JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Fevereiro 2018 - Nº 124 - I Série - Alentejo

Alentejo

Francisco Lampreia

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes

Francisco Lampreia

J.A.- Tendo havido alteração nos resultado eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- Penso que os eleitores de Vila Nova de Milfontes souberam reconhecer o trabalho que foi efetuado pelo anterior executivo, liderado pelo PS e partilhado com dois elementos de outras duas forças políticas, e deram um voto de confiança tão claro ao atual executivo, numa perspectiva de estabilidade governativa por um lado, e de continuidade por outro, para que o caminho de desenvolvimento, encetado no anterior mandato, possa continuar em Vila Nova de Milfontes nos próximos quatro anos.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- Na minha opinião o OE para 2018 contribui para perpetuar o problema da injusta repartição de fundos que se verifica no nosso país, continuando a manter as Freguesias como o parente pobre da administração pública. As responsabilidades das Juntas são cada vez maiores sem que as verbas do FFF aumentem de forma a trazer alguma justiça ao sistema.

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.J.- O drama de Pedrógão Grande vai ficar na memória coletiva durante muitos anos e a necessidade de arranjar culpados para justificar o que aconteceu vai sempre perseguir os responsáveis políticos e institucionais. Os fatores que levaram aos acontecimentos foram vários, como a falta de planeamento e limpeza das florestas, as falhas de comunicações, as condições atmosféricas, o azar dos acidentes que se deram no meio do fumo por falta de visibilidade, etc., foi como uma tempestade perfeita. Eu espero que as conclusões do relatório permitam criar as condições para que no futuro seja praticamente impossível voltar-se a repetir uma tragédia destas. Espero também que, de uma vez por todas, se apetreche a nossa Força Aérea com meios de combate aos fogos, para que deixem de existir interesses económicos diretamente ligados aos incêndios.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- O desemprego tem-se revelado cada vez menor na nossa Freguesia. Embora muitos empregos oferecidos tenham um carácter sazonal, verificou-se já no último ano uma falta de mão-de-obra disponível para a procura existente, tendo contribuído para este facto o crescimento acentuado dos setores do turismo e da agricultura de regadio, no concelho de Odemira. A Junta de Freguesia tem apostado e vai continuar a apostar em iniciativas que promovam Milfontes como um destino turístico de qualidade e como um bom local para viver e investir.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- Na minha opinião existe a necessidade de revisão da legislação sobre este tema, com o reforço das penas relativas a estes crimes e com o aumento significativo da proteção às vítimas que, por vezes, quando lhes vai ser concedida ajuda, já é tarde demais. A melhoria das condições de vida das famílias e a educação são também, na minha opinião, fatores essenciais para combater eficazmente a violência doméstica É um problema grave e que está ligado a problemas sociais, em grande parte associados a situações de pobreza e exclusão social.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Sinceramente não me parece que constitua hoje um problema maior do que já foi no passado. Infelizmente sempre se verificaram este tipo de casos na nossa sociedade, não sendo talvez tão divulgados como agora que existem tantas televisões à procura do sensacionalismo para vender notícias.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- O apoio aos idosos da nossa Freguesia faz-se a diversos níveis, nomeadamente com o transportes gratuitos dentro da Freguesia, dois dias por semana, à sede da mesma para que os idosos possam ir à farmácia, ao banco, ao médico, etc., e dois dias por semana, ao pavilhão, para que participem nas atividades desportivas no âmbito do Programa “Viver Ativo”, iniciativa da responsabilidade da Câmara Municipal de Odemira. Os idosos também são apoiados através da criação e manutenção de espaços públicos para eles direcionados, na organização de momentos de convívio intergeracional, almoços de Natal e outras iniciativas de âmbito cultural. Têm sido também apoiadas viagens de âmbito cultural através da utilização dos transportes da Junta. Existe também uma Loja Social que apoia todos os necessitados da Freguesia, incluindo os mais idosos, nos âmbitos alimentares, de vestuário e outros.

