Janeiro 2015 - Nº 99 - I Série - Setúbal - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Setúbal
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Francisco

Luís Miguel dos Santos Madeira

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-Após um ciclo de 4 anos de austeridade e de pedidos inaceitáveis de sacrifícios ao povo português, podemos afirmar que estamos a viver uma época de esperança. A atual composição da Assembleia da Republica traz-nos uma esperança renovada de que a dignidade possa ser devolvida aos portugueses.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-Este governo do PS, conta com o apoio de três partidos que têm na sua génese políticas socialmente mais justas, quando comparadas com o anterior. O tempo, neste momento, é de expectativa de que o programa do PS seja cumprido e se possível melhorado com o contributo das forças que o apoiam na AR.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-A autarquia está como é logico atenta a este problema que afeta não só quem diretamente se vê confrontado com esta situação, mas também com os efeitos que daí advêm.

Foi criado recentemente o Gabinete do Utente na nossa Junta de Freguesia, precisamente para colmatar e auxiliar alguns aspetos da vida quotidiana dos nossos munícipes, nomeadamente daqueles que mais carências demonstram.

Este Gabinete do Utente oferece serviços, uns a custo zero outros com um valor simbólico que vão desde o Aconselhamento Jurídico, Psicólogo, Pediatra, Dentista, Fisioterapeuta, Nutricionista até às explicações para as nossas crianças.

A par deste acompanhamento estamos também atentos a sinais que demonstrem aquele tipo de pobreza que não se vê, quer por vergonha quer até por não o querer reconhecer.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-A violência doméstica é um fenómeno sobre o qual, em pleno século XXI, nem sequer deveria ser uma realidade. Mas infelizmente é um flagelo que ainda atinge muitas pessoas no nosso país. A questão central  prende-se com a adoção de medidas concretas que contribuam para a prevenir, combater e erradicar a violência doméstica.  É necessária a criação de programas de proteção e acompanhamento às vítimas; implementação de medidas de reforço dos apoios sociais, acesso à Justiça, às casas de abrigo e aos cuidados de saúde mental nos domínios da prevenção, do tratamento e da reabilitação; concretização de respostas que garantam autonomia económica das mulheres vítimas de violência doméstica e, na prática, a confiança e segurança de que a lei as protege de facto.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-A emigração massiva de muitos jovens nos últimos anos é mais uma das consequências nefastas do governo PSD/CDS-PP. E tal como já referi o tempo é de esperança. Acreditamos que estamos no caminho certo para se começarem a criar as condições necessárias ao regresso destes jovens ao nosso país que tanta falta fazem.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.-Os movimentos migratórios e de imigrantes a que temos assistido ultimamente são autênticas fugas à pobreza, à guerra e à morte. As centenas de milhar de seres humanos e de famílias inteiras que arriscam a vida em luta pela sua sobrevivência carregam consigo histórias dramáticas de vida. O seu inalienável direito à vida e à dignidade é um princípio basilar consagrado na Carta das Nações Unidas. Parece-nos que o Estado português deve, por razões humanitárias e por obrigação constitucional, tomar as medidas para dar o devido acolhimento a refugiados e imigrantes numa expressão da solidariedade do Estado português para com os povos vítimas das agressões e políticas anteriormente referidas. Um acolhimento que permita a sua integração plena, nos planos social, económico, laboral, dos direitos à saúde e à educação.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-A autarquia tem a mesma preocupação para com os idosos tal como a tem com os mais carenciados.

Neste sentido também inauguramos um projeto que fazia parte do nosso programa de campanha que é uma Universidade Sénior.

Este projeto foi criado com vista a criar e dinamizar regularmente atividades sociais, culturais, educativas e de convívio. É uma resposta a favor do envelhecimento ativo e da valorização das pessoas, a Universidade Sénior pretende facultar o convívio, a cultura e o intercâmbio de vivências, de modo a combater a solidão e a exclusão social dos idosos e séniores.

Além deste projeto e porque a nossa população comtempla uma franja muito grande de idosos abrimos aqui nas instalações da Junta de Freguesia em parceria com os correios uma estação de atendimento destes últimos, com vista a facilitar o acesso dos nossos habitantes a estes serviços com maior comodidade e sem terem de se deslocar vários kilometros para chegar a um posto de correios.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-É na Freguesia de São Francisco que reside a génese do concelho de Alcochete. As suas origens remontam ao antigo concelho de “Ripa Tejo”, no qual a freguesia de Sabonha assumia a sede de concelho, numa extensão que ia desde Alcochete a Sarilhos, incluindo Samouco e Aldeia Galega.

