JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Março 2019 - Nº 137 - I Série - Coimbra

Coimbra

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Bom Sucesso - Figueira da Foz

Carlos das Neves Barata

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - Até aos anos 80 do séc. XX praticava-se uma agricultura de subsistência de âmbito familiar. Seguiu-se a criação de gado leiteiro com o aparecimento de várias ordenhas. Atualmente, os terrenos estão abandonados e restam quatro pequenas empresas de gado leiteiro.
Em termos turísticos, destaca-se a Lagoa da Vela onde, sobretudo no Verão, se veem visitantes, infelizmente, a sua zona verde envolvente, foi dizimada pelo fogo, em outubro de 2017.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. - O problema do desemprego não se coloca, uma vez que na freguesia não há industrias, nem nunca houve número significativo de postos de trabalho. Os jovens são poucos e migram para as cidades e outros partiram para o estrangeiro.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J. - A violência doméstica é um problema grave para as famílias e para a sociedade. Terá causas múltiplas: a falta de valores que promovam o respeito pela dignidade das pessoas, a educação que é ainda marcadamente machista, tolerando comportamentos aos homens que não são toleráveis às mulheres; a desigualdade de género que aceita como normal uma participação muito maior da mulher na vida familiar em relação à do homem e, outras razões de natureza mais pessoal, como o ciúme, perturbações de personalidade, alcoolismo…

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - Pessoalmente, acha que a escola não está a responder às expectativas de algumas crianças e jovens, por valorizar sobretudo as competências académicas e não dar resposta àquelas que preferem profissões com formação mais prática e de menor duração. Muitos «arrastam-se « na escola, «desmotivados» e vão-se sentido excluídos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - A nossa sociedade transmite às gerações mais novas a ideia de que é possível obter tudo com dinheiro e que isso é que é o ideal. Quando não se consegue esse objetivo surge a frustração e a revolta e desencadeia-se a violência gratuita.
A sociedade vive muito para «o ter» e para o «sucesso» e não transmite a mensagem de que é preciso esforço e resiliência para atingir os objetivos que pretendem.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - Na sede da Junta de Freguesia funciona um posto de correios, que faz o pagamento de pensões a quem ali se dirija. Ali são preenchidos documentos vários e encaminhadas as pessoas de acordo com as suas necessidades.
Felizmente, nesta Freguesia, as boas relações de vizinhança ainda estão bem presentes, o que leva muitas pessoas a entreajudarem-se pois, conhecem bem os agregados familiares à sua volta.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - Diminuição da população devido à não fixação de jovens e envelhecimento da população.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - Verifica-se pouca participação e envolvimento das pessoas nas associações e eventos locais, o que leva a um cada vez maior isolamento das pessoas.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Creio que a fuga para as cidades por parte dos jovens vai continuar. No entanto, acredito que se deve continuar a trabalhar, para que quem fica, tenha a melhor qualidade de vida possível e para tal devem ser-lhes criadas as condições necessárias ao nível da educação e da saúde.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - Procuramos passar a mensagem de que é sempre possível fazer mais e melhor (apesar de por vezes as tomadas de decisão serem lentas). E que por muito pouco que consigamos fazer, quando melhoramos ou resolvemos um problema a alguém, isso já é um incentivo para continuarmos.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - Em termos financeiros, a situação é positiva, não há dívidas e procuramos gerir a vida da Freguesia de acordo com o orçamento.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - A Câmara apoia na limpeza das ruas e dos espaços verdes, na manutenção das vias de comunicação, na logística de eventos locais e dá cobertura financeira em obras a desenvolver na Freguesia.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Quero transmitir uma mensagem de esperança no futuro, de encorajamento mesmo quando sentimos que as coisas decorrem a um ritmo mais lento do que aquele que desejamos e que podem acreditar que quero servir a Freguesia com toda a minha capacidade e empenho.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Se há dias em que as tarefas e problemas a resolver são múltiplos e se tornam bastante absorventes em tempo e energia, há outros dias que são mais leves e, por isso, consigo fazer uma gestão equilibrada. Além do mais, o facto do meu agregado familiar residir na própria freguesia torna a gestão do tempo mais fácil.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Quero desejar-vos um longo e frutuoso percurso, pois considero que vem ao encontro das populações mais afastadas do poder central.

Carlos das Neves Barata

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