JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2019 - Nº 139 - I Série - Aveiro e Viseu

Aveiro e Viseu

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Fajões

Óscar Teixeira

J.A. – Valoriza o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A atividade do setor primário desta freguesia tem vindo a diminuir ao longo dos anos, mas ainda existe alguma. Neste momento existem bons acessos ás zonas agrícolas, mas que podem vir a ser melhoradas, pouco mais podemos fazer por este setor, para além da informação que damos a nível de apoios e candidaturas que possam apresentar para obtê-los.
Quanto ao turismo, é uma aposta nossa, mas que não adianta avançar com ela se não criares primeiro todas as condições necessárias para receber bem. Então tivemos de priorizar e repensar nas condições e no que podemos dar de novo aos nossos visitantes, estamos literalmente a começar a casa pelos alicerces, mas gostaria que o turismo na nossa freguesia fosse uma realidade no futuro.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- De facto, o desemprego que se sentiu um pouco por todo o país gerou pobreza em muitas comunidades, menos acentuado, é certo, no nosso conselho, pois a taxa de desemprego é baixa. Mas ainda existente, e para combater esse facto que é a pobreza, realizamos um levantamento de todas as situações da freguesia com a colaboração da RLIZ, e priorizamos o nosso apoio a essas famílias, para que dentro da pobreza em que se encontraram gerissem da melhor forma o pouco que tinham e encaminhamos as mais necessitadas para apoios da Segurança Social.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- A violência doméstica, é degradante. Mas é um problema social que existe á muitos anos, simplesmente hoje em dia é cada vez mais reportado, criando assim a ideia de aumento drástico. A sociedade vai perdendo a cada dia que passa os princípios básicos da vida, o respeito pelo próximo. A corrupção, o divórcio, entre muitos outros problemas que crescem na nossa sociedade a violência doméstica é mais um efeito desta sociedade sem credibilidade.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- A nossa freguesia passou por essa realidade, tem vindo a diminuir nos últimos anos, mas é de facto mais um problema social, a falta de regras, ou melhor, a falta de quem as faça cumprir, refiro-me mesmo á mão pesada dos pais, a mão que dá e tira com conta peso e medida. Hoje essa mão dá muito mais do que tira, desmedindo a educação. Concordo quando dizem que a culpa também é nossa, pais que vivemos muito para o trabalho e para o laser e esquecemo-nos dos nossos filhos que serão o espelho do tempo que tens para eles e a importância que dás a esse tempo, não me refiro a quantidades de tempo, por vezes pouco tempo, desde que passado intensamente.
Como referi no início, eles são o espelho do que se passa na sociedade, a violência domestica, o divórcio, enfim, diversos problemas sociais que são uma realidade.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A sociedade em que vivemos, tem gerado esta violência gratuita, como o bulling nas escolas que causa em alguns miúdos danos traumáticos para a vida, e mais uma vez a culpa não morre solteira, pois a publicidade nas redes sociais, os vídeos que correm constantemente nestes meios sem regras provocam muitas das vezes estes atos condenáveis.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A autarquia neste momento tem uma Comissão Social constituída, pela própria Junta de Freguesia, pelas coletividades e associações instaladas na freguesia, pelos diversos movimentos da Igreja, pelas escolas, algumas empresas e pela RLIZ. Comissão, esta que tenta dar uma resposta, de forma a manter a sociedade viva e ativa, selecionando casos de isolamento, casos problemáticos ao nível financeiro entre muitos outros. Para tal, para além do acompanhamento semanal realizado pela RLIZ, os movimentos da igreja fazem visitas semanais aos nossos idosos, fazemos em colaboração recolha de bens e alimentos e distribuímos pelos mais necessitados. Estamos a criar neste momento uma loja social.
Para além disto a Junta de Freguesia, realiza um passeio sénior, que leva cerca de 200 seniores da freguesia anualmente a vários pontos do país.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Temos intervindo junto da população, de forma a sensibiliza-los para a gravidade dos incêndios que foram dramáticos nos últimos anos e como devem prevenir e terem os terrenos limpos nesta época.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J.- O governo exige o cumprimento das leis e quer que as juntas tenham um papel preponderante na informação e aplicação das regras quanto a limpezas de terrenos e todos os métodos de prevenção a incêndios. Mas não tem por vezes a noção da falta de capacidade tanto financeira como física de muita dessa população, e a quem vêm pedir apoio? Ás juntas que são a resposta mais próxima que têm e o nosso dever é apoiar a população que nos elegeu, mas quem nos ajuda a nós juntas? O governo deveria disponibilizar apoios ou dar condições ás juntas de freguesia para elaborarem este trabalho que considero de proximidade com a população.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Esta freguesia em especifico, tem carência de organização a todos os níveis, é esse o trabalho que temos vindo a desenvolver, mas vão ser necessários alguns anos para organizar muitos anos de desorganização. Somos uma freguesia com varias coletividades, associações e instituições com capacidades extraordinárias, e ao mesmo tempo não temos infraestruturas com capacidade suficiente para que estas entidades deem uma resposta á sociedade ao nível que merecem na nossa freguesia.
É uma resposta que queremos dar, mas a incapacidade financeira que herdamos e o baixo orçamento, limita-nos bastante em intervenções de relevo.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- São inúmeros os problemas, para além da organização financeira e administrativa, que foi a primeira grande obra desta junta de freguesia, temos necessidades de respostas ao nível de infraestruturas para dar respostas tanto á sociedade como ás varias entidades da freguesia. Temos ainda rede viária por realizar, e muita por reabilitar, uma zona industrial para infraestruturar, redes de água e de saneamento por realizar, pois temos pouca área abrangida por aguas publica e quanto á rede de saneamento é nula na freguesia.

