JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2018 - Nº 126 - I Série - Guarda e Castelo Branco

Guarda e Castelo Branco

Carlos Manuel Figueiredo Viegas

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro - Manteigas

Carlos Manuel Figueiredo Viegas

J.A.- Tendo havido alteração nos resultados eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- Ingressei nas lides Autárquicas com as eleições de 2013, tendo sido eleito Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro – Manteigas, pelo P.S.
Nas eleições de 2017 obtive maioria absoluta, ou seja, a responsabilidade aumentou muito, uma vez que os eleitores acreditaram num projeto para a Freguesia de São Pedro de Manteigas e me reconduziram no cargo, agora com uma equipa mais consistente, os Fregueses de São Pedro têm mais legitimidade para exigirem mais de nós, o que me parece muito bem.
Estamos para servir e não para ser servidos.
As lides Autárquicas devem ser para promover o respetivo território e gentes habitantes, nunca para autopromoção ou conquista de outras mais valias pessoais.
Já estamos no terreno desde a tomada de posse, a nossa população já constatou isso mesmo, quatro anos passam muito rápido, pelo que temos de ser céleres e eficazes a fazer o que nos propomos, assim como, colmatar na medida das possibilidades as necessidades com que nos vamos deparando.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- Quero referir-me apenas aos efeitos do OE na minha Freguesia.
Fala-se há muito na delegação de mais competências do Governo nas Autarquias,
nomeadamente nas Câmaras Municipais e destas nas Juntas de Freguesia, o que me
parece bem, pelo que desejava ver no OE para 2018 mais competências para a Junta
de Freguesia e mais dinheiro também, mas mais uma vez não foi esta a realidade.
Está mais que provado e demonstrado que as Juntas de Freguesia conseguem fazer
mais e mais barato, mas precisamos que nos seja dada a competência e respetiva
componente financeira.
O nosso fator de proximidade à população, pelo conhecimento próprio e de causa que
obtemos, permite-nos e obriga-nos a uma intervenção muito mais casuística e eficaz
nas ações necessárias, em detrimento de ações mais vastas e por vezes desnecessárias.
Contudo, o Orçamente de Estado é o que é, pelo que iremos fazer o melhor que
sabemos e podemos, de modo a melhorar as condições da nossa população residente e
de quem nos visita.