Hoje, já não é assim. Hoje São Francisco é uma Freguesia Que tem na agricultura a sua principal atividade, pese embora o facto de nos últimos 15 anos o tecido urbano tenha sofrido um crescimento bastante significativo, pois também são muitos os casais e famílias que escolhem A nossa localidade para residir. Isto é devido a estarmos muito perto da Lisboa e ter a ponte Vasco da Gama que torna esta viagem rápida.

Somos uma Freguesia calma e onde as gentes são de bom trato e afáveis.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Existem vários pedidos reclamados pela nossa população que ainda estão por resolver na nossa Freguesia.

De entre estes destaco:

A desativação da extensão do centro de saúde de Alcochete que funcionava no nosso Posto de saúde, edifício construído pela população para este efeito,

A construção de uma igreja que possua as devidas condições, pois a capela que foi aqui construída em madeira mal tem espaço para a acomodação de uma dezena de fieis, fazendo com que às horas das missas, grande parte da nossa população tenha de ficar sujeita aos elementos.

Depois existem como é logico os problemas do quotidiano, mas esses são sempre resolvidos dentro dos prazos considerados aceitáveis.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-Neste momento estamos a envidar esforços para que se possa reabilitar o polidesportivo mais antigo da freguesia, no sentido de melhora-lo e moderniza-lo.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Eu sou uma pessoa optimista por natureza e como tal para o futuro da freguesia as minhas espectativas são muito positivas pois julgo que em conjunto com a população conseguiremos alcáçar todos os objetivos a que nos propomos.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-A situação financeira da junta de freguesia é boa, não tem dividas, os nossos funcionários tem os vencimentos em dia e vamos conseguindo trabalhar.

É logico que não nos podemos nunca alongar nos gastos, pois as verbas transferidas por parte da Administração Central através do F.F.F. (fundo de financiamento de freguesias) são francamente curtas, à muito que o modelo de calculo destas verbas está ultrapassado e não corresponde à situação atual, não só da nossa mas de todas as freguesias.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-A camara municipal é sem duvida a “tabua de salvação “desta junta de freguesia, pois devido às politicas abusivas e sem nexo do anterior Governo que atribuiu mais competências às Juntas de freguesia sem que para isso tenha também aumentado na sua proporção os devidos valores financeiros, tem sido as camaras que ajudam e salvam as juntas de freguesia de terem de encerrar portas através de contrato de delegação de competências equilibrados e justos por forma, a que estas ultimas posam desempenhar as competências com eficácia e uma forma correta.

No caso concreto da nossa junta de freguesia posso dizer-vos que o apoio da cama municipal de Alcochete é elevado.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-A população de São Francisco tem o salutar habito de estar envolvida na vida da junta de freguesia, quer a fornecer informações sobre situações que necessitam de intervenção, quer a participar nas atividades da freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-À população da minha, que é nossa, freguesia, quero apenas enviar uma mensagem de esperança,

Esperança que com este novo Governo, Portugal e os portugueses voltem a ter mais qualidade de vida, que sejam ressarcidos em relação aos impostos abusivos de que foram alvo.

No que respeita diretamente à nossa Freguesia, a população sabe que este que escolheram para ser o Presidente da Junta de freguesia está e estará sempre a despenhar as funções para o qual foi eleito com determinação e sempre no sentido de alcançar tudo o que são os anseios e desejos desta população.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Às vezes não é fácil, pois no meu caso concreto além da vida familiar ainda trabalho numa unidade fabril, o que faz com que diariamente o meu dia tenha inicio às oito e trinta da manhã e termine cerca das quatro horas já da madrugada do dia seguinte.

A nível familiar, quando aceitei candidatar-me a esta Junta de Freguesia sabia que tinha o apoio da família, aliás, tudo o que faço é sempre discutido e analisado no seio da família.

Já sabia que ia ser difícil pois ficaria com uma carga horaria muito grande, pois pese embora o facto de nesta Junta de Freguesia não haver a obrigatoriedade do Presidente aqui estar por haver “tempo inteiro” ou “meio Tempo”, eu faço questão de cá estar todos os dias porque os problemas não escolhem horário e porque para se ser Presidente de Junta tem de se estar sempre ao serviço e de porta aberta à população.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Ao Jornal das Autarquias, desejo as maiores felicidades e que trabalhem sempre em proximidade às Juntas de Freguesia, pois também podem fazer uma grande diferença na ajuda que podem dar, quer divulgando os cartazes culturais e desportivos, quer até sendo o arauto destas divulgando as dificuldades e crises por aquelas que passam também as Juntas de Freguesia.


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