J. A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Como já referi, temos feito um trabalho que considero muito importante para o futuro da nossa freguesia. O equilíbrio administrativo e financeiro em curso vai garantir uma credibilidade diferente e capacidade de resposta a muitos dos problemas. O projeto social que estamos a desenvolver também irá dar frutos para equilibrar os princípios da nossa sociedade e responder as necessidades da mesma.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A mensagem é de união, penso que tudo tem de ter bases se não acaba por cair, e se essa base for unida torna todos os projetos mais sólidos. Em todas as decisões que tomo, dou ouvidos aos meus colegas de executivo e tento absorver a posição da população relativamente ás mesmas.
Esta freguesia necessita de muito investimento, pois a qualidade de vida da população vem desse investimento, e investir nas pessoas é um sinal de evolução.
O investimento nesta freguesia justificasse com a resposta que temos de dar ao setor empresarial, que trás emprego á população, assim como dar resposta aos Bombeiros Voluntários, Banda Musical, Rancho Folclórico, Escolas primaria e secundária, Santa Casa da Misericórdia, entre outras coletividades, associações e movimentos que necessitam de apoio e investimento para nos ajudar nas respostas a uma sociedade melhor.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira da freguesia é muito preocupante e lastimável. Aquando da nossa tomada de posse, quando apuramos um volume de divida de mais de 200 mil Euros, e com um saldo na conta na ordem dos 150 Euros para liquidar contas correntes em divida á dois meses, ficamos um pouco em choque, mas por outro lado, detetamos o real problema da nossa freguesia.
Para além do administrativo, o problema financeiro teve de ser bem estruturado, e obtivemos bons resultados no primeiro ano ao resolver 50 mil Euros da divida, ou seja 23%. Mas isto não nos impediu de fazer obra, se bem que este resultado também é obra com um orçamento de cerca de 120 mil Euros.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal teve por iniciativa, aumentar em 15% o acordo de execução realizado com as freguesias, o que considero uma medida importante para as freguesias, mas continua a ser um valor residual para as respostar que temos de dar á população. A atual Camara Municipal tem dado respostas ás freguesias, tem dado ouvidos ás necessidades da freguesia, mas também têm as suas limitações e não conseguem dar respostas a tudo, então temos priorizado.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Com querência e princípios que me são característicos, a mensagem não poderá ser diferente daquilo que tenho vindo a referir, e essa é de união. Essa união que nos torna fortes no futuro. E o futuro só pode ser um Fajões mais forte.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Esta é mais uma etapa da minha vida, e esta etapa foi debatida e iniciou-se no seio familiar, dei mais uma vez ouvidos aos meus pais, a minha esposa e filhas, que me encorajaram para esta etapa. Pensamos assim que estamos preparados, mas não é assim tao simples, as dificuldades que encontrei para organizar a Junta de Freguesia e coloca-la a funcionar roubaram muito do meu tempo familiar, mas não há nada que a família não supere e comecei a dar mais intensidade aos momentos que estamos em família.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Desde já, agradeço o convite para esta entrevista. E dar os parabéns pelo trabalho desempenhado prestado em prol de uma sociedade melhor. A informação bem gerida tem reflexos no nosso futuro. Obrigado.

Óscar Teixeira

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