JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Leiria

Leiria

Entrevista da Presidente da Junta de Freguesia de Monte Redondo e Carreira

Céline Gaspar

J.A. – Valoriza o setor primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O setor primário na nossa Freguesia tem uma relevância significativa, sobretudo pelo facto de termos na nossa paisagem os campos do Lis, localização importante do setor primário do concelho de Leiria, assim como a produção de madeira que caracteriza a nossa Freguesia. Hoje assistimos a um aumento significativo de novos e jovens agricultores que têm vindo a renovar a vida dos nossos campos. O turismo é um setor com pouca relevância, atualmente, na nossa Freguesia, sendo que o alojamento local começa a ter alguma expressão, ainda tímida, mas que consideramos poder crescer devido à excelente localização da Freguesia (11 km da praia do Pedrógão e apenas 20 km da cidade) e às suas características rurais com "pinceladas" urbanas importantes.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza. Como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- Os casos de pobreza são acompanhados pela Conferência São Vicente Paulo com o apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Leiria, sempre que solicitado. Não reconhecemos um aumento significativo de casos nos últimos anos, mas estamos certos de que existe alguma pobreza escondida e, enquanto instituição pública, estamos atentos e disponíveis para colaborar, dentro das nossas competências, para melhorar as condições de quem se encontra nessa situação.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- Considero que se torna urgente ter «mão mais pesada» relativamente à análise de queixas e processos de violência doméstica. Penso que ainda existe uma severidade punitiva muito leve da parte dos juízes relativamente à violência doméstica e daí que se assista a um aumento elevado do número de casos. A acrescer a este facto é fundamental que, desde cedo, junto da comunidade escolar, se criem ações junto dos jovens, ensinando-lhes quais os limites de uma relação.

