Fevereiro 2016 - Nº 100 - I Série - Inscrito no ERC sob o nº 125290
Vila Franca de Xira | Azambuja | Alenquer | Arruda dos Vinhos | Sobral de Monte Agraço
 
Vila Franca de Xira | Azambuja | Alenquer | Arruda dos Vinhos | Sobral de Monte Agraço
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira

Mário Calado

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.- A situação política atual, vejo-a como uma oportunidade única da afirmação da democracia, no sentido mais lato da palavra, tendo em conta que à ideia errada, mas quase cristalizada, de que os governos teriam sempre e necessariamente de resultar da liderança do partido mais votado nas eleições, mesmo que em minoria, sucedeu a quebra deste paradigma, que assim legitimou um governo, suportado numa maioria parlamentar e por isso mesmo absolutamente legítimo. Oportunidade única, porque a quebra desse paradigma responsabiliza ainda mais este governo e quem o suporta, porque não se pode falhar, e isso, em si mesmo, implica num constante apelo à inteligência desta nova maioria.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.- Genericamente, parecem-me acertadas. Algumas delas resultam já de alterações a heranças recebidas da anterior legislatura, que nalguns casos, e aos poucos, se vai percebendo que eram matérias que se foram tentando esconder aos Portugueses pelo anterior governo, pelo impacto que encerravam, como é o caso Banif.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inseridanum dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa

Autarquia a gerir esse problema?

P.J.- Gere a situação à medida da sua capacidade e responsabilidade, numa área muito sensível, e que por isso mesmo tem de ser tratada com muita atenção pelos vários parceiros envolvidos, num trabalho em rede com todas as entidades envolvidas, de forma a que os recursos disponíveis e sempre escassos nestas alturas, sejam distribuídos da forma mais justa e equitativa possível.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentadodrasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.- Penso que temos de encontrar rapidamente um antídoto preventivo contra esta chaga que nos deve deixar a todos muito preocupados. Pessoalmente, e admitindo que não é uma questão fácil de lidar, o que me incomoda mais, são os casos onde os indícios e as possibilidades já previsíveis de desfechos trágicos serem altos,e pouco ou nada se fazer paraos evitar. No momento em que respondo a esta entrevista, e ainda a meio do primeiro mês do ano, já conhecemos dois episódios trágicos em famílias Portuguesas.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os maiscredenciados?

P.J.- A opinião nunca pode ser boa, porque é lamentável que não consigamos de uma forma geral, integrar no mercado de trabalho português os nossos jovens. É demasiado alta a percentagem de desemprego nesta facha, e alguma coisa se tem de fazer rapidamente. Os chamados “crânios” que felizmente temos em Portugal, continuam a ser aliciados para países e projetos que lhes oferecem perspetivas de trabalho e futuro, com os quais não temos tido a capacidade de competir, e isso é mau para o País. A aposta na ciência e na tecnologia, deve ser clara, e de modo a atrair os nossos jovens a desenvolverem o seu conhecimento ao serviço do seu País.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.- É da que esse é o caminho certo. Temos a obrigação de ser solidários com o sofrimento atroz porque passam centenas de milhares de seres humanos,e não podemos olhar para o lado e fingir que nada se passa.Portugal deve fazer o acolhimento do maiso número possível de refugiados, de acordo com as suas reais possibilidades.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.- É o apoio possível, de acordo com as nossas responsabilidades. Contudo, e sempre que possível, promovemos uma ou outra iniciativa de cariz mais lúdico, como foi o caso recente de um Passeio dos Avós, com chá, à Quinta Pedagógica dos Olivais.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.- Vila Franca de Xira situa-se na margem direita do Rio Tejo, a cerca de 30 quilómetros de Lisboa, pertencendo a este Distrito e Diocese. Tem cerca de 25 mil habitantes que se espalham pela malha urbana, sendo a área das Lezírias uma zona rural muito menos ocupada, mas não de menor interesse.

Além da população urbana, existem grupos etnicamente definíveis, autóctones ou aqui estabelecidos há longas décadas. Os campinos, trabalhadores rurais das lezírias, são um dos mais identificativos de Vila Franca. Têm como principais funções conduzir gado bravo e o seu nome “campinos” tem origem nas campinas, ou seja, nas lezírias. Existem ainda os varinos, população piscatória, originária de Murtosa, Ovar e Meruge, bem como os avieiros, outra população piscatória, originária de Vieira de Leiria.

As lezírias produzem muito trigo, cevada e milho, mas também girassol, tomate, melão e o tradicional arroz carolino, tão tipicamente ribatejano. Cria-se também muito gado bovino e cavalar.

  No rio Tejo pesca-se abundantemente a fataça, o linguado e o sável. Em tempos, pescou-se também outras variedades de peixe e marisco, como o achigã e o lagostim, de tal modo que D. Manuel I e João V deram privilégios especiais aos pescadores de Vila Franca.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.- As perspetivas são sempre boas, porque acredito nesta Terra e nas suas gentes, apesar dos momentos conturbados que estamos ainda a viver. Temos elementos diferenciadorespositivos, que devemos continuar a defender, e que são parte integrante da nossa identidade como Freguesia de Vila Franca de Xira.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.- É uma situação equilibrada, mas que obriga a um grande rigor orçamental no estrito respeito e cumprimento da Lei.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.- A relação entre as duas autarquias assenta essencialmente, nos acordos de execução e contratos inter- administrativos protocolados e com base na lei 75/2013.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.- Penso, sem falsa modéstia, que é um envolvimento de alguma confiança, porque não são todos os dias e em todos os lados, que se assiste a reuniões públicas de Junta, com três e quatro dezenas de pessoas, e em que a sua participação e intervenção é muito significativa.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.- A mensagem assenta sobretudo no que foi o compromisso assumido com a População Vilafranquense nas eleições autárquicas, há pouco mais de dois anos, e de que podem ter a certeza, que tudo faremos para o cumprir,como tem acontecido até ao momento.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.- Não é de facto uma situação fácil de contornar, sobretudo pela quantidade de solicitações que por norma são feitas à Junta e ao seu Presidente, para estar presente nas mais variadas iniciativas, quer de âmbito autárquico, quer associativo ou social, agravado pelo facto de muitas destas solicitações serem em fins-de-semana, o que para a família, se torna ainda mais difícilde aceitar. Contudo, com um ou outro momento de maior ou menor dificuldade, a minha família e sobretudo a minha esposa, tem tido a capacidade de entender as particularidades da minha missão de autarca, e no essencial, têm-me apoiado incondicionalmente.

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