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.J.- O Município de Manteigas, logo a Freguesia de São Pedro também, está totalmente inserido no Parque Natural da Serra da Estrela, rico em floresta de várias espécies autóctones e não autóctones, com uma paisagem maravilhosa e única no nosso país, que fazemos questão de preservar e tratar bem, com a preciosa colaboração dos nossos Sapadores Florestais, que fazem um excelente trabalho de limpeza e manutenção dos espaços arborizados no inverno, assim como desenvolvemos um trabalho de vigilância e prevenção de incêndios na época de verão, de modo a que uma tragédia igual à de Pedrogão Grande não nos atinja.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- Continuando o desenvolvimento da questão anterior e complementando com esta, a
Junta de Freguesia contrata pessoas para fazer os trabalhos necessários na área
urbana da Freguesia, assim como para colaborar na limpeza e manutenção da
floresta em território baldio, atenuando assim o possível malefício de um incêndio,
ajudando simultaneamente a população, garantido ordenados aos funcionários.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- É uma questão que terá uma resposta muito vasta. Vários fatores podem estar na origem da violência doméstica, a falta de estabilidade financeira sentida pelas famílias, talvez também pela falta de empregos, poderá provocar grandes distúrbios emocionais que envolvem a família, alterando os comportamentos das pessoas.
Outro fator que acho ser de primordial importância, é a falta de cultura social e respeito mútuo. Devemos respeitar a opinião ou postura dos outros, sem querermos a todo custo impor a nossa. Não existe um teimoso sozinho, quando a teimosia é levada ao extremo pode levar à violência doméstica.
A competição exacerbada a que todos os dias estamos obrigados, para fazermos mais, para produzirmos mais, para sermos melhores que o colega de trabalho que também está a lutar pela promoção ou pelo posto de trabalho, para socialmente aparentarmos ser melhores que o vizinho, para gananciosamente querermos ser mais que o parceiro do lado, poderá levar a distúrbios psicológicos e mentais que facilitam a violência doméstica, pois é em casa que nos sentimos na nossa zona de conforto e onde de alguma maneira, podemos mais facilmente impor a nossa vontade e descarregar a nossa frustração, que pode ser aceite ou não pelo outro, gerando-se de imediato o conflito.
Estou convicto que as causas embrionárias da violência doméstica são a falta de educação, falta de respeito, falta de entendimento, falta de saber viver em comunidade e parceria, quem não sabe viver em comum deve viver só, assim não há violência doméstica.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A violência gratuita resulta da falta de formação cívica, falta de respeito para com o próximo, falta de cultura e educação social, não saber viver em comunidade; deve ser reprimida da mesma maneira.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- Diretamente, prestamos todo o apoio social, e prestação de serviços gratuito necessário e possível, condicionados que estamos às autonomias e competências legais.
Indiretamente, apoiamos todas as associações do Concelho de Manteigas, para que estas de alguma forma também possam colaborar no apoio a toda a população, desde os mais novos aos mais idosos.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O nosso principal foco de preocupação é o bem estar do ser humano, pelo que o maior problema que temos é a inserção das pessoas em idade ativa no mercado de trabalho, assim como as condições socias e humanas dos mais idosos que normalmente são os mais carenciados.
De modo a combater estas situações, estamos atentos e interventivos em tudo o que legalmente nos é possível, de modo a atenuar estes constrangimentos dos nossos Fregueses.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Criação de um parque industrial, com a necessária implantação de empresas; recuperação do edifício da nossa escola do 1º ciclo; melhores e mais rápidas vias de acesso rodoviário, nomeadamente a abertura do túnel para a Covilhã com ligação à A23, assim como um túnel para Seia/Gouveia com acesso à A25, numa perspetiva de maior rapidez na mobilidade dos residentes, assim como num mais rápido e cómodo acesso ao Maciço Central da Serra da Estrela por parte dos Turistas, pois são estes que no futuro poderão dar a Manteigas um grande impulso económico.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Os Manteiguenses são por natureza resistentes e resilientes, pelo que tenho esperança que o futuro nos trará melhores condições a todos, após uma crise profunda na industria de lanifícios que afetou a Freguesia, o que obrigou muitos dos residentes a terem de procurar modo de vida por outras paragens estrangeiras e nacionais.
Contudo, ultimamente, já se nota o retorno das pessoas à sua terra natal, pessoas estas em idade ativa e com ideias impulsionadores, a qualidade de vida em Manteigas é inigualável, pelo que as pessoas estão a valorizar cada vez mais este fator endógeno, por isso acredito que a recuperação está aí e o futuro já está a ser melhor hoje.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- Boa.
Não temos qualquer tipo de crédito bancário e/ou financeiro. Não temos qualquer tipo de dívida. Satisfazemos todos os pedidos que nos chegam. Apoiamos tudo e todos os que nos solicitam. Apoiamos incondicionalmente todos os eventos culturais, sociais e desportivos no Concelho. Apoiamos todas as Associações da Freguesia, assim como algumas fora da Freguesia de São Pedro que têm um cariz mais social. Trabalhamos com dinheiros próprios. Pagamos aos nossos fornecedores a pronto com prazo inferior a dez dias. Transitamos de ano com saldo bancário positivo. Estamos de perfeita saúde financeira.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta à junta de freguesia?
P.J.- O relacionamento pessoal e institucional com a Câmara Municipal de Manteigas é bom, pelo que vamos obtendo o apoio logístico que solicitamos.
Recebemos também a verba correspondente à delegação de competências ao abrigo do Decreto Lei 75/2013 de 12 de setembro, ocorrida no ano de 2016.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Uma mensagem de confiança, de apoio, de solidariedade, de presença no lugar da dificuldade. Tal como já referi anteriormente em outras circunstâncias, por isso não será novidade, reitero que, “não fomos eleitos para sermos servidos, mas sim para servirmos”. Colaborem connosco, exigindo de nós.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Por vezes é bastante difícil e complicado, mas com sacrifício e dedicação à causa, tudo se faz, nomeadamente com o sacrifício familiar da esposa e dos filhos, que na verdade são aqueles que mais sofrem pela ausência, pelos incómodos, pelos aborrecimentos, pelos desabafos que por vezes também temos necessidade de ter. Mas com o apoio prévio, continuado e incondicional da família, tudo se faz. Não tenho número de eleitores suficientes para ser Presidente da Junta a tempo inteiro, nem tão pouco a meio-tempo, mas temos de ser autarcas no exercício da atividade a tempo inteiro. São estas as contingências, é assim que temos de trabalhar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Parabéns por esta vossa iniciativa e atitude. Continuem a divulgar as Freguesias, deste modo exemplar. Estais no bom caminho.

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