J. A. – A delinquência infantil, tanto no meio urbano como no escolar, é, neste momento, uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Assistimos, de facto, a essa realidade com alguma frequência, o que nos preocupa. Uma vez mais consideramos que a comunidade escolar tem um papel fundamental, mas o seio familiar é fundamental para a questão. Existe um crescente desrespeito de tudo o que o que é público por parte dos jovens e, uma vez mais, considero que a severidade punitiva dos tribunais dos casos identificados não demonstra o quão errado é promover atos de vandalismo e, enquanto assim for, as consequências não permitem aos jovens ter um comportamento de respeito perante o outro e perante a coisa pública. Enquanto órgão público e quando identificada uma situação, tentamos, de facto, chegar junto da família e demonstrar o quão errada é a situação e temos uma atitude pedagógica quanto às situações identificadas, cumprindo o nosso papel enquanto entidade pública.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- No fundo, esta questão prende-se sempre com o facto de a severidade punitiva dos tribunais no nosso país ser demasiado branda em diversos casos e isso leva ao crescimento deste tipo de violência. É fundamental que exista, cada vez mais, coesão nas decisões dos nossos juízes e que reflitam, de facto, a gravidade das situações.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A Junta de Freguesia da União das Freguesias de Monte Redondo e Carreira desenvolve várias atividades dedicadas à população sénior, nomeadamente psicomotricidade sénior e o Almoço de Natal Sénior. Além disso, junto das entidades sociais, acompanha os casos e contribui, dentro das suas competências, para a melhoria das condições dessa população.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Atualmente, a falta de oferta de habitação, quer para aquisição, quer para arrendamento, é um grave problema da nossa Freguesia, porque tem vindo a empurrar os jovens para outras Freguesias e até mesmo para outros concelhos. O investimento privado urge para que se consiga captar a população mais jovem. A eminente construção do Parque Empresarial de Monte Redondo trará, com certeza, ânimo ao investimento privado em habitação. Caso não o faça, as várias opções de ligação à nossa Freguesia (Estrada Nacional 109 e A17) poderão continuar a arrastar os jovens para fora da Freguesia e a diminuição da população intensificar-se-á a curto prazo.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A circulação na Estrada Nacional 109 e na Estrada Nacional 109-9 é uma preocupação significativa. Os constantes adiamentos de investimentos estruturais nestas vias nacionais têm trazido graves perigos de circulação de viaturas e pessoas. Além do piso danificado, não existem coletores pluviais em funcionamento correto nem passeios para circulação segura de peões. A inércia das Infraestruturas de Portugal é de tal ordem que tem contribuído para inúmeras queixas da nossa parte, na sua maioria sem resposta, ou, quando há respostas, são exclusivamente teóricas e sem a solução estrutural necessária.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- A construção do Parque Empresarial de Monte Redondo previsto significará, na nossa perspetiva, um forte desenvolvimento para a nossa Freguesia, pelo que prevemos um futuro muito positivo a todos os níveis. A localização da nossa Freguesia permitirá a instalação de empresas a curto e médio prazo e estamos certos de que o desenvolvimento será transversal em todos os âmbitos.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Se estivermos a refletir sobre as reuniões oficiais com entidades competentes ao nível da gestão governamental, a minha mensagem é a de sermos, de facto, uma Freguesia com potencial de crescimento relevante pela sua excelente localização geográfica. O investimento público é fundamental para atrair o investimento privado e daí ser urgente e fundamental a construção do Parque Empresarial de Monte Redondo para que haja um acordar deste potencial intrínseco. Associado a isso, a nossa Freguesia tem uma dinâmica associativa que permite que, dentro de portas, haja a oferta de inúmeras atividades e eventos que enriquecem socialmente os cidadãos. A somar a esta característica, as escolas da nossa Freguesia têm um reconhecimento não só local, mas também a nível nacional, pelas suas excelentes práticas, mas também pelos seus resultados em ranking nacionais. Investir na nossa Freguesia é, sem dúvida alguma, investir num local com muita potencialidade, quer no setor primário, quer no setor secundário e terciário. A proximidade com algumas das maiores vias de comunicação permite-nos ser a melhor localização para empresas que pretendam servir o sul e o norte do país, oferecendo a quem ali trabalha a possibilidade de estar em 10 minutos na praia ou em 20 minutos numa das melhores cidades do país, Leiria. Temos o melhor de dois mundos: a calma do campo e a oferta da cidade. Estamos certos de que o Parque Empresarial será o motor para o reconhecimento destas qualidades da nossa Freguesia.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Como qualquer freguesia, temos dificuldades financeiras, sobretudo porque as Juntas de Freguesia se substituem, inúmeras vezes, a outras entidades, para que as respostas às necessidades sejam mais céleres, no entanto, cumprimos rigorosamente o orçamento.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal de Leiria, além dos contratos interadministrativos de delegação de competências, apoia as Juntas de Freguesia em diversas áreas, nomeadamente na melhoria do atendimento e assistência à população, com a requalificação dos cemitérios das Freguesias e com apoios ao investimento no domínio privado da Freguesia. Além disso, pontualmente, em cada Freguesia apoia investimentos públicos específicos, cuja necessidade seja eminentemente local.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- À população deixo uma mensagem de esperança para o futuro. Em qualquer circunstância, acreditarmos que o amanhã será melhor é, sem dúvida, o motor da felicidade individual e coletiva. Enquanto autarca posso garantir que quanto ao interesse superior da Freguesia tudo farei para quando estiver próximo de terminar esta caminhada deixar uma freguesia com melhor qualidade de vida. Trabalho e empenho serão sempre a minha prioridade e com os quais podem contar durante todo o meu percurso à frente dos destinos da Freguesia.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Ao fim de uma década ao serviço da autarquia, criam-se ferramentas para que seja mais fácil gerir a vida familiar com as responsabilidades a que o cargo obriga. Não é fácil gerir o tempo e não envolver a família em algumas questões, mas o facto de reconhecerem o compromisso assumido permite que se consiga conciliar os tempos mais facilmente. Às vezes, basta querer. O tempo, desde que seja de qualidade, permite ter uma vida familiar feliz, mesmo com os constrangimentos do cargo público assumido.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Desejo votos de sucesso para o projeto. É fundamental que as Regiões tenham a atenção devida dos órgãos de comunicação social e o Jornal das Autarquias cumpre um papel importante nesta questão e esperamos que assim o possa fazer por muitos e bons anos.

Céline Gaspar

Go top