JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2018 - Nº 127 - I Série - Braga e Viana do Castelo

Braga e Viana do Castelo

José Maria Cunha Costa

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo

José Maria Cunha Costa

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.C.- Os ciclos autárquicos são feitos disso mesmo, de alterações e mudanças. Em Viana do Castelo, temos vindo a reforçar as votações, os resultados nas autárquicas de 2017 ultrapassaram todas as expectativas e elegemos mesmo mais um vereador, consolidando a maioria que este executivo já vinha registando nos últimos mandatos.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.C.- Depois um grave período de austeridade, que fustigou pessoas, empresas e a vida autárquica, com cortes substanciais nas transferências do Estado, temos que reconhecer que o Orçamento de Estado para 2018 apresenta medidas importantes para a economia, para as famílias e para as autarquias. Continua, contudo, a registar-se um mau planeamento por exemplo, no que toca a fundos comunitários e uma estratégia pouco assente na governança local. O caminho para a regionalização, ainda que dê agora os seus primeiros passos, continua a não existir e é fundamental avançar com este processo, dando voz e poder às lideranças locais, as que são, efetivamente, de proximidade.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.- Viana do Castelo, mesmo em tempo de crise, soube superar bem a realidade de empobrecimento. Nos últimos anos, muito graças ao trabalho desenvolvido pela autarquia que tem apostado nos incentivos fiscais e na qualidade da oferta dos seus parques empresariais e com a criação de incubadoras e aceleradoras tecnológicas, conseguiu o improvável, ou seja, contribuiu para o aumento do investimento das nossas empresas, para atrair grandes investimentos internacionais, absorver a mão de obra qualificada das nossas escolas superiores, e absorver grande parte dos desempregados. Hoje, somos dos maiores exportadores nacionais e atingimos rankings em termos económicos improváveis, mesmo em tempos de crise.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.- Estamos a falar de um drama que sempre existiu em todas as sociedades, em todas as culturas, em todos os estratos sociais. Penso que, hoje, a consciência para este fenómeno, é maior e estamos mais alerta. A divulgação dos casos mais gritantes nos meios de comunicação social alerta para uma realidade civilizacional que, até há alguns anos, não passava das quatro paredes das habitações. Hoje, é crime público, ninguém fica indiferente e todos já metemos a colher entre marido e mulher, nem que seja pela força da lei.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.C.- O envelhecimento da população é transversal a todas as regiões do país e Viana do Castelo não é exceção. Por isso mesmo, temos em marcha uma política de apoio às instituições sociais que apoiam a terceira idade, disponibilizamos programas como o “Envelhecer com Qualidade”, damos descontos para a prática de desportos, organizamos aulas e workshops diversos para que os mais idosos não fiquem isolados, programamos diversas iniciativas e seguimos as diretivas da Organização Mundial de Saúde no que diz respeito ao bem-estar dos mais velhos em Viana do Castelo.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- Como disse anteriormente, temos tido a capacidade de atrair novos e grandes investimentos, que captam muita mão de obra. Ora, a vinda de pessoal para estas empresas cria uma limitação muito grande, com parte da população a precisar de habitação. E, pese embora o grande boom da reabilitação urbana na cidade, por vezes o alojamento não é suficiente para suprir todas as necessidades. Somos um concelho hospitaleiro, temos qualidade de vida, condições de fixação, mas sentimos esta grande necessidade de alojamento para arrendamento.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Viana do Castelo tem sabido dar resposta aos seus problemas. À subconcessão do ENVC, que lançou centenas no desemprego, soubemos criar emprego, ao turismo aliamos promoção e temos sabido lidar com as nossas dificuldades. A qualificação dos espaços públicos, por exemplo, está a sofrer uma grande intervenção com o nosso Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, estamos a requalificar os locais menos aprazíveis das áreas periurbanas e estamos a apostar nos mais novos. Criamos recentemente um Conselho Municipal da Juventude, oferecemos às nossas crianças e jovens música, atletismo, desportos náuticos e queremos tornar-nos uma referência no Turismo Náutico.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?
P.C.- O objetivo de qualquer executivo municipal é de melhorar a qualidade de vida dos seus concidadãos. Estamos nesse caminho, ultrapassando sempre as dificuldades e no futuro temos mais investimentos – vamos receber a plataforma de windfloat – e multinacionais do cluster automóvel, vamos fomentar ainda mais a coesão social e territorial, duas das nossas mais recentes apostas.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- A Câmara Municipal aprovou recentemente o seu Relatório de Atividades e Prestação de Contas relativo a 2017. De realçar o facto da execução orçamental se fixar nos 81,4% e de 2017 ser o ano em que foi atingido o valor mais elevado da receita e despesa, sendo por isso o melhor ano de sempre.A gestão municipal, que nos últimos anos tem sido pressionada pelo corte nas transferências provenientes do Orçamento do Estado e que ainda se verifica uma vez que, comparativamente ao ano de 2010, a receita arrecadada em 2017 ainda regista uma quebra de 1,1 milhões de euros, tem conseguido manter toda a atividade municipal, tendo conseguido atingir em 2017 o valor mais elevado da Receita e Despesa.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- Todo o apoio. Fazemos regularmente reuniões com as juntas de freguesia, deslocamo-nos ao terreno para analisar investimentos e projetos e estamos a montar um Gabinete de Coesão Territorial que vai facilitar a vida às juntas de freguesia, aproximando ainda mais o poder local municipal e das freguesias do concelho.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Uma evidente mensagem de esperança. Se, em tempos difíceis, soubemos superar as dificuldades, penso que nos aguardam desafios diferentes mas estimulantes, como a candidatura a Capital Europeia da Cultura, a preservação e o reconhecimento da UNESCO ao nosso património natural. Estamos confiantes e queremos que os vianenses estejam confiantes.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- Com compromissos de parte a parte. A vida autárquica é muito absorvente e o facto de Viana do Castelo ser já uma cidade que, no contexto do norte do país, se está a afirmar, cria alguns constrangimentos com as famílias dos membros do executivo municipal. Mas, como noutras situações, acredito que o compromisso e o entendimento mútuo facilitam estas duas vertentes da vida.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- São a voz das autarquias. Sem filtros, nem partidarismos, conseguem abranger uma realidade próxima do cidadão, defendendo de forma objetiva e coerente a vida das nossas autarquias. Estão, por isso, de parabéns.

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