JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Fevereiro 2018 - Nº 124 - I Série - Alentejo

Alentejo

Nome

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Póvoa de São Miguel (Moura)

António Limpo Montezo

J.A.- Tendo havido alteração nos resultados eleitorais autárquicas de 2017, o que pensa sobre isso?
P.J.- É um fenómeno normal e habitual haver alterações. Apesar do partidarismo vigente, o eleitorado é dinâmico quanto a intenções e escolhas no momento de votar. Esse dinamismo provoca mudanças e as mudanças provocam novos dinamismos. Portanto entramos em ciclo, o que é bom para evitar “reinados” de autarcas e para dar oportunidades a novos políticos e técnicos de trazer novas ideias e métodos para a gestão das freguesias e municípios. E é dessa mudança que nasce alguma evolução e vai permitindo que o país se desenvolva ao ritmo proporcional dessas mesmas variáveis.

J.A.-Qual a sua Opinião sobre o OE para 2018?
P.J.- O OE2018 não sendo muito diferente do ano anterior, apresenta algumas medidas sobre tributação em sede de IRS que podem beneficiar milhares de famílias. O início do processo de descongelamento das carreiras na Função Pública e o fim dos duodécimos também ajuda a restituir rendimentos.

J.A.- Em relação ao relatório sobre os incêndios de Pedrogão Grande, qual a sua opinião?
P.J.- No nosso país, por vezes os interesses particulares e os lobbies ganham vantagem relativamente ao que deveria ser o interesse público. Por isso, esbanjam-se dinheiros em estudos, relatórios e pareceres que não conduzem a quase nada. No caso concreto de Pedrogão Grande espera-se que sirva de exemplo negro para que alguma coisa mude de facto na prevenção, combate e responsabilização dos incêndios em Portugal.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.- O combate à pobreza deve ser uma linha norteadora de um verdadeiro autarca. Mas, esta linha, compete mais aos governos na definição de programas e abertura de medidas de apoio gerais aos mais desfavorecidos. As autarquias farão todo o esforço possível, sendo também importante o trabalho de campo das associações vocacionadas para essa temática. Sendo um problema nacional e com maior expressão no interior do país, penso que em conjunto, governo, seg-social, autarquias e as associações têm vindo a menorizar os efeitos do desemprego e de carência económica de muitas famílias.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.- É um problema social que deve ser visto, não só à luz das políticas sócio-económicas, como da análise das novas estruturas de relacionamento e vivência entre os casais. É um problema de natureza sociológico, politico e de segurança/ordem pública.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Esse fenómeno, como outros associados, são fruto das tendências da complexidade crescente das sociedades. O mundo globalizou-se no final dos anos 80 do século passado e a partir daí emergiram novos fenómenos sociais que a sociedade vai enfrentando e sobre os quais não consegue respostas imediatas.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- Todo o apoio possível. Os orçamentos das Juntas de Freguesias são normalmente limitados e por isso mesmo, a Junta pode apoiar nas deslocações, nas isenções de taxas e licenças e em medidas de conforto que se enquadrem nas capacidades financeiras, apesar de existir cooperação entre algumas associações vocacionadas para a ajuda social.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O maior problema prende-se com a falta de equipamentos sociais, especialmente uma estrutura residencial para idosos, ou seja, um Lar. Dado o envelhecimento da população e consequente transformação da pirâmide etária do concelho e da freguesia em particular, vamos ter nas próximas décadas um número excessivo de idosos, para os quais pensamos ter respostas apenas a médio/longo prazo.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Outro grande problema tem a ver com a regressão da população, o saldo fisiológico tem vindo a decair de ano para ano. O número de habitações devolutas e em ruínas aumenta na razão directa da perda de população. Além desses, continuam os problemas de emprego, não só para os jovens, como para os activos a partir dos 45 anos.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- As perspectivas futuras para a freguesia, e não entrando em futurologia simplista, podem ser boas na área do incremento do desenvolvimento agrícola através da pequena e média estrutura, dada a expansão da área de rega do complexo do Alqueva, que distribui canais por toda a área da freguesia.
Uma outra área com elevado potencial será o incremento turístico, desde que criadas infraestruturas básicas, em especial na aldeia da Estrela situada numa localização privilegiada relativamente ao regolfo do Alqueva.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.- A situação financeira é precária. O orçamento não permite grandes obras e dependemos do Município para levar por diante alguns equipamentos sociais urgentes, numa freguesia que é, talvez, a mais carenciada do concelho de Moura nessa matéria.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.J.- A Câmara, como estamos todos ainda numa fase de reorganização, não pode neste momento prestar as ajudas necessárias em termos financeiros. Contudo, esperamos em 2018 apoios de vária ordem, tais como, apoio logístico em áreas de recolha de resíduos, pavimentações de ruas, salvaguarda de património cultural, ordenamento urbano e comercial/industrial, etc. Para 2019 temos em vista, e é um compromisso assumido com a população, arrancar com o projecto de infraestrutura social de uma casa mortuária que sirva dignamente a população.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Quero deixar claro a toda a população que o dinamismo que este novo executivo está a imprimir em todas as tarefas do dia a dia da Freguesia, vai seguramente conduzir a um novo patamar de desenvolvimento, com a modernização e a dotando de alguns equipamentos básicos. Portanto, apesar de todas as dificuldades, vamos tentar melhorar a vidas das pessoas e resolver muitos problemas que se arrastaram no tempo.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- De facto, esta é uma faceta delicada, ou seja, é um preço a pagar pelos que se dedicam a um projecto de assumir a gestão de uma freguesia ou de uma autarquia. Não é fácil conciliar a dimensão familiar e profissional com a vida de autarca. Existe um desgaste constante e situações de stress. Portanto, aqui a palavra-chave para bem lidar com isso é adaptar e readaptar, até chegarmos a um ponto de “instabilidade estável”, passe o paradoxo.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Que continuem a nobre tarefa de divulgação das freguesias e das autarquias, os seus problemas e anseios. Muito obrigado pela oportunidade e bem hajam!

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