JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Abril 2019 - Nº 138 - I Série - Açores

Açores

Entrevista do Presidente da Câmara Municipal da Madalena

José António Marques Soares

J.A.- Valoriza o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C- A agro-pecuária e a pesca detêm grande importância na economia local. Neste sentido, o Município adoptou uma estratégia política para potenciar estas áreas, desenvolvendo diversos projectos como a construção do Mercado Municipal, que será muito em breve inaugurado, bem como a defesa intransigente da COFACO e dos seus trabalhadores e a salvaguar­da dos interesses dos agricultores, através da criação de postos de abastecimento de água à lavoura.
De igual forma, o turismo assume também um papel preponderante na economia do Concelho da Madalena, que tem registado um número crescente de turistas, e consequentemente, o aparecimento de novas unidades de alojamento, gerando riqueza e emprego no Município.
Maximizando o potencial deste sector chave, a autarquia aposta numa sólida e eficaz estratégia, que tem contribuído para um crescimento sustentável, em particular do enoturismo e no ecoturismo, com a criação futura da Rota do Vinho e Rota dos Maroiços.
Pretendemos também dar início às obras de construção da Ciclovia da Madalena, entre o Cachorro e a Areia Larga, promovendo a mobilidade sustentável e contribuindo para afirmar o Município como um centro urbano dinâmico e ecológico.
Irá ainda nascer na Vila o Passeio Marítimo da Madalena, que beneficiará toda a frente-mar, entre o Jardim da Areia Funda e o Porto da Areia Larga, transformando toda esta área num espaço de lazer bem integrado no aglomerado urbano.
Fomentando igualmente uma componente turística valorizadora da nossa identidade cultural, irá ainda ser edificada a Casa das Memórias do Canal, na Madalena, e a Casa do Bom Jesus, em São Mateus.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza. Como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C- A Madalena é o segundo concelho de todo o país com menor taxa de desemprego. Esta invejável meta, que tanto nos orgulha foi alcançada graças ao esforço e visão dos nossos empresários, que de forma hábil têm sabido ultrapassar os desafios que a nossa condição ultraperiférica lhes coloca, contando com a colaboração de diversas instituições locais e da Câmara Municipal da Madalena.
Sempre ao lado dos nossos empresários, o Município apoia a iniciativa privada, apostando numa estratégia de incremento da economia, promovendo medidas de incentivo ao emprego e ao empreendedorismo, de forma a garantir o crescimento equilibrado do Concelho, revitalizando a economia da Madalena e do Pico.
Neste sentido, e com o intuito de captar mais investimento, a autarquia irá requalificar a zona industrial da Madalena e construir uma incubadora de empresas.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C- A violência doméstica é, em pleno século XXI, uma das sérias problemáticas da nossa sociedade. Acredito, todavia, que este aumento traduz também a maior capacidade de sinalização das nossas instituições. 
Neste sentido, a autarquia tem organizado diversos workshops e formações, que visam dotar os seus técnicos e os técnicos de outras instituições do Concelho e da Ilha das ferramentas necessárias para enfrentar este drama social.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação
P.C- Estando a Câmara da Madalena em contacto permanente com as escolas do concelho, posso afirmar que este é um problema sem expressão relevante no nosso Município.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C- As políticas sociais de apoio à terceira idade são uma prioridade para a Câmara Municipal da Madalena, que tem levado a cabo dezenas de projectos, em prol do envelhecimento activo, tendo mesmo sido finalista do Prémio Município do Ano, em 2014 e em 2017 com projectos neste domínio, o Programa MadalenAbraça e a Comissão Municipal de Protecção ao Idoso (CMPI).
Criado em 2012, o MadalenAbraça disponibiliza diversos serviços à população sénior, nomeadamente no que concerne ao acompanhamento dos idosos a consultas e serviços; à aquisição de medicação e supervisão da mesma; à execução de pequenos arranjos nas habitações, melhorando as condições de habitabilidade e mobilidade dos mais velhos do Município, à aquisição de bens alimentares de primeira necessidade, estando disponível 24 horas através de contacto móvel.
Por sua vez, a CMPI, criada em 2016, visa combater as crescentes situações de isolamento social, marginalização e solidão, promovendo os direitos dos idosos e recolocando a esperança no coração dos mais velhos do Município, em prol da integração social plena e da dignidade humana, através de um profícuo trabalho em rede e da aposta na responsabilidade social e na solidariedade intergeracional.
A par destes programas, muitas outras iniciativas têm sido desenvolvidas pelo Município, nomeadamente o projecto Mobilidade Sénior, com aulas de ginástica para os idosos, bem como sessões de psicoterapia e aulas de informática, bem como o levantamento estatístico integral da população sénior, realizado pelos técnicos municipais, com o fito de melhor conhecer, para melhor ajudar esta população.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C- Os transportes e as acessibilidades são, sem dúvida, o maior problema que o Concelho da Madalena enfrenta no que respeita ao seu desenvolvimento económico e social. O Pico precisa reforçar as suas ligações aéreas com o exterior, sob pena de ver gorados os esforços empenhados em prol do seu crescimento turístico e económico. Somos a insularidade dentro da insularidade!
Precisamos de mais e melhores acessibilidades!

