JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Maio 2019 - Nº 139 - I Série - Aveiro e Viseu

Aveiro e Viseu

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Avanca

José Jorge da Silva Valente Borges

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O setor primário, desenvolvendo-se hoje em menor escala que outrora, continua a ter relevante importância económica nesta Freguesia, nomeadamente na produção de leite, facto que motiva o cultivo dos terrenos agrícolas, não apenas para obter pastagem, mas também produtos agrícolas.
Quanto ao turismo, havendo pontos de interesse turístico na Freguesia, este ainda não se faz sentir, sendo também verdade, que a Freguesia não se encontra adequadamente apetrechada de equipamentos de alojamento.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- A Freguesia de Avanca não foi exceção e sentiu o problema da falta de emprego que provocou dificuldades nas famílias, no entanto o problema estará hoje praticamente resolvido, registando-se até ausência de mão de obra.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- A violência doméstica é efetivamente o flagelo social que carece do envolvimento da sociedade Portuguesa e adaptação das Instituições que visam criar soluções para atenuar esta realidade. Contudo, na Freguesia o problema não terá a dimensão dramática.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Felizmente a Freguesia de Avanca, não regista especial preocupação com a delinquência infantil. Existirão casos esporádicos, mas que são rapidamente solucionados pelas Instituições vocacionadas para fenómeno.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A ausência de valores e o facilitismo, muito tem contribuído para o fenómeno que é a violência gratuita e que me entristece, sendo minha opinião, ser importante e urgente, desenvolver programas específicos com o objetivo de reverter esta alarmante e assustadora realidade.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Esta Junta encontra-se desperta para o problema dos idosos, nomeadamente a ausência de apoio familiar, cujos casos conhecidos, são levados à Comissão Social de Freguesia, presidida pela Junta de Freguesia e, através desta e outras Instituições, resolvidos na sua maioria.
A Junta faz visitas e reencaminha a Instituições especificas, problemas detetados.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
P.J.- Depois das desgraças que ocorrerem em épocas transatas, que marcaram profundamente a sociedade Portuguesa, tendo sido feito algum trabalho de prevenção, há ainda muito por fazer e é fundamental e prioritária a mobilização das Instituições, nomeadamente as que tem por dever prevenir, mas e também, toda a sociedade Portuguesa. Em minha opinião, foram criadas muitas Instituições com o objetivo de prevenir, mas que não desenvolvem em devido tempo e da melhor forma as competências para que foram criadas. Há demasiados dirigentes em gabinetes e ausência de gente, que no terreno, de provas e contribua para a prevenção.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J.- Esta Freguesia não tem uma grande mancha florestal e tendo registado ocorrências, algumas de gravidade, estas foram felizmente debeladas a tempo de evitarem danos de maior gravidade, não constando que tenha sido recebido qualquer apoio do Governo.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Esta Freguesia debate-se acima de tudo com a ausência da limpeza dos pinhais, motivada pela débil condição económica de alguns dos proprietários, pelo desinteresse ou dissentimento entre herdeiros e também por desconhecimento da localização das propriedades.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Esta Junta, conjuntamente com o Município tem vindo a proceder à limpeza de aceiros, a fim de possibilitar melhores acessos às áreas florestais, nomeadamente no combate a eventuais incêndios, mas, depara-se com o grave problema dos madeireiros, que procedendo ao corte das árvores, deixam depositados os sobrantes por tempo indeterminado, o que constitui não só uma ameaça à deflagração de incêndios, mas, e também incumprimento às Leis.

J. A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Avanca, é freguesia do concelho de Estarreja, portanto situada no litoral, “visitada” pela ria de Aveiro, que registou já melhores tempos. E, sendo verdade que têm hoje melhores acessibilidades, tem vindo a perder população. Facto preocupante, a dever-se à ausência de parque habitacional, ao elevado valor do aluguer das poucas habitações que existem para alugar e ao elevado número de casas devolutas e a degradarem-se. Umas por motivo de penhora contenciosa, (bancos etc.) outras, por herdeiros desavindos e outras por falta de recursos económicos.
Perspetivo por isto, que com relativa urgência, seja criada legislação a fim de alterar a atual e penalizante situação.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- As mensagens e os eventos, dependem das Instituições que as convoca e dos assuntos a tratar. Naquelas onde estejam representantes do Governo, ou outras Entidades, responsáveis pela governação, manifesto preocupação pela perda de população, pela ausência de parque habitacional e retirada de alguns serviços públicos da Freguesia, CGD e CTT, a demora na urgente beneficiação da EB 2,3 Prof. Dr. Egas Moniz, entre outros.
Nas restantes, refiro convictamente que Avanca, localizada numa zona privilegiada, com acesso muito próximo a infraestruturas como caminho de ferro, A-1, A-29, próxima da A-25, a cerca de 30 Km do porto comercial de Leixões e do aeroporto Sá Carneiro, sensivelmente à mesma distancia do porto comercial de Aveiro e naturalmente da cidade de Aveiro, “visitada” pela lindíssima Ria de Aveiro, próxima das praias da Torreira e do Furadouro, entre outras, tem enorme potencial para se tornar numa Terra mais atrativa e agradável para viver. Temos quase tudo, falta o interesse e apoio de algumas Instituições!

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira da Junta de Freguesia da qual sou Presidente, é normal, obedecendo ao estabelecido no orçamento, que é obviamente executado com rigor e responsabilidade.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- No caso concreto, a Câmara Municipal transfere o valor destinado aos serviços protocolados e consignados nos contratos Interadministrativos, a executar pela Junta, ficando aquém dos pedidos formulados e das necessidades da Comunidade da Freguesia.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Avanca está a passar por um período menos bom e de recrudescimento, refletido na perda de população e de infraestruturas, pelo que exorto os Avancanenses a não perderem esperança e unirem-se, reivindicando de forma pacífica, mas sentida e vincada, não apenas, o que nos foi retirado, mas, e também, o que por direito próprio é nos é devido, nomeadamente o acesso de todas as habitações à rede pública de saneamento, à (escola) E-B 2,3 condigna, à rede viária – E.N. 109 beneficiada à Ribeira do Mourão desassoreada e navegável, ao desbloqueamento do PDM por forma a permitir uma bolsa industrial na Freguesia, entre outros.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Estando reformado, estou presente todos os dias na Junta de Freguesia, sou um dos primeiros a entrar e o último a sair. Tenho reuniões durante o dia, no período da noite e os fins de semana ocupados com assuntos da Junta. É preciso gostar e “vestir a camisola”! O custoso e difícil é deixar a família para segundo plano.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Agradeço ao Jornal das Autarquias a oportunidade de poder expressar alguns dos assuntos que preocupam a Junta de Freguesia e quero desejar que o Jornal continue a interessar-se pelos assuntos autárquicos nomeadamente das Freguesias, nem sempre compreendidas e consideradas os parentes pobres, deparando-se com falta de meios nomeadamente humanos e com reduzidos recursos económicos, em constante esforço, devolvem enorme trabalho em prol das Comunidades.

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