JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2018 - Nº 127 - I Série - Braga e Viana do Castelo

Braga e Viana do Castelo

Fernando Manuel Armada Garcez

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Darque

Fernando Manuel Armada Garcez

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- Não houve alteração aos resultados eleitorais, tendo o Partido Socialista, que eu represento, ganho com maioria simples. Porém, uma vez que as Listas de Vogais apresentadas sucessivamente por mim à Assembleia de Freguesia não foram aprovadas, tive, sem prejuízo do meu empenho em conseguir obter uma solução de maioria para a eleição dos vogais da Junta de Freguesia de Darque, de aplicar o artº. 80 da Lei 169/99. Este artigo dispõe que “os titulares dos órgãos das autarquias locais servem pelo período do mandato e mantêm-se em funções até serem legalmente substituídos”. Pelo que desde o mês de dezembro passado mantivemos contactos com o PSD no sentido de viabilizar a constituição da Junta de Freguesia com membros de ambos os partidos. As conversações foram rompidas pelo PSD quando propus que esse Executivo fosse formado por 3 elementos do PS e 2 do PSD.
J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- Com este Orçamento de Estado fica-nos uma certeza de que é possível viver melhor em Portugal. Mantemos estabilidade política, temos um orçamento que permite pensar um futuro melhor, onde, essa que foi uma chaga terrível com que vivemos em 2017 de tanta tragédia, até a prevenção de incêndios florestais foi largamente contemplada. Assim, os erros enormes do programa de ajustamento que produziram o contrário do efeito desejado, vistos no aumento brutal do desemprego, no aumento da dívida, em tudo que provocou o empobrecido avassalador dos portugueses. As medidas de austeridade que foram aplicadas em Portugal fizeram parte de um experimentalismo perigoso feito à custa da vida das pessoas. Porém, desejamos que o próximo Orçamento Geral do Estado devolva e contemple as autarquias de meios que aumentem a sua autonomia relativamente ao poder central.
J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- A Junta de Freguesia de Darque está a gerir o fenómeno social incrementado pelo aumento do desemprego em colaboração com as entidades oficiais de apoio às famílias, bem como colaborando com as entidades privadas de solidariedade social com representação na freguesia, ou no limite intercedendo junto de entidades com sede na cidade de Viana do Castelo.
J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- A violência doméstica é um problema social universal que não atinge só a mulheres, atinge também crianças, pessoas idosas, deficientes, dependentes. É um fenómeno bastante complexo composto por diversos factores, sejam eles, sociais, culturais, psicológicos, ideológicos, económicos onde a mulher adulta tem sido a principal vítima. Todavia, este flagelo está presente em todas as culturas, etnias, religiões e estratos económicos, sendo de difícil controlo bem como de extrema dificuldade em ser combatido. Não obstante estas constatações, sou de opinião que o aumento do desemprego, associado ao aceleramento da carestia de vida, uma vez que nos últimos tempos tem assumido proporções bastante elevadas e trágicas, muito têm contribuído para a aceleração nefasta deste calamitoso fenómeno.
J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Sou de opinião que vivemos as consequências de uma sociedade iminentemente consumista. É esta sociedade consumista que leva à perda de valores gera violência.
J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- Quando solicitado, e sempre que se justifique, a autarquia faz o transporte dos idosos até ao Centro de Saúde de Darque ou a outros locais para receberem diverso tipo de cuidados. Bem como actua ou apoia a deslocação semanal à piscina, dos idosos inscritos para usufruírem deste equipamento. Por outro lado, a Junta de Freguesia está sempre atenta às necessidades do Centro Comunitário de Darque que possui a valência de Lar de Idosos, de maneira a colaborar na agilização de soluções tendo em vista a melhoria da qualidade prestada por aquela instituição privada de solidariedade social. Por outro lado, também, estamos presentes no CLAS-Conselho Local de Acção Social, onde articulamos e congregamos esforços no âmbito da Rede Social quer seja em acções dedicadas a idosos carenciados ou a famílias.
J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Darque não tem um grande problema para resolver mas tem diversos problemas para resolver como sejam a ampliação do cemitério da freguesia, dotando-o de casa mortuária; o da aplicação do Plano de Pormenor aprovado para a área ribeirinha situada entre pontes; a que acresce a falta de uma via estruturante e respectivos acessos que liguem os diversos polos constituídos no território da freguesia, de maneira a aumentar a coesão territorial da freguesia; ou proceder à requalificação da frente urbana da Quinta da Bouça até à rotunda da feira; a que se acrescenta a necessidade de cuidar da população de etnia que ocupa uma vasta área de pinhal e que vive em situação deveras precária.
J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Para além das zonas que necessitam de intervenção e que foram abordados na resposta anterior, salienta-se: o arranjo e requalificação de toda a área ribeirinha, a requalificação do Monte do Galeão, a necessidade de dispor de uma esquadra de polícia, de aumentar a densidade da rede de distribuição de gás natural em toda a freguesia; acresce a todas estas questões a necessidade de incrementar o movimento associativo instalado na freguesia.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do freguesia?
P.J.- O futuro da freguesia está a ser construído sustentadamente, tendo em atenção as suas necessidades críticas que foram identificadas nos pontos anteriores.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- A situação financeira da Junta de Freguesia está sólida e é o corolário da boa gestão que tem sido feita pelos sucessivos executivos socialistas.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal de Viana do Castelo desenvolve uma política de proximidade com as Juntas de Freguesia que permite identificar e resolver problemas.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Uma Junta de Freguesia é o poder mais próximo dos cidadãos pelo que aproveitando esta oportunidade queria dizer que apesar do quadro de descrença generalizado que se vive na sociedade em geral, procuramos dar respostas imediatas quer no domínio social, quer no domínio cultural e desportivo, quer nas outras valências onde a proximidade do poder se deve exercer para dar cumprimento, quando fomos eleitos, ao compromisso que assumimos com todos os darquenses. Por outro lado, está a decorrer um vasto número de obras na freguesia que melhorarão substancialmente a qualidade de vida dos darquenses. Assim, esta Junta de Freguesia resolve os pequenos problemas e em conjunto com a Câmara Municipal, também, ajuda a resolver os grandes problemas urbanos.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Apesar de ser, infelizmente, viver sozinho, de facto não é fácil compatibilizar a atividade de Presidente de Junta com as necessidades decorrentes da vida familiar. Tenho uma família com filhas, genros e netos de que não prescindo, pelo que procuro estar perto das suas vidas compartilhando o futuro com eles, principalmente dos meus netos. No entanto, sempre tive uma vida devotada à causa do serviço público, de maneira que também me alimento da satisfação que as pessoas me transmitem quando os seus problemas são resolvidos e esse bem estar transmito-o aos que me rodeiam. E isso já me recompensa.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Ao Jornal das Autarquias desejo que continue na promoção e difusão do Poder Local Democrático e que continue a disponibilizar esta plataforma de comunicação aos eleitos do Poder Local para que possam divulgar as suas mensagens, contribuindo assim para o desenvolvimento das comunidades locais.

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