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C- Existem outras áreas que necessitam de uma intervenção efectiva por parte das entidades competentes. A saúde é, inquestionavelmente, uma delas. A inexistência de um serviço de hemodiálise, que nos foi prometido nas vésperas das eleições de 2016 e que ainda aguardamos, esperando que em 3/4 meses entre em funcionamento, a diminuição dramática das consultas de especialidade, a falta de um serviço de medicina interna, de imagiologia e de um bloco operatório, para pequenas cirurgias, são apenas algumas das muitas lacunas deste sector importantíssimo para o quotidiano da população, que carecem de uma rápida intervenção.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C- Porque a Madalena é um concelho cheio de potencialidades, apresentando um extenso leque de oportunidades, nos mais diversos sectores, muito particularmente no turismo. O concelho tem paisagens deslumbrantes e beneficia de uma posição geográfica estratégica, sendo por excelência a porta de entrada de milhares de turistas, através do seu porto de passageiros e do aeroporto, localizado a cerca de sete quilómetros do centro da vila.
A vitivinicultura apresenta também um forte potencial, sendo a Madalena, a Capital dos Açores da Vinha e do Vinho, produzindo verdadeiros néctares em plena Paisagem da Cultura da Vinha, recentemente distinguida com o Prémio Nacional de Paisagem e aclamada, em 2004, Património da Humanidade pela UNESCO, o que confere aos vinhos do Pico um carácter muito peculiar e uma enorme visibilidade.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C- A educação assume grande importância para o Município da Madalena. Por intermédio da autarquia foi inaugurado, em 2015, o Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta, tornando possível realizar-se todo o percurso académico, sem sair do Concelho, o que veio revolucionar o ensino na Madalena.
A par deste grande feito, a autarquia apoia quotidianamente, os jardins-de-infância com o transporte escolar, tendo ainda a implementado o Programa EPIS na Escola Cardeal Costa Nunes, a primeira dos Açores a beneficiar, graças à autarquia da Madalena, de um programa de combate ao insucesso e abandono escolar, com provas dadas no âmbito nacional e internacional.
A Câmara é ainda, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia da Madalena, proprietária da Escola Profissional do Pico, fundamental para o Concelho e para a Ilha, e que já formou nos seus 20 anos de existência largas centenas de técnicos intermédios altamente qualificados.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C- A situação financeira da autarquia é equilibrada, evidenciando a capacidade deste Executivo Autárquico em aliar uma gestão rigorosa à prossecução dos objetivos de desenvolvimento do concelho.
O endividamento está contido e dentro dos limites legais, o que nos permite uma maior capacidade financeira e a utilização total dos Fundos Comunitários de que a Câmara pode dispor.
Em síntese, temos uma gestão eficiente, que nos permite encarar o futuro com confiança.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C- A autarquia da Madalena mantém uma estreita parceria com todas as Juntas de Freguesia do Concelho, tendo com todas elas Protocolos de Delegação de Competências, colaborando ainda com estas na resolução rápida e eficaz de eventuais problemas quotidianos, bem como no lançamento de obras estruturantes para as localidades.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C- Quero assegurar-lhes que a Câmara Municipal da Madalena está a trabalhar com seriedade, rigor e competência para cumprir, e se possível exceder, os compromissos assumidos, rumo ao desenvolvimento sustentável e cabal, na senda do sucesso por uma Madalena cada vez melhor.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C- Assumir o compromisso de liderar os destinos de um Concelho, envolve inevitavelmente sacrifício da vida pessoal e familiar. Há que estar disponível 24 horas por dia, pronto a atuar sempre que necessário. É uma gestão exigente, e não raras vezes incompreendida, mas recompensadora quando verificamos que os nossos esforços são coroados de êxito, e que a nossa atuação marcou a diferença na melhoria da qualidade de vida da nossa população.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C- Quero felicitar o Jornal das Autarquias pelo trabalho que tem desenvolvido como porta-voz do poder local, dando visibilidade aos Concelhos e Freguesias do nosso país, cujo trabalho nem sempre é devidamente valorizado, contribuindo desta forma para uma informação plural e para o enriquecimento da nossa democracia. Aqui fica o convite para que nos venham visitar e dar a conhecer, mais profundamente, ao país e ao mundo a Madalena, Capital dos Açores da Vinha e do Vinho.

José António Marques Soares

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