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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Novembro 2017 - Nº 121 - I Série - Açores

Açores

José António Soares

Entrevista do Presidente da Câmara Municipal da Madalena do Pico

José António Soares

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?
P.C.-Considero fundamental a implementação de medidas, que promovam o desenvolvimento económico e o progresso social de Portugal, de forma sustentável e equitativa, sendo neste sentido crucial, que a lei-quadro relativa à transferência de competências para os municípios, seja extensiva à Região Autónoma dos Açores, para que não existam autarquias de primeira e autarquias de segunda, no nosso país.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.-A Madalena é o segundo concelho de todo o país com menor taxa de desemprego. Esta invejável meta, que tanto nos orgulha, só foi alcançada graças ao árduo trabalho do Município. De mãos dadas com as empresas e instituições locais, a autarquia adotou uma estratégia de incremento da economia, fomentando medidas de incentivo ao emprego e criação de riqueza, de forma a garantir o crescimento equilibrado e sustentável do Concelho, revitalizando a economia da Madalena e do Pico, na senda do sucesso.
Neste sentido, e com o intuito de captar mais investimento, o Município irá construir duas infraestruturas fundamentais para a concretização deste desiderato, o Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo, a incubadora de empresas, pretendendo ainda requalificar a zona industrial da Madalena.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.-A violência doméstica é, em pleno século XXI, um dos maiores flagelos da nossa sociedade. Acredito, todavia, que este aumento traduz sobretudo a maior capacidade de sinalização das nossas instituições.
Neste sentido, o Município da Madalena tem vindo a envidar os seus melhores esforços para que este grave problema se torne um fenómeno esporádico e residual, rapidamente detetado e de imediato eliminado. Assim, a autarquia tem dinamizado diversos workshops e formações, que visam dotar os seus técnicos e os técnicos de outras instituições do Concelho e da Ilha das ferramentas necessárias para enfrentar este drama social.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?
P.C.-Portugal é um país de emigrantes. Desde sempre existiu no nosso povo o desígnio pela busca incessante de novos horizontes. Felizmente, sempre tivemos a oportunidade de regressar à nossa pátria, às nossas casas, enriquecidos por novas experiências.
Neste contexto, é crucial que as instituições contribuam de forma inequívoca para o regresso dos seus jovens, criando mais e melhores condições para a sua fixação.
No Município da Madalena para fazer face a esta situação, a autarquia tem investido quer em bolsas de estudo, quer no loteamento de terrenos para jovens e na sua integração no mercado de trabalho, apostando assim na fixação de população jovem no concelho.

