Mosteiro de D. DinisX

Odivelas

Convento de freiras da Ordem de Cister, foi fundado em 1295 por D. Dinis em pagamento de uma promessa, monarca que já possuía no local umas casas reais, das quais ainda em meados do século XX existiam vestígios. Muito danificado pelo terramoto de 1755, D. João IV fez uma reconstrução geral com obras a cargo do frei João Turriano, italiano e monge de S. Bento. A segunda reconstrução foi ordenada por D. João V, mais para embelezar. Da primitiva construção resta a cabeceira gótica de abóbadas de nervuras chanfradas. Sofrendo alterações ao longo do tempo, fruto da necessidade de obras de conservação, melhoramento e ampliação do mosteiro, este é actualmente o resultado de várias intervenções, no entanto, destacamos os dois claustros do séc XVI, o magnífico refeitório, a cozinha e a alpendrada. No exterior da igreja são ainda visíveis os botaréus que reforçam as ábsides e as cimalhas góticas ornadas de gárgulas e mísulas. À direita duas alas alpendradas cruzam-se em ângulo recto, apoiadas em colunas singelas, datadas de 1573. A parede da alpendrada que dá acesso para a porta da igreja está revestida de azulejos policromos datados de 1671 e a que lhe fica perpendicular de azulejos azuis e brancos datados de 1691. Da primitiva frontaria resta o pórtico de arcos ogivais. No interior, na capela absidal do lado do evangelho fica o túmulo de D. Dinis, com estátua jacente e assente sobre figuras de animais. Noutra capela, à esquerda, está gravado no pavimento o escudo esquartelado de Nicolau Ribeiro Soares. Na capela do lado da epístola, está o túmulo vazio de D. Maria Afonso, filha natural de D. Dinis. Na parede da sacristia existe uma lápide com inscrição relativa a D. Filipa, filha do infante D. Pedro. Na capela-mor está sepultado o infante D. João, filho de D. Afonso IV. Dos dois claustros restantes, um é chamado de claustro da Moura, pela fonte do século XVII, encimado por uma figura de mulher e na galeria térrea, de arcos abatidos chanfrados, observam-se alguns capitéis góticos. A galeria superior, quinhentista, ocupa três lanços de claustro. Na outra parede encontra-se colocada a pedra de armas de D. Dinis. O claustro novo, é mais pequeno e pertence a duas épocas do século XVI - a primeira, de duas arcadas geminadas e abobadadas com nervuras chanfradas e bocetas; - a segunda, de arcadas mais altas e pilastras toscanas que, num primeiro lanço interno, formam entre nichos. Percorre a galeria todo um silhar de azulejos policromadas do século XVII. No canto Sudeste do Claustro Novo eram os aposentos da madre Paula. Na casa do capítulo estão sepultadas numerosas madre-abadessas do mosteiro, conforme pavimento coberto de inscrições. O refeitório e a cozinha dividem os dois clautros. O refeitório é uma sala de grandes dimensões, com bons painéis de azulejos do século XVIII e tecto em masseira, com pinturas ornamentais com pequenas composições religiosas. A cozinha com chaminé e lavadouro de pedra, assinalam-se pelo revestimento total de azulejos de figura avulsa, do século XVIII.