Março 2015 - Nº 101 - I Série - Santarém - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Santarém
 

Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Parreira e Chouto

Bruno Miguel Marques de Oliveira

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.U.F.-Uma situação perfeitamente normal, acho que somos muito críticos ao que temos. Mas penso que devemos melhorar a nossa governação em Portugal, pois, não nos devemos acomodar.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.U.F.-Na sua globalidade são medidas que trazem esperança ao nosso País. Uma nova esperança ás famílias e empresas, no entanto discordo de algumas que penso que não deviam ser tomadas no imediato.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.U.F.-O desemprego afeta todo o País, no entanto existem locais onde é mais sentido. No nosso caso existe desemprego e que nos preocupa bastante. Neste mandato tenho dentro dos possíveis apoiado os desempregados através de uma discriminação positiva dos preços praticados por esta autarquia. Temos programas de apoio aos desempregados, onde recolhemos e ajudamos a criar os CV e disponibilizamos a empresas que nos solicitam. Além disso apoiamos através de contratos de emprego de inserção, onde já ajudamos bastantes desempregados e famílias, pois, além da bolsa remuneratória, o trabalho desempenhado por essas pessoas é reconhecido no exterior e posteriormente possibilita a sua contratação.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.U.F.-Penso que ela sempre existiu, e provavelmente era superior. Mas felizmente nos dias de hoje essa violência é denunciada e conhecida pelo exterior. Na minha opinião a justiça não deveria era ser tão branda nestes casos. Além da justiça penso que sofremos também de uma crise de valores, mas isso estaria aqui o dia todo a socialogar.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.U.F.-Nos últimos anos tivemos um elevado numero de jovens que deixou o nosso País á procura de melhores condições de vida. Penso que um dia me pode calhar a mim próprio, tudo depende do nosso futuro e das condições do nosso País.

Mas a verdade é que nos últimos anos perdemos milhares de Jovens extremamente qualificados no nosso País, que tiveram de sair em lágrimas porque não lhes podíamos perspectivar um futuro minimamente decente. Penso que devemos criar oportunidades aos jovens para que estes desempenhem as suas funções no nosso País, apesar dos custos que poderemos vir a ter.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.U.F.-Nunca devemos optar pela via mais simples que é a radicalização. Não podemos dizer que somos contra nem que somos a favor, mas nim. Isto porque não nos podemos esquecer que os europeus já tiveram que migrar, nem esquecer dos residentes no nosso território. Agora as soluções já deviam ter sido tomadas pelos políticos responsáveis da EU.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.U.F.-Tal como aos desempregados, damos apoio aos idosos na nossa Freguesia. Também descriminamos positivamente nos nossos preços praticados, transportes, serviços de saúde, apoio aos centros de dia e lares de idosos e na cultura e lazer dos mesmos.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.U.F.-É sem dúvida literalmente uma grande freguesia. Somos quase metade do concelho da chamusca e uma das maiores do nosso distrito em território.

Temos uma enorme riqueza florestal e ambiental que nos proporciona uma qualidade de vida extraordinária. Somos uma freguesia humilde e que sabe acolher, com uma riqueza cultural e gastronómica.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.U.F.-Existem sempre grandes problemas, mas o desemprego e a diminuição de população é um dos factores que mais nos preocupa. No entanto actualmente estamos a fazer enormes esforços para inverter esta situação.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.U.F.-As acessibilidades á nossa freguesia são boas, no entanto devemos trabalhar para as melhorar continuamente.

A nível social apesar dos esforços das IPSSs da Freguesia devemos melhorar e criar mais serviços para os nossos jovens com mais de 65 ou mais anos. As camas existentes nos lares da freguesia ainda são reduzidos para a procura existente, no entanto levanta-se outro problema da capacidade para o pagamento das mensalidades pelas famílias dos utentes.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.U.F.-Não sou pessoa de desistir com facilidade, sou persistente e luto pelo bem das populações. Hoje posso perspectivar um futuro um pouco mais promissor para os nossos fregueses, nos últimos dois anos demonstramos o trabalho desenvolvido com a promessa que ainda mais será feito.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.U.F.-Quando tomei posse estávamos numa situação de gestão bastante complicada. Mas devido a um enorme esforço conseguimos recuperar esta autarquia e podemos encarar o futuro com maior optimismo.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.U.F.-O executivo da camara municipal da chamusca está a fazer um trabalho excepcional nas freguesias, sinto que pela primeira vez olha para as freguesias de igual forma. Deixamos de ser tão centralizados para ter uma maior igualdade relativamente a quem vive na Chamusca. Trabalhando com proximidade o município da Chamusca tem vindo a entender melhor as necessidades do concelho e das suas freguesias e isso eu acho que é indispensável.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.U.F.-Na minha freguesia a população sempre foi ativa e pouco acomodada, deu sempre as mãos para trabalhar e os pés para ultrapassar os problemas. Por isso penso que a nossa população não espera que a autarquia resolva qualquer obstáculo. No entanto sempre que existem problemas os mesmos munícipes sabem que podem recorrer e contar com a autarquia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.U.F.-A mensagem que gosto de dar á nossa população é dos atos, trabalhos e serviços que realizamos diariamente.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.U.F.-Não é fácil gerir a vida familiar como autarca, tive que prescindir de coisas que gostava de fazer com a família e amigos. Deixei praticamente de praticar desporto e outro tipo de lazer é muito difícil de conciliar. Mas para mim a satisfação da população é a minha realização pessoal.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.U.F.-È indispensável dar a conhecer o nosso território, populações, autarcas, tradições e muito mais. Pensamos muitas vezes que conhecemos o nosso País ou o mundo, mas é inconsistente não conhecer os nossos vizinhos. Às freguesias muitas vezes não se dá a devida importância, mas na verdade são estas que prestam o maior serviço de proximidade com a população por isso penso que o vosso trabalho é exemplar ao dar a conhecer o território, autarcas e a instituição que trabalham diariamente.

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