J.A.-Qual o maior problema com que essa Freguesia se debate?
P.J.- O baixo orçamento disponível é o maior problema da nossa Freguesia. Os cerca de 80.000 Euros que recebemos do Fundo de Financiamento das Freguesias, é uma profunda injustiça tendo em conta as nossas realidades, quer ao nível do território, quer ao nível social. Este valor é complementado com os acordos de delegação de competências celebrados com a Câmara Municipal de Odemira, que permitem a esta Junta continuar a trabalhar e a prestar os serviços mínimos à nossa população residente e à que nos visita. No entanto esses acordos também significam o aumento das responsabilidades e, como tal, as verbas ainda são manifestamente insuficientes para uma Freguesia que tem cerca de 5.100 habitantes recenseados, sendo que na realidade são cerca de 8.100 no total pois existem muitas pessoas que escolhem esta linda terra para morar mas não querem prescindir da sua morada original, médicos de família, etc., e na força do verão chegamos a perto dos 50.000 habitantes, sem que isso signifique um tratamento diferenciado por parte do Estado Central.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Relativamente a outros problemas existentes podemos apontar: a falta de um centro de saúde com condições e médicos para prestar os primeiros cuidados de saúde à população; a existência de bastantes caminhos vicinais que têm características urbanas dada a grande quantidade de tráfego que por elas passa diariamente e que representam um enorme custo de manutenção; a falta de um itinerário principal perto da nossa localidade que facilite o acesso da população aos cuidados de saúde básicos e que permita um maior desenvolvimento das atividades económicas do concelho; a falta de um centro cultural na Vila que permita apoiar e desenvolver as atividades culturais existentes e fomentar outras manifestações culturais; a falta de infraestruturas de apoio aos desportos náuticos existentes; a insuficiência de oportunidades de trabalho que permitam fixar os jovens da Freguesia; entre outros.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do Freguesia?
P.J.- As perspectivas que tenho para o futuro da nossa Freguesia são boas. Tenho confiança no futuro e penso que estamos no bom caminho para conseguir um desenvolvimento sustentado na nossa Freguesia e no nosso concelho. Os investimentos estruturantes que têm sido efetuados em Milfontes pela Câmara Municipal de Odemira e pela sociedade Polis, trouxeram uma maior qualidade de vida à nossa população residente e aos nossos turistas, tornando muito mais aliciante o investimento na nossa terra a diversos níveis. Os investimentos previstos para estes próximos quatro anos também constituem motivo para otimismo acerca do futuro.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- A situação financeira da Junta é equilibrada não existindo qualquer passivo bancário, sendo o prazo médio de pagamento a fornecedores inferior a 30 dias.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Além dos acordos de delegação de competências já referidos que reforçam significativamente o orçamento da Junta e que são fundamentais para nós, a Câmara Municipal de Odemira apoia-nos ao longo do ano com vários meios logísticos fundamentais e a outros níveis, tornando possível gerir esta Freguesia como o temos feito até agora.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua Freguesia?
P.J.- Quero enviar uma mensagem de esperança dizendo-lhes que podem contar comigo durante este mandato, com a certeza que irei fazer o melhor que estiver ao meu alcance pela nossa Freguesia, por um futuro de esperança para todos e todas.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Tem sido bastante difícil pois este trabalho é bastante exigente e absorvente. Felizmente tenho podido contar com o apoio da minha família, que muito agradeço, porque sem ele seria impossível assumir um cargo destes. Penso que a dedicação à causa pública é uma causa nobre e que merece o sacrifício que se faz na vida privada, e só com este sentido de entrega faz sentido assumir um cargo de autarca.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Quero agradecer a oportunidade que me foi dada para dar a conhecer um pouco melhor os problemas existentes e as perspectivas de futuro da Freguesia de Vila Nova de Milfontes.

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