Março 2015 - Nº 101 - I Série - Santarém - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Santarém
 

Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra

Manuel Joaquim Oliveira Faria Bolieiro

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.U.F.-A situação económica e social do País exige rigor, compromissos, credibilidade e estabilidade. Espero que os acordos partidários à esquerda venham trazer estabilidade política ao país que tanto necessita. Acho que vão ser encontradas soluções de governabilidade que garantam a estabilidade, o crescimento e o cumprimento dos compromissos internacionais.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.U.F.-Nos últimos anos diminuiu-se a riqueza gerada no país, o investimento caiu, o número de desempregados aumentou, perderam-se centenas de milhares de empregos. Intensificaram-se as desigualdades. Os pontos comuns acordados entre os três partidos de centro-esquerda mostram uma reviravolta clara em relação à política de austeridade dos últimos anos. As novas medidas anunciadas por este governo assenta numa estratégia que assegura no respeito de todos os compromissos europeus e internacionais de Portugal e na defesa dos interesses nacionais e da economia portuguesa na EU, o que irá permitir virar a página das políticas de austeridade. Acho que existe uma maior sensibilidade social para a resolução de algumas questões.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.U.F.-A Junta de Freguesia tem perfeita consciência das dificuldades porque estão passando as famílias desta freguesia e também do concelho. O aumento do desemprego é uma realidade atual motivada pela grave crise económica que o país atravessa, sendo a população jovem a mais afetada. É com alguma frequência que sou abordado pelas pessoas, quer seja a pedir bens ou a perguntar se estamos a precisar de alguém para trabalhar na Junta de freguesia.

De forma a minimizar as carências existentes nas famílias, esta Junta de Freguesia, disponibiliza todos os meses alimentos através da nossa loja social.

Loja Social, a qual, permite disponibilizar vestuário, alimentos, calçado, manuais escolares, entre outros, as essas mesmas famílias

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/ efeito?

P.U.F.-A violência doméstica é um problema muito complexo que desde sempre atormenta a nossa sociedade e afeta a vida da vítima e da sociedade em geral face aos comportamentos agressivos. A violência doméstica tem portanto efeitos nefastos no bem-estar e desenvolvimento das crianças quer elas sejam vítimas diretas ou não, pois este problema desencadeia défices de autoestima e comportamentos depressivos. Apesar de propenso a certas classes sociais e grupos etários, a violência doméstica ocorre com maior frequência nas famílias mais desprotegidas, em que as precárias condições de vida e a ausência de suporte social e familiar potenciam os comportamentos violentos.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.U.F.-Investe-se na formação dos jovens, os jovens obtêm um elevado grau de formação, e depois têm de deixar do seu próprio país, e ir para o estrangeiro em busca de melhores oportunidades, porque as suas capacidades e os seus conhecimentos não são reconhecidos, nem aproveitados em Portugal. A emigração dos jovens é mais uma consequência direta e imediata da política de austeridade, pois a austeridade gera desemprego, e o desemprego afeta essencialmente os mais jovens e os mais idosos. O que se torna muito mau porque já somos uma população envelhecida.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.U.F.-Ainda não fomos confrontados com essa situação, mas caso aconteça, penso que estamos de portas abertas para os receber, à semelhança do que aconteceu em 1999 com o povo do Kosovo, em que as pessoas ficaram muito sensibilizadas pela situação dos refugiados e foram inexcedíveis. Deram comida, roupa e brinquedos, mas esse é o espirito do povo português. Enquadrá-los na comunidade e arranjar-lhes emprego, parece-me tarefa mais difíceis devido às diferenças culturais e ao desemprego atual.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.U.F.-A nossa Freguesia tem uma percentagem considerável de população idosa, mas felizmente não é um problema muito notório uma vez que vivemos num meio pequeno onde muitas pessoas ainda trabalham os seus terrenos. Por isso ainda não houve a necessidade de acionar um plano de apoio, mas se houver essa necessidade estamos prontos a ajudar. Também e através do Gabinete de Ação Social do Município que foi criado do Cartão 65 que proporciona em certas lojas uma redução dos preços, existe uma parceria com a Universidade Sénior espaço de convívio de excelência para os menos jovens com diversas aulas. Para além disso é proporcionado a todos os séniores anualmente uma viagem que lhes permita conhecer melhor o nosso país.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.U.F.-A freguesia de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra localiza-se no concelho de Salvaterra de Magos, distrito de Santarém.

