JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Leiria

Leiria

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Leiria

Raul Miguel de Castro

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- O setor primário no concelho de Leiria assume grande importância para a economia regional, dado o seu impacto na geração de emprego e riqueza. Estão sedeadas no concelho algumas das mais importantes empresas nacionais do setor agropecuário, em especial das áreas da suinicultura e avícola, sendo que a produção agrícola é igualmente relevante, em especial nos campos do Lis.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.- Felizmente, na área do emprego, o concelho de Leiria foge à regra nacional. A presença de elevado número de empresas vocacionadas para os mercados externos e a forte procura de terrenos para instalação de novas unidades que este concelho regista têm como consequência uma taxa de desemprego muito baixa, comparável à da Alemanha.
A grande dificuldade com que o nosso tecido empresarial se defronta é na captação de mão-de-obra que nesta altura já é insuficiente para fazer face à procura.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.- Obviamente que condenamos totalmente o fenómeno da violência doméstica.
Considero que o trabalho em rede de instituições públicas, movimento associativo, forças de segurança e do próprio cidadão é a solução mais eficaz para a construção de um modelo de ação que estabeleça mecanismos eficientes de proteção e apoio à vítima de violência doméstica.
Todos devemos contribuir para derrubar o muro de silêncio e preconceito que na nossa sociedade ainda amordaça muitas mulheres, homens e crianças, que por medo, vergonha, receio de discriminação, ou qualquer outra razão, são incapazes de pedir ajuda.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação
P.C.- Consideramos que este é um fenómeno preocupante e que exige a adoção de estratégias multidisciplinares de intervenção, que devem envolver a família, a escola e a sociedade como um todo.
Defendemos que o trabalho de prevenção deve começar o mais cedo possível, no sentido de dotar as crianças e jovens de informação e ferramentas de modo a que possam desenvolver uma identidade que os ajude a construir defesas em situações de assédio para comportamentos de delinquência.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- O Município de Leiria construiu uma rede de respostas no sentido de prestar apoio às franjas mais vulneráveis da nossa população, construídas com base no diagnóstico social do concelho.
Desenvolvemos um serviço de teleassistência para apoiar a nossa população sénior que vive em situação de isolamento, temos um programa de apoio à aquisição de medicamentos, criámos a Academia Sénior com o propósito de promover o envelhecimento ativo, temos as Classes de Mobilidade com o objetivo de promover a mobilidade, a autonomia funcional, a interação e, sobretudo, atenuar situações de isolamento e solidão da população idosa institucionalizada através da atividade física de conjunto, em lares e centros de dias.
Temos, por fim, o Programa “Novas Primaveras”, em parceria com as Juntas de freguesia e as Instituições de Solidariedade Social, desenvolvido pela Sociedade Artística e Musical dos Pousos, dando a possibilidade aos idosos de participarem ativamente em iniciativas no âmbito da música, dança e teatro.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- O Município de Leiria está apostado em afirmar Leiria como um dos mais atrativos e dinâmicos concelhos do país.
Encaramos os problemas que nos surgem como oportunidades de crescimento e de mobilização, numa estratégia de elevação do nosso nível de competitividade territorial.
Está em curso uma verdadeira revolução neste concelho, que vai mudar decisivamente Leiria para melhor.
Posso enumerar alguns exemplos de projetos em curso que terão um forte impacto ma melhoria do nível de qualidade de vida dos leirienses: a construção de um novo jardim às portas de Leiria já em marcha, a instalação da Loja do Cidadão no centro da cidade, a construção do Centro d’Artes Villa Portela, a construção de um Centro de Negócios no Topo Norte do Estádio, a requalificação do mercado Municipal, a requalificação do castelo de Leiria e construção de acessos mecânicos a este monumento, a construção do primeiro pavilhão desportivo inclusivo do país, o alargamento da rede de ciclovias, a requalificação das principais artérias da cidade, ou a criação de zonas industriais nas áreas menos desenvolvidas do concelho.
Para a execução destes investimentos, o Município pretende aproveitar todas as oportunidades de financiamento concedido pela União Europeia, uma estratégia aliada a uma rigorosa gestão dos recursos ao dispor do Município, que nos permitiu, nos últimos nove anos, retirar o Município de uma situação de enorme fragilidade financeira.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- O Município de Leiria está a trabalhar no sentido de melhorar as condições existentes para a instalação de empresas no concelho, nomeadamente através da criação de novas zonas industriais, de que é exemplo a Zona Industrial de Monte Redondo.
Um dos obstáculos à instalação de grandes empresas tem sido a falta de terrenos disponíveis para o efeito. Com a revisão do PDM foram criadas condições para o desenvolvimento de zonas industriais que permitirão a instalação de novas empresas. E não se trata apenas de grandes empresas, mas também pequenas e médias empresas, respondendo ao grande dinamismo empresarial desta região.
Além desta aposta ao nível das infraestruturas, destacamos a criação de um espaço para acolhimento de startups no edifício do Mercado Municipal após a realização de obras de reabilitação, e a construção de um centro para instalação de empresas na área das TICE – Tecnologia, Informação, Comunicação e Energia - no topo norte do estádio Municipal.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- No Município de Leiria damos uma especial atenção à área do ensino, por entendermos que é fundamental que esteja dotado de ferramentas para garantir a universalização do acesso a uma educação de qualidade, sendo ao mesmo tempo capaz de dedicar uma atenção especial àqueles que, tendo capacidades acima da média, não se encontram no contexto mais favorável para o desenvolvimento das suas potencialidades.
Foi com este propósito que desenvolvemos o novo Projeto Educativo Municipal para o período 2018-2021, cuja elaboração contou com um conjunto alargado de contributos de toda a comunidade educativa.
Consideramos que só teremos sucesso na nossa estratégia de afirmação de Leiria se trabalharmos em rede com todas as instituições do concelho.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- A redução dos níveis de endividamento, no sentido de garantir o equilíbrio financeiro, tem sido uma constante na gestão deste executivo verificando-se, nos últimos nove anos, uma diminuição de 70%. O prazo médio de pagamento a fornecedores era em 2009 de 121 dias, sendo atualmente de apenas cinco dias.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- O Município de Leiria trabalha em estreita colaboração com as Juntas de Freguesia, a que reconhecemos grande capacidade de trabalho e de utilização eficiente de recursos. Tem sido política deste executivo uma aposta na transferência de competências, acompanhada das respetivas dotações financeiras, como reconhecimento da capacidade de gestão dos eleitos das nossas freguesias, que, pela proximidade à população, têm um conhecimento profundo das necessidades e maior agilidade na articulação de respostas.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- É um grande desafio. Só com muita energia, entusiasmo, determinação e compreensão familiar é possível conciliar esta exigente missão com a vida familiar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Que continuem a informar de forma isenta sobre a realidade das autarquias portuguesas e sobre o importante papel que desempenham no desenvolvimento equilibrado do país.

Raul Miguel de Castro

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