JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Março 2019 - Nº 137 - I Série - Coimbra

Coimbra

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Unhais-O-Velho

José Batista Marcelino

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O sector primário na nossa Freguesia caracteriza-se essencialmente pela agricultura de subsistência, pelo que vamos verificando a existência de alguma população com dinamismo nesse sector. Relativamente ao turismo, é certamente uma das nossas grandes apostas, uma vez que dispomos de características únicas no domínio da Natureza, Percursos Pedestres, Rios e Qualidade da Água, bem como o nosso Património Religioso.

J.A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como estáessa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- A questão do desemprego está de algum modo mitigado na nossa Freguesia. Aliás, muitas vezes temos dificuldade em encontrar recursos humanos para as diversas atividades comerciais ou industriais da nossa Freguesia.

J.A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- No meu entender, e pelos dados disponibilizados, não há aumento da violência doméstica. Há sim, mais divulgação e comunicação dessas infelizes noticias. Ainda assim, nestas regiões do interior (em especificas, as da minha Freguesia) tal não tem sucedido. O que muito nos apraz registar.

J.A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Fruto das novas redes sociais (net)é um facto que a delinquência infantil tem registado situações anómalas. Para tentar colmatar situações dessas, é essencial o acompanhamento parental, o que nem sempre se verifica. Felizmente nestas regiões ainda verificamos a presença ativa e acompanhamento dos pais, fruto de alguma disponibilidade de tempo que vão tendo, ao invés de outros que perdem parte do seu dia, em filas intermináveis de trânsito, faltando assim tempo para educar os seus filhos.

J.A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Como já referi, a facilidade de acesso a conteúdos e informação deficitária leva muitas pessoas a aligeirar ações e comportamentos nefastos à sociedade. Para isso, devemos todos estar mais atentos, denunciando todos e quaisquer atos de violência.

J.A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Esta Junta de Freguesia conhece muito bem a realidade deste território e em concreto cada um dos seus habitantes. Neste sentido, e dentro das competências da Freguesia e no que legalmente se justifica enquadra procedemos aos mais diversos postos sociais. Muitas vezes, é essencial sinalizar esses casos de pobreza às respetivas instituições. Ainda assim, é a Junta que se substitui muitas vezes ao apoio social e afetivo dos mais carenciados.

J.A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O maior problema da Freguesia e de toda esta região é a constante desertificação demográfica. É essencial que o Governo crie medidas reais de fixação de empresas e benefícios fiscais às existentes de modo a garantir e criar mais postos de trabalho. Só assim poderemos fixar gente.

J.A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A questão das acessibilidades (ou a falta delas) continua a estar na ordem do dia. Apesar das estradas Municipais estarem em perfeitas condições de circulação continua a faltar uma grande acessibilidade regional/nacional de modo a “desencravar” este interior muitas vezes esquecido pelos sucessivos governos deste País.

J.A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Obviamente, que sou dos que acredita neste interior, e mais concretamente nesta Freguesia. É deste território que segue a água (em excelentes condições) para as grandes cidades, e é neste território que se produz uma boa parte de energia elétrica para consumo. Se a isso somarmos a floresta a madeira que sai diariamente daqui, podemos dizer claramente que a nossa Freguesia tem um excelente potencial.

J.A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa Freguesia?
P.J.- A principal mensagem, é que as diversas Instituições Regionais e Nacionais olhem para esta região como um verdadeiro património e desse modo ajudarem-nos a valoriza-la e enriquece-la. Como referi, a nossa Freguesia dispõe de características naturais e geográficas atualmente diversificadas pelo que todo e qualquer investimento nessa área é muito bem-vindo.

J.A. – Como é a situação financeira dessa Freguesia?
P.J.- Felizmente a Junta de Freguesia de Unhais-o-Velho sempre honrou os seus compromissos. Por isso, apesar da parte financeira ser reduzida face às despesas necessárias, sempre cumprimos e sempre pagamos em devido tempo aos nossos fornecedores. Podemos assim afirmar que apesar do dinheiro não abundar, não possuímos dividas.

J.A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A relação institucional entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal tem sido excecional. Ambas entendem que só juntas poderão fazer mais pela população. Neste sentido têm havido reuniões constantes de modo a coordenar e realizar diversos trabalhos na Freguesia.

J.A. – Que mensagem quer enviar à população da sua Freguesia?
P.J.- Com o relacionamento constante, que vamos tendo diariamente com todos os fregueses, não há necessidade de grandes mensagens. Ainda assim, todos os nossos habitantes sabem que encontram na Junta de Freguesia um parceiro na luta dos interesses da Freguesia. Pelo que poderão sempre contar com este executivo na prossecução dos interesses de todos.

J.A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Nem sempre é fácil gerir a vida de autarca com a vida familiar. As tarefas e as competências que esta autarquia têm cada vez são mais e maiores. Apesar dos Presidentes de Junta “parentes pobres” do Estado é seguramente sobre eles que recai uma parte significativa de trabalho em prol da população. Apesar do Estado (Governo) não entender isso, estes autarcas estão a tempo inteiro e a 200% nas suas funções. Obviamente que acaba por ser a família a mais prejudicada.

J.A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- É essencial a divulgação e a comunicação dos Órgãos de Comunicação. Em especial o (Jornal das Autarquias) reveste-se de uma importância ainda maior, pois divulga o ambiente autárquico nas mais diversas dimensões. Espero que assim, continue com o excelente trabalho que tem demonstrado.

José Batista Marcelino

Go top