JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Leiria

Leiria

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Ferrel

Pedro Henrique Lourenço Barata

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia
P.J.- No que toca ao sector primário com maior actividade na nossa freguesia é a agricultura. Do ponto de vista histórico, é a actividade mais antiga. Temos também alguma pesca, que nos dias de hoje é mais diminuta na nossa freguesia atingindo não mais do que dez famílias, mas com uma actividade muito sustentável. Temos outros sectores que também têm grande actividade como a Construção Civil e o mais novo mas talvez com maior crescimento as actividades ligadas ao turismo como a restauração, comércio e serviços e o alojamento local.
O turismo, além de multifacetado continua a crescer. No pico do verão ultrapassa em larga escala a nossa capacidade, pela atractividade natural do local. Além do turismo da natureza e do surf o ponto forte são as praias e a beleza natural que compreende o campo a praia e o mar como pano de fundo. Praias com excelentes condições para surf, como o Pico da Mota, praias desertas, como a Almagreira e a Praia do Baleal que é a Jóia da freguesia e do concelho.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- Felizmente que esta freguesia desde o seu inicio não parou de crescer. Existe naturalmente alguns casos de pobreza, mas são pontuais, felizmente. A nossa versatilidade em termos de actividades económicas gera empregos suficientes para que o desemprego seja muito baixo.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- As causas que estão na origem da violência doméstica como a conhecemos são o seu mediatismo. Penso que já vinha acontecendo ao longo dos anos, hoje é apenas mais badalada. Felizmente que crescem as oportunidades de apoio. A única saída será “mão-pesada” do ponto de vista legislativo.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Infelizmente é verdade. Penso que se deve a dois factores preponderantes. Primeiro ao facto de o acesso a esses “caminhos” estar mais facilitado hoje em dia. Há mais jovens a traficar drogas e menos meios de os castigar. Todas as redes montadas, apesar das investigações, quando são colocadas em tribunal não são devidamente punidas. O segundo factor, penso que se deve a uma vida mais preenchida e stressante dos pais que deixa liberdade aos filhos para seguirem esses caminhos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Como já descrevi atrás, existe muita passividade e leveza por parte do poder judicial.
J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- No nosso caso não é prestado apoio do ponto de vista dos cuidados, pelo facto de ter-mos uma IPSS com excelentes condições e a desenvolver um excelente trabalho. Associação de Solidariedade Social de Ferrel.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Falta de fontes de receitas próprias, sendo essa uma das nossas maiores preocupações. E falta de investimento municipal ao longo dos anos. Resultando na falta de condições básicas que deveriam estar na base do crescimento sustentável. Os maiores são, o abastecimento de água, a rede de saneamento pluvial e de esgotos, a rede viária e o investimento em espaços públicos de qualidade.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J.- As perspectivas dependem sempre do sucesso das decisões e das medidas tomadas. No nosso caso queremos encontrar fontes de receita, investir na limpeza, embelezamento, ordenamento e estabilização dos meios próprios. Do ponto de vista da promoção, as nossas setas estão apontadas para a Cultura aliada a história de Ferrel, por exemplo com a Capital da Luta Contra o Nuclear, obtida em 2018, promovendo o ambiente e a sustentabilidade através da defesa e limpeza das praias e espaços públicos.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Investir nesta freguesia porque do ponto de vista a valorização do património tem perspectiva de crescimento. Do ponto de vista da qualidade de vida, a sua condição geográfica e as suas condições naturais, fazem de Ferrel um destino único.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Por enquanto, extremamente fraca. Fruto de falta de preocupação dos últimos anos.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Neste momento está nos serviços mínimos. Estamos melhor, porque já estivemos na fase de desprezo por parte do município, também nos últimos anos. Continua a ser muito pouco, e no que concerne ao estado geral do concelho, a nossa freguesia é, historicamente, o parente pobre do município.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Que continuam a manter a nossa identidade e que não desistam de querer tornar o que é nosso, melhor e cada vez mais nosso.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Neste momento não estou a conseguir conciliar, a minha família esta a ser seriamente prejudicada. Mas fiz uma escolha e estou concentrado nos objectivos dessa escolha. Se me continuar a esforçar, penso que consiga atingir um estado de maior equilíbrio que me dê alguma disponibilidade para a família.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.- Agradecimento pela oportunidade, parabéns pelo vosso trabalho que eu não conhecia e votos de sucesso e crescimento para que as autarquias sejam mais estudadas e apoiadas pelo estado central.

Pedro Henrique Lourenço Barata

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