JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2019 - Nº 139 - I Série - Aveiro e Viseu

Aveiro e Viseu

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Várzea da Serra

Manuel do Carmo Ferreira

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
PJ. – Quanto ao sector primário, neste momento existe uma pedreira, uma serralharia, quanto á agricultura é mais de subsistência das pessoas que aqui vivem.
Quanto ao turismo, a maior afluência é no verão, temos uma praia fluvial com bar e restaurante e temos quatro bungalows que são bastante procurados nessa altura.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
PJ.- Esta freguesia depois de terem fechado as minas de xilite, em que ficaram mais de cem pessoas desempregadas, as pessoas mais novas tiverem que sair da freguesia e procurar novas oportunidades em outros locais, nomeadamente em Lisboa, e alguns no estrangeiro como Suíça, França, Alemanha e Inglaterra. As pessoas com mais idade mantiveram-se na freguesia dedicando-se á agricultura. Neste momento temos uma média de 250 pessoas, e muitas delas estão no lar e centro de dia da freguesia. Neste momento temos uma população muito envelhecida.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
PJ.- A violência doméstica infelizmente em Portugal está a tornar-se comum, pelos piores motivos. Penso que hoje em dia à falta de civismo, falta de paciência para com os outros, e principalmente falta de respeito pelo ser humano. O ciúme, entre casais, que começa por maus tratos psicológicos e depois físicos, difamações, coacção, crimes sexuais, etc.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
PJ.- Penso que este problema passa por não incutir logo desde cedo nos filhos o respeito que deve haver pelo próximo, a compreensão, dar o benefício da dúvida ao outro para que possam entender-se sempre que haja problemas. Hoje em dia os pais não têm tempo para os filhos, muitas vezes passam o dia sem os ver, ou sem dialogar. Estes jovens vão crescer e serão o reflexo da sua educação.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
PJ.- Muita dela verifica-se pela falta de emprego, outra por muitas vezes as pessoas preferirem não fazer nada de bom em função da sociedade, tornando-se simplesmente marginais, porque é mais fácil roubar, ou até cometer um crime pior, arranjando dinheiro mais facilmente. Outra questão é os meios de comunicação, a facilidade em que hoje em dia, por ex. crinaças têm facilidade em ver tudo o que está na internet, e isso faz com que exista muita violência gratuita, há qual estão facilmente expostos.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
PJ.- A nossa freguesia tem cerca de 60% da população idosa, neste momento temos aulas de exercício físico financiadas pela autarquia com a finalidade de os motivar a praticar algum exercício e saírem de casa. Existem outros projetos ainda em análise para a população, o nosso objectivo é fazer com que estas pessoas tenham uma melhor qualidade de vida.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
PJ.- Na nossa freguesia existe uma equipa de sapadores que fazem as limpezas das vias agrícolas, bem como das valetas junto á estrada municipal e junto das habitações.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
PJ.- Até hoje, nunca recebemos um cêntimo do governo para colmatar as despesas inerentes a essa situação.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
PJ.- Neste momento o maior problema é manter a juventude na freguesia. Sabemos que para isso, é necessário ter postos de trabalho, mas não conseguimos resolver esse problema, uma vez que não possuímos meios para tal. Em 1986 existiam 250 crianças na freguesia, hoje existem apenas 15.
Existem infra-estruturas, apenas não há interesse por parte das empresas de se instalarem na nossa freguesia, o que leva à falta de emprego.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
PJ.- Neste momento estamos com muita dificuldade em arranjar um novo terreno para um novo cemitério. O atual está praticamente lotado.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
PJ.- No momento existe um projeto elaborado por um casal habitante da freguesia, licenciado pelo município, bem como pelo governo, de exploração de águas minerais, apenas espera que algum investidor mostre interesse em executa-lo.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
PJ.- Tento sempre junto do município, que o nosso maior parceiro, expor os problemas mais urgentes a resolver. A nossa freguesia tem 100 hectares de terreno disponíveis para uma zona industrial, faltam os interessados manifestarem-se.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
PJ.- Temos uma situação estável, tentamos fazer sempre previsões dos gastos, e não ir longe demais.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
PJ.- Existe um protocolo entre as juntas de freguesia e a Camara Municipal de Tarouca em que o município dispõe às freguesias o valor de 2.250.00€ ( dois mil duzentos e cinquenta euros) com a finalidade de manter e conservar os espaços públicos.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
PJ.- Que continuem a acreditar nos bons serviços que esta junta de freguesia está a executar na freguesia, e ao mesmo tempo, pedir aos naturais de Várzea da Serra, que estão fora, que regressem, quase todas as pessoas têm habitação na freguesia, por isso podem regressar pois irão ter um bom nível de vida.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
PJ.- Em Junho de 2018 reformei-me. Tenho mais tempo para estar na Junta de Freguesia. A minha esposa está ao meu lado e apoia-me sempre.
Desde 1976 que estou na política, e a partir de 1986 fui eleito presidente da junta. Por limite de mandato fiz o interregno de um mandato e regressem em outubro de 2017.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
PJ.- Quero desejar o maior sucesso na divulgação dos assuntos relacionados com as autarquias e que seja a voz para divulgar os nossos problemas perante o governo.

Manuel do Carmo Ferreira

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