JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2018 - Nº 127 - I Série - Braga e Viana do Castelo

Braga e Viana do Castelo

José António Gonçalves Ramos

Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Sta Maria Maior, Meadela e Monserrate

José António Gonçalves Ramos

J.A.- Tendo havido alteração nos resultados eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
PUF.-Nas eleições autárquicas de 2017, a CDU voltou a ser a força política mais votada. A única alteração relativa ao mandato 2013/2017, como não houve maioria, foi o acordo efectuado com o Partido Socialista, quando anteriormente foi com o PSD.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
PUF.-No que diz respeito às verbas atribuídas às autarquias locais, no caso das Juntas, quase nada altera. Estas estão maioritariamente dependentes das verbas transferidas pelos Municípios.
Agora, o OE 2018 contempla medidas como a criação de mais escalões de IRS, o descongelamento das carreiras na função pública, ainda que faseado, outro aumento extraordinário de pensões, e ainda a criação de Respostas/ apoios, combate e prevenção a incêndios, parecem à partida medidas importantes para os portugueses, contudo, só com o decorrer do ano poderemos ter uma noção mais concreta do impacto destas na população.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
PUF.-Tivemos necessidade de apoiar famílias afectadas pelo período Troika. Viana do Castelo foi uma das cidades que muito sofreu com o fenómeno desemprego, agravado com o encerramento dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, atingindo famílias inteiras. Não temos um departamento, nem recursos humanos para esta área, contudo, tentamos sempre dar uma solução aos problemas que nos chegam. Temos apoiado famílias com o pagamento de serviços de primeira necessidade, distribuímos cabazes de alimentos e colaboramos com cantina social. Atendemos sempre que instituições como a Segurança Social, ou outras de cariz social, nos solicitam para apoiar alguém em situação de carência.
Actualmente, com a queda da percentagem do desemprego, sentimos que algo está a mudar nesse aspecto.

J.A- O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
PUF.-É um problema social preocupante para o qual devem ser criadas medidas de apoio e revisto o enquadramento legal. O aumento da violência doméstica entre os jovens casais, na adolescência, quer como vítima, quer como agressor, é um sintoma de que o futuro não se afigura optimista. São situações complicadas cuja solução não é óbvia e que, com certeza, vai afectar a forma como os jovens vão gerir no futuro as suas relações pessoais e profissionais.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
PUF.-Infelizmente vivemos numa sociedade marcada pela violência nas suas diversas formas, sendo transversal a todas as idades, parentescos e estratos sociais. Não é um cenário animador, de todo. A crise financeira gera problemas financeiros às famílias que muitas vezes acabam em actos de violência. Contudo, a crise económica não será factor primordial. Questões sociais, culturais, políticas e religiosas estão na base da maioria dos acontecimentos. É imperativo criar medidas objectivas para minimizar esta questão, pelo bem-estar da sociedade actual e pelo futuro das nossas gerações. Talvez a educação seja um dos factores chave para isso, mas mais importante penso que será rever as leis e estipular penas mais severas, uma justiça menos branda, para que não se torne banal e sem consequências o acto criminoso.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
PUF.-Não é uma valência para a qual esta autarquia esteja dotada de recursos humanos ou infra-estruturas. No entanto, à luz dos problemas sociais, damos todo o nosso apoio às instituições da Freguesia que o solicitem. A nível de Comissão Social de Freguesia, no âmbito da rede social, questões desta natureza ou de natureza social, são abordadas sempre que se justifique, tentando encontrar a melhor forma de intervenção.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
PUF.-O maior problema que atinge a população da nossa Freguesia é o desemprego. O distrito de Viana do Castelo tem um rácio de desempregados bastante elevado, sendo a maioria desempregados de longa duração. A taxa de emigração dos jovens e a elevada percentagem de população envelhecida agravam o problema, a área da União das Freguesias não é excepção.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
PUF.-Diariamente a população alerta para questões/problemas, cuja resolução é um trabalho contínuo. Nos centros urbanos o Município tem para si grandes obras, cabe à Junta resolver todas as situações de primeira necessidade, o passeio, a iluminação, a sargeta, a limpeza, um sem número de casos que urge resolver ou encaminhar. Vamos procurando colmatar estas questões para que a população se sinta satisfeita, verificando que a proximidade com a União das Freguesias se mantem.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
PUF.-O Governo Central deu notícias da possibilidade de alterações à Lei da Agregação de Freguesias. Entretanto, é importante continuar a trabalhar para manter/melhorar a qualidade do serviço prestado à população. Tal como até aqui, afigura-se um futuro optimista.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
PUF.-A situação financeira encontra-se estável, fruto de um planeamento cuidado e responsável. Não temos qualquer dívida. Contudo, temos solicitado ao Município uma maior equidade nas deliberações atribuídas. Reféns da contenção orçamental, impede-nos de resolver situações que se vão arrastando por falta da componente financeira.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
PUF.-Para além do estipulado na respectiva lei, são estabelecidos protocolos de colaboração nas mais diversas áreas ao longo do ano e do mandato, para além da cooperação sempre que se entenda necessário.
Mantemos um diálogo permanente com o Município, apresentamos-lhe os nossos pontos de vista, uns são apoiados outros aguardam melhores dias. Isto faz parte do dia-a-dia do Presidente da Junta, uma luta constante pela defesa dos interesses da população que o elegeu.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
PUF.-Quero reiterar à população da União das Freguesias que temos a porta aberta para os receber e que faremos os possíveis para acompanhar/resolver a questão que nos apresentam. Infelizmente, muitas vezes não está é dependente da nossa decisão/acção. Trabalhamos todos os dias para cumprir aquilo a que nos propusemos nos anos de mandatos que a CDU está à frente da União das Freguesias.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
PUF.-Não é fácil, é uma vida que absorve muitas horas, com sacrifício procuro manter o melhor equilíbrio. A compreensão da família é muito importante para o meu desempenho, é ela a primeira prejudicada com a minha ausência. Agradeço aos meus mais próximos pela tolerância e compreensão que tem tido comigo.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
PUF.-Votos de boa sorte e sucesso, nesta vossa missão que é levar a nossa voz, que, só por esta via algumas vezes chega aos cidadãos dando-lhes conhecimento dos problemas que um autarca de Freguesia sente no seu dia-a-dia.

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