J.A.-A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?
P.C.-A solidariedade entre povos é um princípio fundamental, todavia é necessário criarem-se condições nas mais diversas áreas para a aceitação de refugiados, desde mecanismos facilitadores à sua integração plena, nomeadamente no que concerne à aprendizagem da língua, à inserção no mercado de trabalho, entre muitos outros fatores, sem os quais não poderemos oferecer uma vivência digna a estas pessoas.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.C.-As políticas sociais de apoio à terceira idade assumem suprema importância para a Câmara Municipal da Madalena, que tem levado a cabo dezenas de projetos, em prol do envelhecimento ativo e do fortalecimento das dinâmicas de grupo na Idade Maior, tendo mesmo sido finalista do Prémio Município do Ano, em 2014 e em 2017 com projetos neste domínio, o Programa MadalenAbraça e a Comissão Municipal de Proteção ao Idoso (CMPI).
Criado em 2012, o MadalenAbraça disponibiliza uma vastíssima panóplia de serviços, nomeadamente no que concerne ao acompanhamento dos idosos a consultas e serviços; à aquisição de medicação e supervisão da mesma; à execução de pequenos arranjos nas habitações, melhorando as condições de habitabilidade e mobilidade dos mais velhos do Município, à aquisição de bens alimentares de primeira necessidade, estando disponível 24 horas através de contacto móvel.
Por sua vez, a CMPI, criada em 2016, visa combater as crescentes situações de isolamento social, marginalização e solidão, promovendo os direitos dos idosos e recolocando a esperança no coração dos mais velhos do Município, em prol da integração social plena e da dignidade humana, através de um profícuo trabalho em rede e da aposta na responsabilidade social e na solidariedade intergeracional
A par destes programas, muitas outras iniciativas têm sido desenvolvidas pelo Município, nomeadamente o projeto Mobilidade Sénior, as sessões mensais de psicoterapia de grupo com os Centro de Convívio de Idosos do Concelho e os cursos de informática para idosos, bem como o levantamento estatístico integral da população sénior, realizado pelos técnicos municipais, com o fito de melhor conhecer, para melhor ajudar esta população.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-O envelhecimento da população e o despovoamento do Concelho são, sem dúvida, dos maiores problemas que assolam a Madalena, sendo crucial a adoção de mais políticas públicas que favoreçam a fixação dos jovens, por forma a combater este flagelo demográfico.
Os transportes assumem também um papel primordial no desenvolvimento económico e social do nosso Concelho. O Pico precisa reforçar as suas ligações aéreas com o exterior, sob pena de ver gorados os esforços envidados em prol do incremento turístico e económico, acabando o seu magno potencial neste sector – por todos reconhecido – por sucumbir aos ditames do isolamento. Somos a insularidade dentro da insularidade. A dimensão arquipelágica deveria reforçar a nossa autonomia, não enfraquecê-la.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.-Existem outras áreas que necessitam de uma intervenção efetiva por parte das entidades competentes. A saúde é, inquestionavelmente, uma delas. A diminuição dramática das consultas de especialidade, a falta de um serviço de hemodiálise, de medicina interna, de imagiologia e de um bloco operatório, para pequenas cirurgias, entre outras lacunas neste setor importantíssimo para o quotidiano da população, carecem de uma rápida intervenção.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?
P.C.-A Madalena destaca-se quer pelas suas caraterísticas geográficas favoráveis, quer pelo mosaico de atividades económicas, que tem atualmente assistido a um crescimento sem precedentes na história do Concelho e da Ilha.
O futuro da Madalena passa, inevitavelmente, pela consolidação deste crescimento, em particular no que concerne aos setores a montante e jusante da atividade turística, em plena expansão no nosso Concelho, e que têm merecido toda a atenção do Município, nomeadamente com a eleição da Madalena como Cidade do Vinho, a inauguração do Posto de Turismo da Madalena e a participação no projeto comunitário ECO-TUR, que pretende dinamizar o ecoturismo, disponibilizando para este fim um montante total de 2,5 milhões de euros.
Os esforços envidados por esta autarquia, quer neste domínio, como em muitos outros, com a implementação de políticas públicas sociais e culturais importantíssimas, a dinamização de projetos e obras capitais para o desenvolvimento económico e progresso social, potenciando a criação de riqueza, fazem-me acreditar num futuro risonho para a Madalena.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-A situação financeira da autarquia é sustentável e equilibrada, evidenciando, a capacidade deste executivo autárquico em aliar uma gestão rigorosa à prossecução dos objetivos de desenvolvimento do concelho.
O endividamento está contido e dentro dos limites legais, o que nos permite uma maior capacidade financeira e a utilização total dos Fundos Comunitários de que a Autarquia pode dispor.
Em síntese, não obstante as exigências dos tempos que correm, temos uma gestão eficiente, que nos permite encarar o futuro com confiança.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-A autarquia da Madalena mantém uma estreita parceria com todas as Juntas de Freguesia do Concelho, assegurando e, sempre que possível, reforçando as verbas de transferências de competências para as Juntas e colaborando na resolução rápida e eficaz de eventuais problemas quotidianos, bem como no lançamento de pequenas obras estruturantes para a salutar vivência municipal.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-Quero assegurar-lhes que a Câmara Municipal da Madalena está a trabalhar com seriedade, rigor e competência para cumprir, e se possível exceder, os compromissos assumidos, rumo ao desenvolvimento sustentável e cabal, na senda do sucesso por uma Madalena cada vez mais moderna, cada vez mais equitativa, cada vez mais cosmopolita.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Assumir o compromisso de liderar os destinos de um Concelho, envolve inevitavelmente sacrifício da vida pessoal e familiar. Há que estar disponível para a população 24 horas por dia, pronto a atuar sempre que necessário. É uma gestão exigente, e não raras vezes incompreendida, mas recompensadora quando verificamos que os nossos esforços são coroados de êxito, e que a nossa atuação marcou a diferença na melhoria da qualidade de vida da nossa população.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Quero saudar o Jornal das Autarquias pelo árduo trabalho que tem desenvolvido como porta-voz do poder autárquico, com uma informação de rigor, contribuindo desta forma para o enriquecimento da nossa democracia.

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