Janeiro 2015 - Nº 99 - I Série - Setúbal - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Setúbal
 

Entrevista da Presidente da Câmara Municipal de Setúbal

Maria das Dores Marques Banheiro Meira

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?

P.C.-Vivemos tempos interessantes e de enorme expetativa.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.C.-Abre-se caminho a alguma esperança.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.C.-Continuamos empenhados na captação de mais investimento que possa gerar mais trabalho, mais riqueza. Temos uma prática de grande abertura a novos investidores, criando-lhes todas as condições para aqui criarem algo.

J.A.-A redução das cotas de pesca, especialmente da sardinha, como pensa esse concelho colmatar tal situação.

P.C.-Trata-se de uma matéria que nos preocupa, pois temos em Setúbal muitas famílias e empresas do setor dependentes da pesca da sardinha. Continuaremos a alertar as entidades com responsabilidades nesta matéria para que se possa encontrar uma solução que defenda também os interesses dos nossos pescadores, embora tenhamos pouca capacidade de intervenção nesta área.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.C.-Um flagelo que teremos de continuar a combater. Os efeitos são conhecidos, as causas podem ser encontradas em variadíssimos aspetos, porém acredito que os últimos anos de austeridade abusiva podem ter tido um papel central no aumento da violência doméstica, com famílias sob grande pressão gerada pelo risco de perder empregos, salários, de ter bens e casas penhoradas. Nada justifica a violência doméstica. Absolutamente nada. Contudo, o agravamento da situação social nestes últimos é certamente um aspeto a ter em conta no crescimento destes crimes.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.C.-Temos de criar no país, e muito rapidamente, para estancar esta saída de gente jovem, qualificada ou não. A saída destes jovens, além de deixar o país sem aqueles que são o seu futuro, agrava também o nosso sério problema demográfico. Creio que isto pode começar a ser resolvido se o país apostar mais no desenvolvimento da sua indústria, na manutenção em mãos nacionais de setores importantes da economia que obedeçam aos interesses do país e não a vontades instaladas noutros centros de decisão em que a vertente financeira e do lucro é a única que comanda.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.C.-Portugal tem especial dever de acolher quem chega ao país em procura de uma vida melhor, dever que é ainda maios forte no caso daqueles que fogem da guerra, da miséria, da fome. Este é, porém, um problema europeu que tem de ser tratado, em primeira instância, a este nível. As autarquias, só por si, e fora de soluções globais, têm poucas condições para tomar decisões estruturantes nestas matérias.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.C.-Mantemos um conjunto de programas sociais de apoio aos idosos, que passam pela realização de atividades com estas pessoas.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese do seu concelho.

P.C.-Setúbal é um concelho de enorme riqueza. Temos gente qualificada, estamos rodeados de beleza natural, estamos numa posição geográfica privilegiada e somos dotados de excelentes acessibilidades rodoferroviárias e marítimas, além de estarmos próximos do principal aeroporto do país.

Temos, além de tudo isto, uma forte personalidade e história enquanto cidade, que não se confunde com outras realidades da península de Setúbal. Por isso, gostamos de nos afirmar como a capital da Margem Norte do Sado para evidenciar que não nos deixamos submergir no que é uma vasta área sistematicamente olhada com alguma desconfiança e que muitos resumem na expressão “margem sul”. Somos muito mais do que isso.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?

P.C.-Como todas as cidades deste país, temos vários problemas a que atribuímos igual importância e, por isso, evito sempre contribuir para esta espécie de campeonato que é fazer uma classificação de problemas.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.C.-Não lhe chamaria um problema, mas sim um desafio. O nosso maior desafio reside, e creio que estamos a vencê-lo, em fazer sair a nossa cidade de um fosso profundo para onde foi artificialmente empurrada nas últimas décadas. Hoje a cidade é olhada de outra forma, está em processo de requalificação e transformação e os próprios setubalenses olham hoje para ela com maior otimismo, com mais esperança. Fale-se com qualquer setubalense e percebe-se que há um apoio muito generalizado à ideia de transformação positiva da cidade. Mas isto sente-se ainda com maior intensidade naqueles que aqui nasceram e que, por força do destino, tiveram de ir viver para outras paragens. Esses são os primeiros a notar e a reconhecer a mudança que faz desta cidade uma grande capital.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?

P.C.-Positivas, bastante positivas. Quer pela via do desenvolvimento turístico, quer pela via de mais investimentos em setores industriais e de serviços, sei que temos razões para estar otimistas.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.C.-Complexa, mas passível de ser gerida. A verdade é que ainda hoje continuamos a recuperar da situação de pré-falência que herdámos em 2002, que nos obrigou a celebrar um contrato de reequilíbrio financeiro que nos obriga a manter medidas de maximização das receitas que são, obviamente, impopulares. Porém, tais dificuldades não nos impediram de mudar bastante significativamente a cidade e o concelho e a perceção que existe sobre Setúbal. Apostámos numa série de candidaturas ao anterior quadro comunitário de apoio que nos permitiram promover uma intensa modernização do concelho, com novos equipamentos culturais, novos espaços urbanos, melhores acessibilidades. Claro que, numa autarquia que herdou as dificuldades que herdou, este esforço motiva dificuldades financeiras que, contudo, estamos a ultrapassar.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.C.-Fomos precursores no apoio às nossas freguesias com a descentralização de competências por via de protocolos. Fazemo-lo desde 2002. Só em 2014 transferimos para as freguesias, no âmbito destes acordos, 2 milhões e 687 mil euros, valor anual que sobe para 2 milhões e 807 mil euros nos anos de 2015, 2016 e 2017. Até 2017, o valor das transferências previstas para as nossas freguesias atingirá o valor de 11 milhões e 108 mil euros, no que será o mais alto valor transferido para estas autarquias nos mandatos autárquicos que decorreram desde 2002.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.C.-Mantemos grande proximidade com as populações através de vários mecanismos e programas de participação cidadã. Um dos mais destacados é, sem dúvida, o programa Ouvir a População, Construir o Futuro, que consiste em visitas exaustivas do executivo municipal a cada uma das freguesias do concelho, acompanhado por técnicos e chefias da autarquias e autarcas das respetivas juntas, para fazer um levantamento de problemas, identificar os que temos capacidade para resolver e determinar o prazo em que tal será feito. Este levantamento e os compromissos assumidos são dados a conhecer às populações em sessões pública e, no fim do mandato, apresentamos publicamente o que se fez, o que não fomos capazes de fazer e os compromissos que assumimos perante os problemas ainda não resolvidos.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?

P.C.-Setúbal continua a ser uma das mais importantes cidades do país. Vamos continuar a trabalhar para fazer Mais Cidade, Mais Setúbal. É o que temos feito com grande intensidade nos últimos anos e, por isso, nota-se hoje que a cidade é mais acolhedora, mais moderna. Queremos continuar este trabalho com todos, sempre num espírito de abertura de abertura à participação ativa das populações na gestão municipal.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.C.-Com muito esforço e sacrifício. Só a minha família o sabe…

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.C.-Que continuem o trabalho de divulgação do que faz o poder local democrático em todo o país.

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