JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Leiria

Leiria

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Bidoeira de Cima

Jorge Manuel Vieira Crespo

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - O sector primário, nomeadamente a produção pecuária, é um sector de actividade importante para a nossa freguesia.
No que respeita ao turismo, dada a ausência de unidades hoteleira, edificado histórico ou belezas naturais, não é uma actividade relevante.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. - Felizmente na nossa freguesia o fenómeno do desemprego não é muito expressivo, pelo que, embora havendo algumas famílias com dificuldades financeiras, não estamos perante situações de pobreza muito preocupantes.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J. - O fenómeno crescente da violência doméstica, de que os meios de comunicação social têm noticiado, é extremamente preocupante por estar, na maior parte das vezes, encoberto pela vergonha e não denúncia das vítimas.
A perda de valores e as dificuldades financeira são factores decisivos para que tal flagelo pareça estar em crescendo, destruindo famílias e ceifando vidas humanas.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - Mais um problema que entronca na perda de valores e na destruição das famílias. Na nossa freguesia, felizmente, também ainda não é preocupante embora devamos estar atentos e despertos para o problema.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - Mais uma vez, estamos perante uma situação gerada pela crise de valores que atingiu a nossa sociedade.
Vivemos num tempo em que todos julgamos ter imensos direitos e pouquíssimos deveres...

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - A nossa freguesia, pelas suas características de alguma ruralidade e pequena dimensão, onde todos se conhecem e os laços familiares e de amizade entre vizinhos ainda estão presentes, consegue colmatar as dificuldades inerentes ao envelhecimento da população e da degradação económica que lhe é inerente.
Contudo, porque é uma situação que nos preocupa enquanto autarcas, dinamizamos a existência de uma Comissão Social de Freguesia que, por integrar organismos locais e concelhios de acção social, está atenta e tenta dar resposta aos problemas sociais que são referenciados na área geográfica da nossa freguesia.
Acresce que a nossa IPSS, a CASBI – Centro de Convívio e Apoio Social Bidoeirense, é uma enorme mais valia no apoio à população, seja no apoio à terceira idade, seja no apoio às famílias mais jovens através da gestão de uma creche inaugurada recentemente.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - O maior problema da Freguesia de Bidoeira de Cima decorre da poluição gerada pela indústria de produção suinícola e da inexistência de um sistema de tratamento de efluentes.
As descargas ilegais nos cursos de água e os espalhamentos em solo agrícola executados sem cuidado e ao arrepio da lei, mancham indelevelmente os produtores pecuários e colocam em causa o bem-estar da população bidoeirense.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - A conclusão do saneamento básico na freguesia (estaremos nos 80%), a requalificação de dois edifícios públicos, um para um novo Centro de Saúde e o outro para um espaço multi-facetado que possa acolher exposições, formações, pequenos concertos e até uma “Universidade Sénior” que propicie actividades ocupacionais e novas experiências à população em situação de aposentação, são algumas das necessidades a colmatar num espaço temporal relativamente breve.
Por outro lado, é fundamental que seja encontrada uma solução para a criação de uma Zona Industrial de dimensão relevante, perfeitamente estruturada e que dê resposta às necessidades das freguesia situadas no nordeste do Concelho de Leiria. Só criando condições para captar mais investimento e a criação de novos postos de trabalho, assegurará o futuro destas freguesias.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Se juntarmos a concretização das ambições acima enunciadas à qualidade das infra-estruturas existentes (um renovado Centro Escolar, vias de comunicação em excelente estado de conservação) e um associativismo forte, seremos seguramente uma freguesia com futuro!

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. -Uma mensagem de incentivo e reconhecimento pelo excelente trabalho que desenvolvem em prol da nossa freguesia e da sua população.
Investir na nossa freguesia é um investimento inteligente porque é um investimento com retorno assegurado. Veja-se a procura crescente para aquisição de casas para habitação própria e espaços para instalação de empresas e espaços comerciais.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - A situação económica da nossa freguesia é perfeitamente estável e sem quaisquer dívidas.
Tentamos e conseguimos fazer uma gestão responsável dos parcos recursos que nos são confiados, elencando prioridades e apostando na execução dos melhoramentos que melhor respondam às necessidades da população.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - A Câmara Municipal de Leiria tem uma relação de proximidade e apoio logístico e financeiro perfeitamente definido com as freguesias do concelho. As delegações de competências plasmadas nos contratos inter-admnistrativos e de delegação de competências permitem executar serviços que pela proximidade e agilidade inerentes às juntas de freguesia se revelam de extrema importância para a resolução dos pequenos problemas da freguesia.
Por outro lado, sempre de uma forma aberta e transparente, anualmente somos convidados a definir as prioridades e investimentos que desejamos para as nossa freguesias e, dentro das possibilidades da Câmara Municipal, as “coisas” vão acontecendo!

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Uma mensagem de esperança e confiança no futuro!

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Face ao aumento exponencial das responsabilidades inerentes ao exercício do cargo, só a compreensão e o total apoio da família tornam possível conciliar a vida familiar com as inúmeras solicitações e responsabilidades crescentes da vida autárquica.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Para o Jornal das Autarquias segue uma palavra de apreço para o trabalho desenvolvido em prol do reconhecimento da importância das autarquias e do trabalho dos autarcas. Bem ajam e votos de um futuro risonho!

Jorge Manuel Vieira Crespo

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