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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Novembro 2017 - Nº 121 - I Série - Açores

Açores

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Mateus da Calheta - Angra do Heroísmo

Carlos Manuel Pereira Martins

J.A.- Qual a sua opinião sobre a situação política atual?
P.J.- O País está a sair de uma grande e prolongada crise. É necessário manter a estabilidade governativa para promover o crescimento económico e dar boas condições aos jovens para se fixarem e formarem família no nosso Pais, e inverter a sua saída para a emigração.
J.A.- O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.- Não existem problemas de carência económica grave na nossa freguesia. Existem de facto famílias com poucos recursos económicos, mas estão sinalizadas pelos Serviços de Segurança Social e recebem apoios em diversas áreas, nomeadamente: habitação, bens alimentares, rendimento social de inserção, apoio no material escolar para crianças, vestuário, mobiliário e bens domésticos.

J.A.- O que pensa sobre a violência doméstica que, ultimamente, tem aumentado drasticamente no nosso país, e qual a causa / efeito?
P.J.- Penso que a violência doméstica não aumentou – apenas existem mais denúncias do que no passado. Sempre existiu esta triste realidade – hoje é possível intervir e ajudar nessas situações, tanto pela via da assistência social como pela via das forças de segurança. Uma das causas é sem dúvida o abuso do consumo de álcool, que é demasiado acessível e barato e leva a comportamentos agressivos.

J.A.- O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Penso que em qualquer sociedade regrada, os cidadãos devem estar eficazmente protegidos dessa violência gratuita pelas forças de segurança pública. Seria importante melhorar as condições de trabalho dos agentes de segurança, aumentando o seu número e presença no nosso quotidiano.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?
P.J.- Como referimos na primeira questão, a saída da crise prolongada tem vindo a permitir novamente a fixação dos jovens para formar família no nosso país. Mas de facto tem existido falta de emprego qualificado. Ao longo dos últimos 10 anos, muitos jovens licenciados têm decidido sair do país, à procura de ordenados coincidentes com o investimento que fazem na educação superior. Não é suficiente criar postos de trabalho: é necessário que haja desenvolvimento e crescimento económico para que haja possibilidade de integrar mão-de-obra com qualificação superior nos quadros das empresas, pagando vencimentos coincidentes com essa formação superior.

J.A.- A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?
P.J.- Esta é uma realidade que não chegou à nossa freguesia, pelo que não sentimos qualquer celeuma em relação a este tema.

J.A.- Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.- A autarquia facilita o transporte dos idosos para diversas atividades organizadas pelo Centro de Convívio. Também facilita o acesso a atividades promovidas pelo Município para os seniores. Do mesmo modo, todas as iniciativas do Centro de Convívio de Idosos que solicitam parceria com a Junta de Freguesia são apoiadas.

J.A.- Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- A freguesia de São Mateus da Calheta já ultrapassou, ao longo das últimas 3 décadas, as dificuldades maiores de combate à pobreza e exclusão social, falta de infraestruturas de apoio à população e carências económico-sociais graves. Embora existam sempre aspetos a melhorar, a verdade é que a freguesia se encontra hoje com boas condições para a sua população.
A freguesia ficaria mais bem servida se houvessem mais veículos para transportes diversos, como por exemplo para ir buscar as crianças da freguesia sem viatura para a Escola Primária. Não podemos dizer que esta situação, embora incómoda, constitua um problema grave.

J.A.- Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- O trabalho de preservação do património da freguesia, bem como a manutenção da limpeza são algumas das tarefas que nunca ficam totalmente concluídas. Do mesmo modo, é necessário dar continuidade à melhoria e criação de novas infraestruturas, como um pavilhão desportivo, a expansão das estruturas do parque de lazer, entre outras intervenções.

J.A.- Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Muito positivas. S. Mateus da Calheta foi a freguesia com maior crescimento populacional da Ilha Terceira nos últimos Censos (2011), verificando-se também um crescimento forte e sustentado das empresas sediadas na freguesia e dos postos de trabalho disponíveis. O Porto de Pescas é um dos mais importantes do Arquipélago. Existem diversas unidades de alojamento, restauração e animação turística na freguesia, dando boas condições para o crescimento do turismo. Julgamos que o futuro da freguesia passará por uma evolução cada vez maior, sendo muito promissor.

J.A.- Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.- A autarquia tem trabalhado com as verbas que lhe são atribuídas pelo Fundo de Financiamento das Freguesias e por diversos Acordos de colaboração celebrados co m diferentes entidades, não tendo quaisquer valores em dívida.

J.A.- Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal é o principal aliado da Junta de Freguesia. A maior parte das situações quotidianas de gestão de resíduos, de protocolos de cedência de pessoal, de apoio social e habitacional, de licenciamento, e de inúmeras outras questões, são resolvidas em estrita colaboração com a câmara Municipal. Poderá ser dito que as Juntas de Freguesia são os braços das Câmaras Municipais, e uma instituição não funciona sem a outra.

J.A.- Quem mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Queremos transmitir que permanecemos empenhados em alcançar as metas inicialmente propostas, almejando superar as expectativas desta comunidade. É nossa missão manter a freguesia em permanente crescimento, facilitando a sua evolução e levando o nome de São Mateus da Calheta a um novo patamar.

J.A.- Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Com muito sentido de serviço e espírito de sacrifício, trabalhando em prol da comunidade de São Mateus da Calheta.

J.A.- Que Mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Desejamos continuidade de sucesso no vosso trabalho, em prol das freguesias.

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