JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Março 2019 - Nº 137 - I Série - Coimbra

Coimbra

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia da Candosa

Carlos Alberto Marques da Fonseca

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.-O sector primário resume-se, praticamente, a uma Agricultura de subsistência, ou seja, cada família cultiva para seu próprio consumo. A única empresa (Cerâmica), encerrou há já alguns anos. Temos pessoas que trabalham em algumas indústrias existentes no concelho, outros dedicam-se à venda de fruta, à construção civil, etc. Relativamente ao Turismo, esta freguesia tem alguns pontos de interesse, tais como a Igreja Matriz, Capela de Santo Amaro e da Boa Viagem, Fonte das Carêtas, Lagedo, Pelourinho, Fonte Velha, Casa dos Almeidas, entre outros.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.-A Freguesia de Candosa ao longo dos anos sempre foi uma terra de emigrantes, dispersos por diversos países da europa, e Brasil. Com a crise que se abateu recentemente no País, obrigou, à semelhança do que aconteceu no país, a muitas pessoas a emigrarem pelo facto de terem ficado desempregadas e consequentemente, conduziu à desertificação, casas que ficaram desabitadas. Nestes casos, o lado positivo, é que essas famílias conseguiram melhorar as suas condições de vida. Da nossa Freguesia, à semelhança do concelho de Tábua, temos muitas pessoas a trabalhar na Empresa Grupo Aquinos, sediada em Sinde, a qual contribui para que não haja desemprego no concelho de Tábua.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.-A violência doméstica é “inaceitável seja ela em que país for, independentemente das diferentes formas de agressão, ou seja a violência física, sexual ou psicológica e todas deveriam ser punidas por lei.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.-Atualmente o grande problema e prioridade e meter em funcionamento o Centro de Dia, que já foi inaugurado em setembro de 2017. Estamos aguardar por parte do Município de Tábua, o alcatroamento da zona envolvente. No entanto, para uma junta de Freguesia, nunca tem tudo resolvido, quase todos os dias surgem novos problemas. Temos previstos alguns alcatroamentos, colocação de iluminação pública e apoiamos as 4 Associações da nossa freguesia.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.-O apoio da Câmara é muito importante a todos os níveis, dado que se não fosse o seu apoio, era impensável fazer obra, as transferências que são enviadas trimestralmente para as juntas pelo Governo, não seriam suficientes nem para os colaboradores que nos prestam serviço, e refiro-me apenas ao pessoal externo, dado que todo o Serviço Administrativo e contabilidade, é efetuado pelos elementos do executivo. Em minha opinião, quando se aprova uma lei, é sempre com base nas Juntas de Freguesia dos grandes centros urbanos, como por exemplo, Porto e Lisboa, e esquecem-se que as Juntas de Freguesia pequenas como a minha, não têm recursos financeiros e humanos para poder satisfazer todas as exigências. Por exemplo, a legislação dos canídeos, emitir uma licença é aceitável, no entanto, quando é instaurado um Processo pelos senhores Agentes da Autoridade por falta de registo e licença, é enviado para a Junta de Freguesia, a qual tem de posteriormente de organizar um Processo de Contra Ordenação, notificar o arguido para ser ouvido em Auto Declarações e tomar a Decisão da Coima ou Admoestação. O que pretendo dizer é que isto é um serviço de muita responsabilidade que deveria ser acompanhado por um Jurista e as Juntas de pequenas dimensões, sem recurso financeiros e humanos, têm de recorrer quando necessário ao Município para obter esclarecimentos. Quero com tudo isto dizer que há Serviços que não deveriam ser da responsabilidade das Juntas. Outro exemplo é o transporte das crianças, tendo em conta a legislação para as viaturas e motoristas. Eu concordo, até porque está em causa a segurança das crianças, mas para as juntas conseguirem cumprir não é fácil, na medida em que não há meios económicos suficientes para pagar vencimentos e para a aquisição de viaturas só em leasing, e aí também sem a ajuda da Câmara Municipal, não seria possível, e aqui também ajuda do Governo deveria ser maior, para que as juntas de Freguesia pudessem cumprir de uma forma mais célere, todas as suas competências.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.-À minha gente, deixo uma palavra de esperança e que continuem a confiar em nós, porque estamos há cerca de 18 anos no executivo, e a nossa preocupação e motivação, é a mesma desde o primeiro dia e acrescentar que tudo faremos para que não se arrependam de ter depositado mais uma vez confiança em nós. Portanto deixo um abraço amigo para todos os habitantes da nossa freguesia, bem como a todos aqueles que se encontram radicados pela Europa e também no Brasil e EUA.

Carlos Alberto Marques da Fonseca

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