Foros de Salvaterra é uma antiga freguesia portuguesa, agora integrada na União de Freguesias de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra, do concelho de Salvaterra de Magos, com 35,80 km² de área e 4920 habitantes (2011). Densidade: 137,4 hab/km².

Salvaterra de Magos é uma antiga freguesia portuguesa, agora integrada na União de Freguesias de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra, do concelho de Salvaterra de Magos, do qual é a sede, com 34,98 km² de área e 5526 habitantes (2011). Densidade: 158 hab/km².

Salvaterra de Magos é um concelho com 244,74 Km ² de área e 22.053 habitantes (censos de 2011). A freguesia dispõe de 8795 eleitores, e a principal atividade económica é a agricultura. Com um passado ligado às grandes explorações agrícolas, inicialmente, beneficia, desde logo, da passagem do Rio Tejo na sua área, o que privilegiou (e continua a fazê-lo!) a exploração agrícola, também pela fertilidade das suas terras.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.U.F.-O maior problema do concelho é a falta de emprego, o envelhecimento crescente das nossas populações. A freguesia está servida por estradas municipais que estão maioritariamente em bom estado de conservação, mas ainda há muito a fazer neste sentido (alcatroamento de estradas).

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.U.F.-A freguesia necessita de infraestruturas que criem postos de trabalho, a fim de fixar a população jovem. Outras situações são o arranjo de alguns caminhos, estradas e outras estruturas que carecem de manutenção regular e de alcatroamento e que por vezes não é possível realizar no imediato mas que tentamos sempre concluir nem que seja por fases.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.U.F.-Uma vez que a situação atual não permite muitos investimentos, não temos grandes projetos temos sim muitos pequenos projetos que passam por proporcionar a todos fregueses melhores acessos, ruas mais embelezadas, jardins mais cuidados, parques infantis mais vigiados, maior apoio à população quer em serviços da junta como encaminhamento as entidades competentes de modo a terem melhores condições para o seu dia-a-dia, ou seja, afirmar a qualidade de vida, criar as condições necessárias para inverter a tendência da desertificação e da redução drástica da população sobretudo jovem.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.U.F.-A situação financeira é estável e regular pois os orçamentos estão aprovados pela Assembleia de Freguesia e temos regularizados todos os compromissos assumidos.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.U.F.-É de tal forma importante que sem ele quase não seria possível manter a porta aberta e muito menos exercer qualquer tipo de atividade. Existe uma cooperação muito importante e proveitosa da Câmara com a Junta, apoiamo-nos mutuamente quer com material, transportes, limpezas bem como pessoal.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.U.F.-A população normalmente está disponível e colabora. Quando há alguma intervenção numa área da Freguesia a Junta comunica com as pessoas de forma a minimizar os impactos dessa intervenção.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.U.F.-A mensagem que gostaria de transmitir aos nossos fregueses é sempre uma palavra de esperança e apreço pela cooperação que atualmente se vive nesta Freguesia, mantemos uma relação de proximidade com as pessoas, e ajudamos dentro dos limites da nossa possibilidade apesar de a situação económica não ser a melhor. Temos feito muito com poucos recursos, com o apoio de todos faremos ainda mais e melhor.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.U.F.-A vida de autarca tem sido uma experiência intensa, é deveras desgastante mas muito gratificante, por vezes sou o primeiro rosto que as pessoas procuram quando têm alguma algum problema ou situação complicada e isso implica conciliar a família com este contributo que damos á sociedade, em alguns casos o tempo dedicado á família tem mesmo de ficar em segundo plano, mas com força de vontade tudo se consegue conciliar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.U.F.-Felicito o jornal pelas suas caraterísticas editoriais e pela divulgação do trabalho de autarcas e autarquias, nesta missão contínua de servir as populações e de corresponder aos seus anseios.

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