Março 2015 - Nº 101 - I Série - Santarém - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Santarém
 

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Sabacheira

António Rodrigues da Costa Graça

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-Penso que cada vez mais atualmente a política está virada para as pessoas, pois o país não é algo de abstrato como tanta vez parecia nos discursos. Portugal somos todos nós.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-São medidas que me agradam enquanto cidadão, não são perfeitas, mas para todos nós penso ser o melhor que conseguem com as condições atuais.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-A nossa lógica sempre foi e é trabalhar com e para as pessoas, sempre fizemos a ligação com outras entidades de forma a ajudar quem mais precisa. Não na lógica do coitadinho, mas fazendo sobressair o que de melhor têm para oferecer, para de alguma maneira as poder ajudar profissionalmente e/ou na estrutura família que sofre muito desgaste com estes tempos conturbados.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-O ditado é antigo, “casa onde não há pão, toda a gente ralha, ninguém tem razão”. As carências sejam elas de ordem afetiva ou monetária, trazem para a discussão, medos, angústias, aflições, e por vezes o pior manifesta-se. Não estou com isto a querer desculpar algo que para mim não o é. Mas a verdade é que as famílias que mais necessitam de ajuda sentem-se desemparadas, abandonadas por quem devia olhar também por elas, o estado que somos todos nós, por isso no limite, a sociedade. Culturalmente somos na essência um ser social, pois vivemos em sociedade, cada vez mais próximos, pela evolução social e tecnológica. Mas tudo aquilo que nos une virtualmente, é o que nos separa na realidade. Uma sociedade global, cada vez mais desintegrada. É paradoxal mas não deixa de ser a realidade.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-A emigração, quando não é por opção livre, mas por uma obrigação imperativa de melhoramento de vida ou até desespero, é sempre algo negativo para o individuo, para a família e para o país. Primeiro porque a localidade, a região e/ou o país fica envelhecido. Perde-se mão-de-obra jovem, qualificada. E aquilo que me custa particularmente é que separam-se famílias.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.-Penso que a palavra-chave é estereótipo. Não se pode “estereotipar”, as situações têm que ser analisadas caso a caso e a sua integração pode ser uma mais-valia. E principalmente não confundir refugiados e terroristas. Parece que existe uma grande confusão a pairar no ar, sobre quem foge e quem ataca.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-Todo o tipo de apoio administrativo na lida doméstica, familiar e monetário.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-A Freguesia da Sabacheira tem 35km2, quase 30 lugares dispersos, diversas capelas com uma igreja matriz, festas e romarias, vida associativa importante, paisagens de uma enorme diversidade de fauna e flora, com caminhos pedestres lindíssimos, locais únicos para visitar e segredos por descobrir.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Ser uma freguesia dispersa, é o maior problema, pois complica todas as outras situações que em freguesias mais pequenas ou com os lugares mais juntos, facilita as intervenções necessárias.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-Temos problemas com as condutas de água que rebentam com regularidade, não temos esgotos, temos várias empresas em diversas áreas, industrial e turismo, a quererem instalar-se cá e não podem devido ao PDM.

J.A.-Que perspetivas têm para o futuro da freguesia?

P.J.-Dar início ao parque industrial, aumentar o número de empresas cá sediadas, para aumentar os postos de trabalho, dar visibilidade aos caminhos pedestres, para “chamar um maior número de turistas”, e melhorar o nível de vida dos habitantes.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Tendo em conta a responsabilidade do uso dos dinheiros públicos, posso dizer que esta junta de freguesia tem um balanço equilibrado e saudável.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-A Câmara apoia as juntas através de protocolos onde transfere montantes para realizar obras que delegou a responsabilidade na junta.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-A população está sempre presente e participa quando é chamada para tal.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-Não preciso de enviar mensagem por este meio pois todos os dias falo com os meus “fregueses”, trabalho de proximidade, pois eles são o alvo das nossas ações, são o centro do que importa e é a pensar neles que trabalhamos.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Vida familiar? O que é isso? Já ouvi falar disso algures? Agora a sério, não é fácil.

Tem que haver uma compreensão muito grande por parte da família. Sabem que estamos a trabalhar em prol de um bem maior. Acreditamos e a família também na nossa dedicação e vontade. Sá assim é possível, pois quando alguém faz parte ativa da vida em proveito do público, não é só esse alguém, mas todo o agregado familiar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-O trabalho que realizam é importante, pois dão-nos voz a um publico bem mais amplo e a quem está por este mundo fora, como é o caso da minha freguesia. Temos pessoas e famílias espalhadas pelos quatro cantos do mundo. A todos eles e aos que cá estão um grande abraço.

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