JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Leiria

Leiria

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Souto da Carpalhosa e Ortigosa

Eulália Rodrigues Crespo Duarte

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. -Durante muitos anos a Freguesia de Souto da Carpalhosa e Ortigosa teve o sector primário como sector dominante. Esta é uma Freguesia rural e o Agromuseu Municipal D. Julinha no lugar de Ortigosa, inaugurado no dia 27 de Junho de 2009 é um espaço museológico que resulta da intervenção levada a efeito pela autarquia nas instalações da antiga Casa Agrícola Pereira Alves de Matos Carreira, conhecida por “Casa Saudade” e que foi doada ao Município por D. Maria Leonilde Pereira Alves Carreira, conhecida por “Dona Julinha”, com o objetivo essencial de garantir a preservação da memória e vivência do património rural, tornando-o acessível à comunidade e sendo um ponto de referência turístico na Freguesia.
A Freguesia possui um vasto património histórico bastante relevante nomeadamente as Igrejas Matriz do Souto da Carpalhosa que foi edificada em 1602 e as imagens que adornam os alteres são, na sua grande maioria obras do escultor Guilherme Thedim. Juntamente com a Igreja devemos também realçar a escadaria no adro envolvente, formam um belo conjunto arquitetónico.
A Igreja Matriz de Santo Amaro deriva da primitiva construção de uma Capela, em 1610. Para além do altar-mor, possui dois altares laterais e dois colaterais, onde outrora os padres davam o sermão. A imagem do Padroeiro data do século XVI.
A par das Igrejas Matriz realçamos a importâncias de todas as restantes igrejas existentes na Freguesia.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. -Podemos afirmar que o período mais conturbado na nossa freguesia está atualmente ultrapassado. Por volta de 2011 a crise que afetou seriamente o país, inevitavelmente afetou a nossa freguesia, particularmente empresários da área da construção civil. Contudo, como disse, o foco maior está ultrapassado. Por outro lado, existem casos pontuais de pobreza que procuramos dar o devido acompanhamento, particularmente em termos de apoio social, pois contamos com a colaboração de uma Técnica Superior de Serviço Social na Junta de Freguesia.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J. -Na minha opinião, o flagelo da violência doméstica no nosso país é deveras assustador. Nos dias de hoje, com tamanho fluxo de informação, preocupa-me ouvir falar em jovens adolescentes que sofrem violência no namoro, tanto psicológica como física, e consideram esses atos com naturalidade. Penso que desde cedo deve haver uma intervenção de sensibilização mais incisiva e igualmente melhorar o acompanhamento e proteção das vítimas.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. -Felizmente, não temos reflexo de situações destas na nossa freguesia.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. -Os tempos mudam e por consequência mudam-nos. Socialmente falando surgem atualmente cenários de violência e conflito que há uma década não existiam ou eram muito pontuais. Penso que a transmissão de valores e princípios desde cedo está um pouco desconsiderada comparativamente há algum tempo.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. -O facto de esta ser uma freguesia rural, faz com que não seja tão visível essa falta de apoio ou por vezes mesmo abandono, como vemos nalguns casos. Existe um acompanhamento por parte das famílias, umas vezes melhor do que outras, é certo. Por outro lado, também temos conhecimento de casos de indivíduos sem família ou sem qualquer tipo de apoio, e aí a Junta de Freguesia procura ter um papel canalizador e de acompanhamento do caso no sentido de procurar soluções junto de entidades competentes procurando dar respostas sociais que possam proporcionar uma melhor qualidade de vida aos utentes.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. -Dotar todos os lugares da Freguesia com Saneamento Básico. Neste momento temos cerca de 50% dos lugares com saneamento e alguns lugares em fase de conclusão.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. -Área da Educação sem dúvida é uma preocupação, pois deparamo-nos com escolas a encerrar por falta de crianças. Considero que um Centro Educativo neste momento seria bastante viável.
Área da Saúde, a necessidade de melhorias na saúde e neste caso a construção de uma Unidade Familiar na Freguesia.
Área Florestal, a Charneca do Nicho que tem uma dimensão de cerca de 163 hectares e que necessita de intervenção urgente.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. -É uma Freguesia em constante desenvolvimento.
A Zona Industrial existente é de extrema importância para a fixação de novas indústrias, criando cada vez mais emprego e fixação de população.
Por tal será uma Freguesia que no futuro será ainda melhor para viver e trabalhar.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. -Realçar a União e a importância desta na nossa União de Freguesias. Ao investir nesta Freguesia contar-se-á com todo o seu potencial nos mais diversos sectores.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. -Estável, mas igualmente delicada, como em qualquer autarquia.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. -A Câmara Municipal de Leiria e as Juntas de Freguesias do município cultivam uma relação de proximidade e estreita relação, pelo que o apoio dado vem sempre ao encontro das necessidades.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. -Uma mensagem de confiança e de melhoria na qualidade de vida. É esta a prioridade para os nossos fregueses.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. -É sempre uma gestão difícil mas ao mesmo tempo desafiante. O importante é saber conciliar.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. -Votos de muito sucesso e continuem a dar a conhecer as autarquias deste país.

Eulália Rodrigues Crespo Duarte

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