JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Junho 2018 - Nº 128 - I Série - Bragança e Vila Real

Bragança e Vila Real

Berta Ferreira Milheiro Nunes

Entrevista à Presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé

Berta Ferreira Milheiro Nunes

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.C.- Penso que em democracia o povo escolhe e temos de analisar os resultados e eventualmente melhorar o nosso trabalho

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.C.- Acho que apesar de estarmos num governo que em vez de cortes nos tem trazido aumentos anuais, ainda são insuficientes (ainda estamos abaixo do valor de transferências de 2010 quando se iniciaram os cortes) e não está a ser cumprida a lei das finanças locais e isso é uma má prática que se tem arrastado ao longo dos anos.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.- Para resolver ou, pelo menos atenuar, o problema do desemprego a autarquia está a tentar captar investimento privado para o concelho. Já estabelecemos vários contactos e uma das nossas estratégias passa por atrair investimento da diáspora, aproveitar os fundos comunitários e procurar alternativas inovadoras para criar emprego. Aliás já está em marcha um projecto inovador que se pretende que seja o ponto de partida para mais investimento no concelho.
Trata-se do empreendimento “Varandas de Trás-os-Montes “, um aldeamento turístico de 5 estrelas, com 17 moradias, inserido no complexo do Hotel&SPA. Um investimento de 10 milhões de euros, que vai permitir devolver o território à diáspora.
Este empreendimento funcionará como uma alavanca para que a diáspora possa internacionalizar a sua empresa. Neste momento, já estão em negociação a captação de empresas brasileiras, uma no sector têxtil, que diminuirá o elevado desemprego feminino existente no concelho, e outra na área agro-alimentar
Também estamos a apoiar a criação de empresas através de uma incubadora de empresas e que se destina aos jovens licenciados
Apoiamos os investidores privados e fazemos investimento público aproveitando os fundos comunitários
Em relação a situações de carência e desemprego temos regulamentos de apoio a famílias carenciadas, apoiamos na área ad educação, da saúde etc.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.- A violência doméstica é um flagelo. No nosso país muitas mulheres são vítimas de violência doméstica e o nº de mulheres assassinadas pelos maridos e/ou companheiros é bastante assustador. Por isso é importante combater este problema. Em Alfândega da Fé temos um gabinete de apoio à vítima e um núcleo multidisciplinar que atua de forma integrada para ajudar as vítimas a saírem das situações de violência.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.C.- Melhorar a qualidade de vida dos idosos do concelho tem sido, ao longo dos últimos anos, uma prioridade para o executivo municipal. Sempre na linha da frente na promoção do envelhecimento ativo, o trabalho desenvolvido com e para os seniores já valeram ao Município alguns reconhecimentos nacionais e internacionais. Em parceria com as IPSS locais, são vários os projectos que a autarquia tem apoiado. Damos alguns exemplos: o cartão Municipal Sénior, o Conselho Municipal Sénior, orçamento participativo sénior, a Teleassistência, a Universidade Sénior ou o voluntariado de proximidade, entre outras apoios pontuais.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- O maior problema é a crescente perda populacional. As pessoas são os motores da sociedade e sem elas não é possível o desenvolvimento. É por isso que estamos a tenter reverter esta situação, procurando formas de atrair os jovens para o concelho, como a captação de investimentos e de empreendimentos que possam gerar emprego e, consequentemente, fixar a população. O despovoamento e o envelhecimento da população resulta da falta de oportunidades de emprego local, porque a qualidade de vida é ótima.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- O desemprego é sem dúvida um grande problema. Mas temos ainda a situação financeira para continuar a resolver, diminuindo a dívida sem deixar de investir. A dívida enorme que herdamos (estávamos em desiquilíbrio estrutural em 2010) também nos cria constrangimentos e dificuldades que estamos a resolver.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?
P.C.- No futuro vai continuar a ser necessário bastante empenho para combater problemas que afetam o nosso território, como a perda de população e o desemprego. A autarquia tem vindo a efectuar trabalho nesse sentido, mas estes são objectivos que só se conseguem a médio e longo prazo, logo exige um trabalho de continuidade para que possa dar frutos.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- Quando, em 2009, ganhamos as eleições pela 1ª vez, encontramos uma situação financeiro, bastante difícil. Contudo, de uma dívida de 23 milhões de euros, registada em 2010, a Câmara Municipal já conseguiu reduzir para menos de 18 milhões de euros. Resultado que é fruto de uma gestão apertada e rigorosa e que teve início com um processo de saneamento financeiro e posteriormente a adesão ao do Fundo de Apoio Municipal, ao qual o Município teve que recorrer para garantir o funcionamento dos serviços municipais. Ainda assim temos excesso de endividamento e estamos a reduzir gradualmente de acordo com o PAM (pano de ajustamento municipal).

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- Tem sido nosso objectivo olhar para o município de Alfândega da Fé como um todo, por isso temos prestado bastante apoio às Juntas de freguesia para que nas aldeias do concelho se desenvolvam projectos e iniciativas que dinamizem e tornem as aldeias atractivas.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Os nossos munícipes podem esperar deste executivo o rigor, a competência e a transparência que nos tem caracterizado. Estamos a trabalhar no sentido de continuar a melhorar a qualidade de vida da nossa população, trazendo inovação e desenvolvimento para o concelho de Alfândega da fé.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Dou os parabéns ao Jornal das Autarquias pelo espaço informativo que dedicado ao trabalho dos município. Esta é também uma forma de se trabalhar de forma descentralizada e indo ao encontro da realidade do nosso país.

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