de retorno, em atividades como Caminhada, BTT , a que se junta a GR30 Rota das Linhas de Torres, Rota Memorial do Convento e futuramente Rota das Calçadas, entre outros pontos de interesse do património edificado. A mensagem é sempre um forte apelo para visitarem a freguesia e todas as suas localidades, e aperceberem-se localmente das suas potencialidades, onde a disponibilidade da autarquia é total para qualquer dúvida ou esclarecimento.

J.A – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira é estável.

J.A – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara de Loures assinou com as Juntas de Freguesia é um dos melhores acordos de delegação de competências, senão mesmo o melhor a nível nacional. Houve para este ano de 2018 uma grande evolução no documento, elaborado em diálogo permanente, que aumentou as competências das freguesias mas também aumentou significativamente o valor das verbas a transferir. Além do acordo de delegação de competências a Câmara de Loures dispõem de um Gabinete de Intervenção Local - GIL , que está em dialogo e apoio constante á atividade regular das Juntas de Freguesia, e que até final de julho contará com uma APP de sugestões, ocorrências e reclamações que ligará os munícipes à Câmara e à Junta de Freguesia de modo eletrónico denominado “ Mais perto de si “.

J.A – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- A mensagem que gostaria de transmitir, é que estamos diariamente a trabalhar para melhorar a vida da população de todas as localidades da Freguesia de Fanhões. É , e sempre será no decorrer do mandato, um trabalho coletivo e participativo, envolvendo as entidades, as instituições, o movimento associativo e toda a população, porque só assim teremos a garantia de que realizamos um bom trabalho. Pelo compromisso eleitoral e os objetivos nele traçados, a população pode contar por parte do executivo, com um intenso trabalho cooperante, equitativo, solidário e inovador na defesa dos interesses coletivos de toda a freguesia.

J.A – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Penso que é mais difícil para a família gerir as nossas ausências pontuais, do que para nós autarcas, uma vez que diariamente de agenda cheia, nem nos apercebemos da dimensão do nosso afastamento. À que contrariar a tendência, aproveitar os momentos possíveis estabelecendo regras onde por vezes a prioridade é mesmo a família. Contudo, penso apenas ser possível realizar um bom trabalho autárquico, se tivermos connosco uma família agregada e tolerante.

J.A – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- As Juntas de Freguesia são o órgão de poder democrático mais próximo da participação popular, respondendo ás necessidades e anseios diários da população e que muitas vezes se substituem ás competências e obrigações do poder central. O Jornal da Autarquias tem um papel essencial na divulgação do Poder Local Democrático, através do seu excelente trabalho de comunicação, resultante de uma equipa competente que naturalmente saúdo, deixando votos de um bom trabalho.

Jorge Manuel Duarte Simões

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