JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Dezembro 2017 - Nº 122 - I Série - Aveiro e Viseu

Aveiro e Viseu

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Soza

Nelson da Costa Cheganças

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.-“Muda de vida, se tu não vives satisfeito” – esta máxima, cantada por António Variações desde há muito tempo, reflecte um paradigma que se tem mantido inalterável ao longo dos tempos, quando a insatisfação, ou simplesmente a vontade de querer mais, se instala. Neste caso, parece-me, não é exceção. A mudança, expressa na alteração dos resultados eleitorais das autárquicas de 2017, significa uma vontade transversal à maioria de perspectivar um futuro melhor e penso-a como uma oportunidade para crescermos enquanto freguesia e atingirmos os nossos propósitos conjuntos.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
Orçamento de estado? Nacional ou vosso? Vou fazer frases soltas, de facto não percebo nada do OE
P.J.-Teremos que encarar o futuro com confiança. A Freguesia de Soza está a planear uma estratégia orçamental alicerçada em políticas responsáveis e racionais, e esperemos que as mudanças venham a trazer pelo menos benefícios à nossa população no próximo ano.

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.J.-O relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande demonstra que há ainda um longo caminho a percorrer. Há que criar estratégias que previnam o aparecimento de desastres como estes e condições que propiciem a preservação, crescimento e rentabilização dos nossos recursos.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.-O objectivo será sempre encarar os problemas como desafios superáveis. No que diz respeito ao desemprego e à carência económica, o foco centra-se em planos que possibilitem a criação de novos postos de trabalho. No nosso conselho e Freguesia em particular, até se tem verificado um crescimento de emprego devido por exemplo a fábricas como Ria Blades e Zona Industrial. O crescimento empresarial no nosso concelho tem sido um caminho percorrido com mérito por todos, que tem ajudado a reverter esta problemática e que tem permitido o desenvolvimento de um dinamismo económico que favorece o investimento constante e crescente em Vagos e também na Freguesia de Soza.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.-A violência doméstica é um enorme problema não novo, porém agora mais falado. Tem aumentado porque a desmitificação do assunto também aumentou, e o medo tem diminuído à medida que se ouvem e se protegem as vozes das vítimas. A violência doméstica dos dias de hoje tende a ser bidireccional, entre casais diferentes. Pratica-se, não só, de homens para mulheres, mas também de mulheres para homens. Podemos apontar várias causas para a sua génese, umas óbvias, outras nem tanto: problemas conjugais com origem social, ou profissional - por isolamento/envolvimento em demasia, ou ciúme; problemas económicos – desemprego, instabilidade financeira, gastos desmedidos; abuso de substâncias - de salientar o álcool por ser mais frequente, mas também as drogas, uma vez que ambos podem levar a alterações de comportamento e podem fomentar a violência; por fim, e não menos importante, alguns traços de personalidade intrínsecos – possessão, problemas psiquiátricos, machismo/femismo (e não feminismo). Os efeitos, talvez mais fáceis de apurar, baseiam-se não só em danos físicos, mas também morais e sociais. A violência, seja de que tipo for, prejudica os alicerces de vida não só das pessoas envolvidas, mas também da sua circunstância e, consequentemente, toda a sociedade sofre. Dizem que “entre marido e mulher não se mete a colher”, mas esta é a exceção que confirma a regra - Aqui devemos “meter a colher”, investigar, procurar resolver e proteger as vítimas, apoiá-las e ajudá-las a encontrar um caminho e um futuro melhores.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.-A violência gratuita é também fruto do hedonismo e permissividade dos dias de hoje, de vivermos também naquilo a que chamamos de aldeia global, onde tudo parece estar ao alcance de todos. Atualmente deparamo-nos com formas de violência que talvez antes nem seriam imaginadas, e que estão a atingir dimensões preocupantes. As perseguições e as ameaças são mais fáceis, a ridicularização social, injúrias, difamação e manipulações das mentes também, e surgem a todo o momento e por todo o lado: entram-nos pelas redes sociais, pela televisão, ouvem-se na rua, nas escolas. Não importa apurar culpados, importa encontrar meios para travar esta problemática a nível global, que tende a tornar animalesca a nossa condição humana. As bases para uma cidadania responsável devem começar a ser instruídas e cultivadas desde cedo, a fim de evitar condições que levam ao surgimento da violência física, emocional e psicológica, que actualmente se faz sentir. É no processo de sensibilização às populações que podemos fazer a diferença, na nossa população.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade, entre a juventude?
P.J.-Os jovens são um motor da sociedade ao qual parece nunca faltar energia - para o bem e para o mal. São os maiores utilizadores de redes sociais, e têm crescido numa sociedade que permite e não repreende como deve de ser, os vários tipos de violência. Tal como descrito acima, a violência dos tempos modernos é diferente, mais acessível e fácil de praticar, talvez com uma componente psicológica, emocional e social acrescida, e com consequências igualmente devastadoras.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.-Promover um envelhecimento ativo é a nossa prioridade. Promoção de rastreios à população, por exemplo, ainda agora iniciamos, e já promovemos e apoiamos um programa de Rastreio Auditivo. Apoio à saúde, estar em contacto com os assistentes sociais e organizações que trabalham de perto com os idosos são as bases que pretendemos estabelecer um maior apoio a esta população.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.-Além dos problemas novos, temos os problemas velhos. Os incêndios recentes provocaram danos materiais e naturais visíveis e sentidos por todos. Ajudar a reconstruir o que se perdeu, faz parte de uma das prioridades.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-Obviamente outros problemas, que são de manter a nossa atenção é a optimização dos serviços prestados pela Freguesia de Soza, tanto em atendimento como no terreno, bem como melhorar as infraestruturas existentes. Não esquecer também, de apoiar incentivos para jovens no sentido de permitir uma fixação de mais jovens residentes.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.-Perspetiva-se um futuro de muito trabalho para todos, um trabalho que será a nossa maior estratégia para o desenvolvimento de melhor condições de vida e assistência de toda a população.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.-Com muito trabalho pela frente, para melhorar e equilibrar as contas. Depois disso, é criar valor para podermos melhorar as infra-estruturas da Freguesia de Soza nos próximos anos.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.-A Câmara Municipal tem apoiado bastante neste inicio de mandato. E acreditamos pelo que já podemos confirmar que eles são muito bons nos apoios prestados às juntas de freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.-Mantenham a esperança, porque a luta é conjunta. Estamos neste momento a remar para o mesmo lado. A meta está longe, mas não é isto um sprint. É uma maratona onde, dia apos dia, tentaremos percorrer alguns quilómetros, com passos bem dados.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.-Honestamente é uma ginástica difícil de praticar. Além da vida de autarca e da vida familiar, também existe a vida profissional e social. A família é a nossa base, nunca pode sair prejudicada, mas sai – quanto mais não seja, pelas horas que lhes roubamos. Organização e amor à camisola são os pilares para levar tudo a bom porto e conseguir gerir as mais variadas situações. Além disto, a vontade de tentar tornar a vida de todos um pouco melhor é uma motivação constante.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.-Espero que continuem com um bom trabalho, tal como nos têm habituado – o de informar bem o nosso povo e dar voz a vários tipos de pessoas e situações.

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