JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Açores

Açores

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória

Tibério Manuel Faria Dinis

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- A Agricultura é central na estrutura económico da Concelho. Representa, sensivelmente, 30% da nossa estrutura económica, sem falarmos das empresas que a orbitam. É um setor que, na última década, se modernizou e agilizou a sua produtividade. Tem enfrentado e enfrenta vários desafios, mas sabemos que os seus agentes estão despertos para as mudanças e têm sabido dar resposta aos mesmos. Relativamente ao Turismo, é um setor em franca expansão na ilha e no arquipélago. A oferta e a sua qualificação têm vindo a aumentar, particularmente decorrente do esforço e do empenho dos privados.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza , como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.- Numa primeira fase, em resposta à crise económica e à redução da presença militar americana no Concelho, o Município concretizou um esforço financeiro em programas de ocupacionais – geridos com a colaboração do Governo Regional -, proporcionando algum rendimento a várias centenas de famílias até que a retoma económica se verificasse. Hoje, com a retoma económica a acontecer, muito motivada pelo crescimento no turismo e no setor tecnológico, assim como pelo crescimento da construção, aumentam as necessidades de mão-de-obra, o que tem gerado respostas para essa questão. Tem sido dada uma resposta progressiva.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.- A violência doméstica deve ser encarada como um crime. O recente mediatismo tem permitido sensibilizar-nos a todos, enquanto comunidade, para esse problema e acreditamos que os sistemas, educativo, político e judicial corrigirão devidamente todas as lacunas para que, por força da prevenção e da ação judicial, se possa responder adequadamente.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação
P.C.- Felizmente, na Praia da Vitória, essa realidade não assume dimensão grave. Contudo, quer por via das parcerias com as escolas, com as autoridades e com as instituições sociais, temos desenvolvido imensos projetos que garantem visibilidade à necessária prevenção e combate a essa questão.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- Através do projeto Reabilitação na Comunidade, orientado para as crianças e os idosos, temos conseguido garantir uma alternativa a quem necessita de apoio. Além disso, a rede de centros de convívio no concelho, as parcerias com instituições de saúde e as ações de prevenção e combate aos problemas decorrentes do envelhecimento da população têm permitido uma comunidade que inclui as pessoas de maior idade, valorizando a sua sabedoria e fazendo-os sentir parte integrante da sociedade local.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- Atualmente, o dossier prioritário na Praia da Vitória é garantir a reposição ambiental das áreas afetadas pela ação da presença militar americana no Concelho. Alguns passos têm sido dados, mas continuamos empenhados em que a salvaguarda e segurança dos habitantes seja uma constante garantia.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Os modelos de transporte aéreo e marítimo são duas questões que merecem a nossa atenção, porque influem na dinâmica social e económica, particularmente na capacidade de exportação e importação das nossas empresas, assim como nos fluxos turísticos que são centrais para o desenvolvimento do setor turístico.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- Levamos sempre uma mensagem de empenho e rigor na busca das melhores soluções para os problemas que nos afetam. Quanto a investir no Concelho, são três os atrativos: primeiro, a possibilidade de usufruir de um pacote de incentivos único no país; segundo, a existência de estruturas públicas orientadas para o apoio ao investidor; terceiro, um ambiente empresarial e social seguro, com qualidade de vida e com ligações a vários mercados.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- No ensino, dito regular, temos diversas parcerias, quer de índole educativa quer de sensibilização. Destaco o programa da academia de código júnior, que estamos a desenvolver com vários turmas do 2º ciclo, capacitando os alunos para a programação e o pensamento lógico, com vista a conferir-lhes mais ferramentas para um mundo cada vez mais digital.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- É uma situação sustentável, fruto do rigor orçamental e dos mecanismos de controlo de despesa implementados. Esta ação tem-nos permitido libertar meios para novos investimentos, rentabilizar os investimentos realizados e dotar o concelho das estruturas e programas adequados à realidade presente.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- As Juntas de Freguesia são peça central no desenvolvimento do Concelho. Essa visão impõe que mantenhamos uma relação estreita e permanente com as Juntas de Freguesia, apoiando-as quer financeiramente – no âmbito de delegação de competências – quer em termos logísticos, para que possam realizar as ações necessárias ao bem-estar das populações.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Uma mensagem de rigor e empenho no desenvolvimento do Concelho. Um trabalho que tem como pilares a solidariedade, o humanismo e a proximidade, implementado por uma equipa unida, coesa e forte, que alia juventude e experiência, e que trabalha diariamente para fazer da Praia da Vitória um Concelho que todos possam viver, visitar e investir.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- É tudo uma questão de planeamento e de conferir qualidade ao tempo usado em cada componente. Quando temos vontade de contribuir para o nosso Concelho e para o bem comum, tudo é fácil de concretizar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- Quero deixar uma mensagem de parabéns e congratulação para o trabalho realizado e para que continuem a dar voz à ação municipal, que é estruturante para o desenvolvimento do nosso país.

Tibério Manuel Faria Dinis

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