JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2018 - Nº 126 - I Série - Guarda e Castelo Branco

Guarda e Castelo Branco

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Cótimos

Verónica Simão Rebelo

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- Os resultados eleitorais autárquicos de 2017, foram uma sequência dos resultados das Eleições legislativas e marcaram a mudança do paradigma político, passando de uma austeridade desmesurada para uma racionalidade política, económica/financeira e social, com reflexos positivos na sociedade em geral.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- O Orçamento do Estado para 2018 assenta sobretudo num programa de estabilidade e na reposição dos rendimentos retirados aos portugueses. O crescimento económico assenta no aumento do poder de compra e do consumo interno, bem como das exportações das PME´s que apostaram na tecnologia de ponta. (No valor do poder de compra ser maior contribuindo assim para o crescimento económico do país.) Apesar disso muita coisa tem ainda que ser feita no nosso país, principalmente nos ministérios da educação, da saúde, segurança social, justiça….

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.J.- O relatório veio realçar falhas em quase tudo no que respeita ao combate aos incêndios, comprometendo praticamente todas as entidades envolvidas. Esperemos que isto sirva de lição para os que governam e para todos nós.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- No nosso concelho não existe muita empregabilidade nem oferta de novos postos de trabalho, as pessoas procuram melhores condições de vida fora, afectando assim todo o concelho e naturalmente a minha freguesia. Esperamos que a Câmara Municipal consiga inverter esta situação, apoiando a fixação de empresas e aumentando a empregabilidade. A fixação de empresas nos Concelhos do interior sempre foi uma dificuldade sentida pelos Autarcas Locais, persistindo as assimetrias entre o Interior e o Litoral, com prejuízo para o interior. Este é um dos principais fatores da Emigração jovem, que procura melhores condições de vida no estrangeiro, fazendo-se sentir um défice demográfico nos nossos concelhos, tornando-se os mesmos muito envelhecidos. O défice de juventude e população ativa é uma das preocupações sentidas por todos os autarcas destas regiões do interior.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- As dificuldades económicas/financeiras dos últimos anos, da “troika” poderão estar direta e indiretamente ligados aos problemas socio-familiares. O encerramento de inúmeras PME’s, levou ao aumento do desemprego, muitas vezes de ambos os cônjuges, tendo-se refletido em problemas conjugais, nos filhos, nos pais, avós, no seio de toda a família. A pobreza, o desemprego, o agravamento das desigualdades, são causas que, no meu entender levaram a um aumento da violência domestica.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A ausência de transmissão de valores morais e éticos que a nossa sociedade infelizmente não está a conseguir passar às gerações mais novas poderá estar, a meu ver, na base do aumento da violência. Por outro lado, a “falta de tempo” dos pais, dos avós, poderá condicionar a educação dos filhos/netos, relegando essa tarefa para os Serviços Escolares, ATL’s, centro de estudos. O tempo de interação entre os núcleos familiares é cada vez mais reduzido, em prejuízo para a educação formal e informal dos nossos educandos, podendo estar na base do aumento desta violência, muitas vezes gratuita de todos os intervenientes da nossa sociedade.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- Não temos programas próprios nesta área, mas cooperamos com outras instituições, nomeadamente com o centro de dia da aldeia e também com um espaço de convívio e lazer. Também procuramos cooperar na resolução de problemas ao nível de pequenas obras na habitação, geralmente da comunidade idosa, na articulação com os diversos Serviços Públicos, nomeadamente preenchimento de documentos administrativos, ajuda no preenchimento do IRS, ajuda na leitura dos Contadores da água, da Luz, do telefone. Enfim, tratando-se de uma comunidade muito idosa, procuramos apoiar em tudo o que nos é possível e sempre que nos é solicitado.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O envelhecimento da nossa população e a ausência de jovens que se queiram fixar na freguesia. A falta de espaços públicos também é uma condicionante ao desenvolvimento da freguesia, não só espaços de convívio como também espaços para construção urbana/habitacional. Muitos agregados familiares debatem-se com problemas para construírem uma residência habitacional, visto que não existe qualquer complexo urbano para novas construções nesta freguesia.