JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2018 - Nº 127 - I Série - Braga e Viana do Castelo

Braga e Viana do Castelo

Alberto Martins

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de São Torcato

Alberto Martins

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- Em São Torcato apesar de existir um novo presidente e um novo executivo, a candidatura vencedora (coligação Juntos por Guimarães) deu assim continuidade à anterior que já era da mesma força partidária, reforçando ainda a votação. Penso que este é o sinal claro que a população acredita neste projeto.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- Penso que o Orçamento de estado para 2018 não altera em grande substância o de 2017, assim no que diz respeito ao poder local, o O.E. volta a ser no nosso ponto de vista pouco expansionista. Os valores relativos ao Fundo de Freguesias mantem-se o mesmo á largos anos, o que não permite às Juntas de Freguesia autonomia no desempenho das suas funções, como poder de maior proximidade.
A nível macroeconómico revela a continuação de uma política fiscal muito elevada no que aos impostos indiretos diz respeito e com pouco investimento público. Pensamos que o desagravamento apenas em termos de impostos sobre o rendimento de pessoas singulares é manifestamente pouco para a atual situação económica que vivemos e que a Europa atravessa.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- A Junta de Freguesia de São Torcato é muito sensível aos problemas sociais e nomeadamente à questão do desemprego. No período mais crítico do desemprego a Junta de Freguesia aumentou o número de funcionários, através de medidas disponibilizadas pelo IEFP. Esta Junta disponibiliza ainda cursos de formação profissional, com elevada taxa de empregabilidade e dispõe ainda de um gabinete de apoio ao emprego. Ao nível social, encaminhou para as IPSS responsáveis os casos mais graves de problemas económicos e sociais, estando também com o gabinete de apoio ao cidadão a auxiliar na resolução de pequenos problemas domésticos que afetam sobretudo a população mais idosa.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- É outro dos grandes problemas sociais que assistimos e nas regiões mais pobres e com problemas de alcoolismo e toxicodependência tem mais prevalência. A Junta de freguesia está muito atenta a esse problema, estando em permanente contacto com as autoridades competentes assim que surgem sinais e encaminhando situações de potencial perigo. Como referi atrás as Juntas de Freguesia são o poder mais próximo das populações e por isso mais conhecedor dos problemas das populações.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Esse tipo de violência corresponde a um novo paradigma social, novas tecnologias e uma sociedade cada vez mais assente em realidades virtuais. Felizmente em São Torcato o índice de violência é reduzido.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- A Junta de Freguesia de São Torcato tem uma atenção muito especial aos idosos e mais desfavorecidos. Desde logo esta Junta apresentou o gabinete de apoio ao cidadão, com disponibilização de funcionários da Junta para a prestação de serviços de reparações (troca de lâmpadas, colocação de vidros, limpezas diversas), a disponibilização da carrinha da Junta para o transporte de idosos desde que solicitado, apoio ao preenchimento de documentação e resposta a cartas. Esta Junta realiza ainda diversos convívios para os que mais de perto sentem a solidão do dia a dia, como o convívio de reis ou o tradicional passeio de idosos e reformados. Apoio ainda na deslocação para a ginástica e natação.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- A nossa Vila tem nos últimos anos sofrido uma grande evolução, cumprindo grande parte das suas necessidades básicas, como o centro escolar, a GNR, o centro social, diversas pavimentações, alargamentos do cemitérios, etc, contudo muito existe ainda por realizar como é o caso da requalificação da EB23 de São Torcato, da requalificação do parque industrial de São Torcato e do alargamento da rede de água e saneamento na Vila.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A Vila de São Torcato como referi anteriormente necessita de ver requalificada a EB23 de São Torcato, a requalificação do parque industrial de São Torcato, o alargamento da rede de água e de saneamento e a requalificação de mais algumas ruas, mas precisa também de dar um salto em frente no que diz respeito à cultura. São Torcato é a verdadeira capital da cultura popular vimaranense e associado a esse desígnio, gostaríamos de ver concretizado o sonho de termos um centro cultural, um espaço multiusos para a comunidade e para a fantástica vida associativa e cultural que a Vila tem.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do freguesia?
P.J.- O futuro é muito otimista, somos a Vila com mais história em Guimarães, somos uma Vila especial e diferente de todas as outras, com identidade, história e cultura únicas e dessa forma só podemos ser mesmo muito positivos quanto ao futuro. Não tenho dúvidas que em parceria com a Camara Municipal iremos dotar São Torcato com as infraestruturas que São Torcato merece e que a população anseia.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- Como é do conhecimento geral as Juntas de Freguesia debatem-se com enormes dificuldades, no nosso caso e como praticamente não temos receitas próprias e temos 3 funcionários no quadro é muito difícil a gestão financeira, contudo com rigor e afinco tentamos que a situação seja equilibrada e sem comprometer o futuro.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A Junta de freguesia de São Torcato recebe 35.000€ da Camara Municipal de Guimarães a através do protocolo de delegação de competências o que para a dimensão e importância da Vila é manifestamente insuficiente. Tentamos sensibilizar no entanto o executivo camarário por forma a efetuar mais investimento em São Torcato e estamos convencidos que o iremos conseguir.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Os Torcatenses sabem do meu amor por esta Vila, que me viu nascer, sabem que podem sempre contar com o meu apoio e disponibilidade para o que for necessário. Sabem ainda que tudo será feito para continuar a desenvolver São Torcato e a dotar de todas as valências necessárias e ambicionadas pela população.
São Torcato é uma Vila especial, os Torcatenses são especiais.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- A vida de autarca não é fácil no geral, mas a de presidente de Junta penso ser a mais nobre e difícil de todas. O presidente de junta não tem férias nem fim de semana. O presidente de Junta não tem salário no exercício das suas funções, pelo que para além de todas as tarefas inerentes ao cargo, tem de conciliar com uma vida profissional exigente como é o meu caso. Eu não sou político, vivo do meu trabalho e assim será sempre.
Assim como facilmente se constata a vida familiar acaba muitas vezes por ficar um pouco num plano inferior, sofrendo sobretudo a minha esposa com uma subcarga de trabalho. No entanto esta foi a vida que escolhi e não me posso queixar, dentro do possível concilio tudo sem nunca deixar nada nem ninguém para trás.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Deixar uma palavra de apreço e de admiração. São iniciativas como esta que destacam a importância do poder local e que permite às populações aferirem da real condição das suas terras. Espero que continuem o trabalho de divulgação do poder local e das autarquias que são o verdadeiro poder de proximidade e motor de desenvolvimento sócio/económico do País.

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