JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2018 - Nº 126 - I Série - Guarda e Castelo Branco

Guarda e Castelo Branco

José Guerreiro

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Unhais da Serra

José Guerreiro

J.A.- Tendo havido alteração nos resultados eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- Os atos eleitorais servem para isso mesmo. Cabe aos eleitores decidirem quem querem ver à frente dos desígnios das suas freguesias e sedes de concelho.
Normalmente, quando se administram as autarquias com honestidade e competência, o eleitorado renova a confiança nos autarcas. Cada autarca pode recandidatar-se a três mandatos consecutivos. Em minha opinião deveriam ser limitados a dois, por muito bom que seja o trabalho à frente da autarquia.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- É tarefa da competência do Governo. Uns atribuem maior importância a um setor da vida publica, outros a outro. O atual Governo está a fazer um bom trabalho. “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, tal com é muito difícil “agradar a gregos e troianos”.
Todos nós queremos a brasa na nossa sardinha, mas há que pensar em todos e melhorar-lhes a qualidade de vida. O Governo deverá preocupar-se em aumentar o salário mínimo. Trabalhamos com o intuito de ganharmos cada vez mais na ambição de vermos melhorada a nossa qualidade de vida.
Quando há aumentos salariais não deveriam ser percentuais mas sim distribuídos equitativamente por todos uma vez que quando nos deslocamos ao mercado, os géneros tanto custam a quem levou 50 euros de compras como àquele que levou 5 euros.

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.J.- Se não tivesse acontecido esta tragédia provavelmente estaríamos todos sentados no sofá, uns a ver novelas e outros jogos de futebol. Quando nos alertam para os problemas que são do nosso quotidiano mudamos de canal porque são programas maçudos.
A mudança na nossa maneira de encarar os problemas tem de começar nos bancos da escola.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- Pessoalmente assisto a um esvaziamento da população na minha freguesia. Nos anos oitenta Unhais da Serra tinha cerca de 3000 habitantes. Atualmente tem cerca de 1500.
No ensino primário, com seis salas em desdobramento, eram cerca de 140 crianças. Hoje, na pré-primária e primária são 34.
Interior? Sinceramente não. Acumular pessoas no litoral não é a política correta. A extensão do país onde se pode criar riqueza agroalimentar, industrial, florestal e até mesmo qualidade de vida é no interior.
Se nos derem as mesmas ferramentas que dão ao litoral, vias de comunicação, entre outras, para que a proximidade seja uma realidade, seguramente que a diferença entre interior e litoral será reduzida. Não se justifica que uns meros 50 ou 60 quilómetros de estrada necessitem de duas horas ou mais de viagem como acontece na ligação da nossa freguesia a Coimbra. Além do desgaste, são oportunidades e tempo perdido que não é rentabilizado.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- Mais uma vez um provérbio. “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.” Voltamos à questão dos bancos da escola ou mais ainda ao seio das famílias. Estas questões passam essencialmente pela nossa formação. Para quê tanta violência gratuita nos canais televisivos que nos entram todos os dias em casa? Será que temos de ouvir ao longo da semana a mesma informação de violência vezes sem conta?
Pessoas ocupadas e realizadas provavelmente não têm apetência para a violência.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Referia na questão anterior que não precisamos que os canais de televisão nos massacrem durante uma semana com a mesma notícia de violência. Hoje a Maria foi espancada, oito dias depois ouço a notícia de que a Maria tinha sido espancada. Se não estiver atento vou deduzir que houveram vários casos de violência.
Não, não à violência seja de que espécie for. Nem física nem psicológica.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- A freguesia conta com um Centro Social e Cultural (Santo Aleixo) que dá apoio a quem a ele recorrer. Tem disponíveis atividades ocupacionais, apoio domiciliário, internamento entre diversas outras valências.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- A fixação de jovens. O emprego tem de ser bem remunerado para cativar a juventude.
A oferta local traduz-se na industria têxtil, hotelaria, construção civil ou comércio que são atividades remuneradas na base do salário mínimo. Quem quer construir família dificilmente se fixa na zona.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- As vias de comunicação são fundamentais. Conforme nos levam assim nos trazem. A proximidade é um fator de progresso. Em linha reta estamos a pouco mais de 50 quilómetros de distancia do litoral, pelas estradas atuais são cerca de duas horas.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Apostamos num futuro risonho. Na conclusão do acesso ao maciço central da Serra da Estrela. São treze quilómetros de Unhais da Serra à Nave de Santo António, falta apenas a requalificação de dois quilómetros, que tarda em ser terminada. A possibilidade de ligação por teleférico também ao maciço central da Serra da Estrela. Pretendemos igualmente a marcação de diversos percursos pedestres para atrair ainda mais turistas à nossa vila.
O IC6, de ligação até Coimbra, também seria muito bem-vindo na freguesia.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- A regionalização poderá ser uma mais valia. A freguesia gera riqueza, indústria, turismo e produção energética. Gera igualmente receita proveniente dos impostos. Mas todas as freguesias acabam por ser pedintes. As receitas geradas na área da freguesia deveriam permanecer na administração local.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A Câmara apoia dentro das suas possibilidades, mas a verdade é que quando se é da mesma cor política se têm mais possibilidades.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- O nosso lema sempre foi o de que a freguesia é de todos. E o Executivo tem a obrigação de zelar pelos interesses dos seus eleitores. Mas todos têm o dever de colaborar e esta é a única maneira de engrandecer o património que pertence a todos.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Muitas são as vezes em que a família em casa é que espera porque a família dos eleitores é bem mais numerosa.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- A comunicação escrita, verbal ou gestual é um processo de entendimento, muitas vezes mal interpretado.
Como seres inteligentes que somos não devemos ter medo da verdade. Pode ser dura mas acima de tudo a verdade, doa a quem doer.

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