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Somos uma freguesia que felizmente recebe muitas organizações e pessoas que nos procuram para as mais diversas actividades ao longo do ano e por isso torna-se urgente a construção de um pavilhão que satisfaça as necessidades dos residentes e das pessoas e das organizações que nos procuram. Também a obra de ampliação do Cemitério é de extrema importância, visto que, atualmente não dispomos de espaços livres que nos permitam responder às necessidades da nossa população. Exemplo disso é a inexistência de espaço para construção de jazigos, muito requisitados pelos munícipes. Também nos debatemos com a preocupação constante, da recuperação dos monumentos históricos, dos espaços religiosos, dos espaços lúdicos da freguesia. A título de exemplo, o Executivo colaborou, num passado recente, com a fábrica da Igreja, nas obras de reestruturação desta Igreja de Cótimos. Também o monumento da Nª Srª de Fátima merece a nossa preocupação, existindo um esboço de reestruturação e melhoramento do espaço, anualmente visitado por inúmeras pessoas. A capela da anexa A-dos-Ferreiros é também uma das nossas preocupações e terá de ser intervencionada ao nível da reestruturação do telhado, num futuro próximo. Ao nível da recuperação dos monumentos históricos, importa referir a preocupação do Executivo, em relação às obras de recuperação da Ponte Romana da ribeira de Cótimos. Esta obra foi inserida vários anos no Orçamento do Município de Trancoso, não tendo, até há data, merecido o devido financiamento. Também os espaços lúdicos da freguesia merecem a nossa devida atenção e preocupação constante, sendo exemplo disso, a renovação do parque infantil, do mobiliário urbano, da manutenção dos espaços verdes. Pretendemos também requalificar toda a Serra de S.Pedro, os seus acessos o miradouro aí existente, assim como fazer a pavimentação da estrada municipal 595 da ponte romana até ao limite do concelho (serra de São Pedro), uma das piores estradas do concelho… Temos em estudo a reestruturação do polidesportivo, estando bem encaminhada uma parceria com uma das Associações Desportivas da Freguesia, para a execução dessa obra. A construção de uns sanitários públicos é também fundamental para suprir as necessidades das pessoas e organizações que escolhem a nossa freguesia para a realização de várias actividades lúdicas e culturais. Como podem ver, as preocupações são muitas, para tão parcos recursos e neste âmbito, contamos com a flexibilização financeira do Município de Trancoso, que também tem procurado estar atento às necessidades da nossa população, não ao nível dos grandes investimentos mas ao nível da cedência de recursos humanos para manutenção dos espaços e cedência de máquinas para limpeza de caminhos rurais. Contamos, no decurso do presente mandato, ser contemplados com um maior apoio financeiro do Município de Trancoso, para execução de alguns dos projetos supra referidos.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- A freguesia de Cótimos, conta ainda com um movimento associativo muito dinâmico, e o Executivo procura apoiar as iniciativas desse Associativismo, colaborando dentro das parcas possibilidades logísticas e financeiras. Esta, como as restantes freguesias deste Concelho pretende, acima de tudo, contribuir para a solução dos problemas diários dos nossos habitantes, apostando na qualidade de vida dos mesmos. A título de exemplo, salientamos o esforço que o Executivo fez, na reconversão do Espaço da antiga Escola Primária, no qual montou um ginásio destinado essencialmente à população idosa da freguesia e que no seu auge, deu resposta não só à nossa freguesia, como também aos interessados das freguesias limítrofes, levando o executivo à celebração de um Protocolo com uma das Associações da freguesia, que procedeu à contratualização de Técnicos especializados, fisioterapeutas e Técnicos de apoio a este Serviço. Ou seja, procuramos conhecer as necessidades da população e tudo fazer, para suprir as suas necessidades.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- Com uma situação financeira estável, sem dívidas, com vários projectos em mente mas com a diminuição constante do FEF às Juntas de freguesia é muito difícil fazer-se o que quer que seja, o orçamento é muito limitado, dificultando a execução de projetos com custos financeiros mais elevados, ficando dependentes do apoio do Município de Trancoso, para a sua execução.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A câmara municipal tenta apoiar dentro das suas possibilidades as juntas de freguesia. Apoia com Recursos Humanos, no âmbito da manutenção e limpeza dos espaços verdes, do largo do rossio, dos arruamentos urbanos, bem como com a cedência de maquinaria pesada, na manutenção dos caminhos rurais.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- A nossa prioridade são as pessoas, as suas preocupações e necessidades por isso estaremos cá para trabalhar com eles e para eles. Ainda que o nosso horário de atendimento se confine aos fins de semana, eles sabem que podem contar com este executivo, sempre que necessário.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Não é fácil de gerir, candidatei-me porque tinha o apoio da minha família e porque gosto é claro da vida política, mas principalmente porque quero ajudar os meus concidadãos que me elegeram. Evidentemente que esta é uma vida totalmente diferente daquela que estava habituada, muito absorvente e desafiante. É um desafio e uma aprendizagem constantes.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Obrigada em primeiro lugar pelo convite e pela oportunidade de nos pronunciarmos. Penso que esta iniciativa é uma mais valia pois permite dar a conhecer um pouco das preocupações, dificuldades e ambições das juntas de freguesia. É uma oportunidade dos Autarcas das pequenas freguesias fazerem sentir a sua voz, os seus anseios, as suas necessidades, bem como dar a conhecer o trabalho realizado por estes

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